
Sendo a Imprensa local reflexo de uma sociedade em que se insere, proporciona também a observação e a reflexão sobre aspetos da realidade, sendo por isso, veículos de progresso e dinamização de uma região. Os jornais são uma fonte histórica indispensável em qualquer investigação e estudo sobre a contemporaneidade de um passado longínquo, já sem testemunhos vivos ou mais recente como forma de debate de ideias e de opiniões.
No Concelho de Lagoa foram publicados jornais entre 1887 e 1937 com diferentes caraterísticas e interesses. Encontram-se arquivados na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, admissíveis a consulta e, certamente alguns exemplares, em arquivos pessoais e particulares.
Fruto de uma elite letrada com capacidade financeira, os jornais eram veículos de correntes de opinião, neste período de debates literários e filosóficos e de agitação política.
Durante o período de publicação, chegaram aos leitores 13 jornais:
Ecco Lagoense (09.01.1887-12.03.1887), semanário político, literário, noticioso e recreativo, com edição de 7 números;
Átomo (16.06.1888-15.06.1889), inicialmente quinzenário e posteriormente semanário literário e noticioso, com edição de 36 números;
O Pimpão (01.10.1889-13.04.1890), autointitulado “órgão dos fracos, estigma dos velhacos”, com edição de 14 números;
O Zé Careca (06.12.1889), autointitulado “órgão dos calvos”, com edição de apenas 1 número;
A Quinzena (04.06.1890-18.10.1891), como o nome indica, quinzenário pouco regular, com edição de 27 números;
A Gazeta da Lagoa (01.10.1892-04.05.1894), inicialmente semanário e posteriormente quinzenário, autointitulado “folha democrática”, com edição de 28 números;
O Bom Conselheiro (12.06.1894-10.09.1895), semanário, com edição de 63 números;
O Julgado Municipal (19.08.1889-15.11.1907), semanário que a partir do nº244 se autointitula “folha política semanal”, com edição de 285 números;
O Sul (13.10.1900-23.03.1901), semanário, com edição de 22 números;
O Lagoense (25.12.1903-18.05.1927), periodicidade irregular, denominado literário, noticioso e independente, posteriormente “jornal noticioso e anunciador” e numa última fase, “quinzenário republicano”, com edição de 313 números;
O Vigilante (02.08.1905-27.09.1905), semanário, com edição de 9 números;
O Vigilante II (14.05.1916-11.06.1916), semanário que se considerava “dedicado aos interesses do Concelho”, com edição de 5 números;
A Semana (12.04.1936-10.01.1937), como o nome sugeria, semanário que inicialmente se autointitula “órgão de defesa dos interesses do concelho” e numa fase posterior, considerava-se jornal independente, tendo tido uma edição de 32 números.
Saliente-se que estes periódicos, regra geral, eram edições de 4 páginas com configuração de duas a quatro colunas, sendo a caraterística mais comum a publicação em três colunas por página. Toda edição era a preto e branco, como era possível na época, e eram poucas as imagens utilizadas. O tamanho da folha do jornal era, regra geral, um pouco menor dos que os das edições atuais.
Jornais de uma época controversa que pretendia dar voz à opinião pública mas que muitas vezes, influenciavam e moldavam a ideia daqueles que liam. Ligados aos interesses locais, os jornais lagoenses apontavam críticas e soluções se eram opositores das causas governamentais ou comunicavam feitos e ações se eram defensores daqueles que dominavam intelectual, religiosa ou politicamente o concelho.
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