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Como as drogas psicoestimulantes atuam no nosso organismo

Maria João Pereira
Farmacêutica

No mundo atual, as drogas têm assumido um impacto crescente na sociedade. Apesar de todo o conhecimento já adquirido sobre os seus efeitos, o uso de substâncias psicoestimulantes continua a aumentar, representando um problema de saúde pública preocupante.
As drogas psicoativas são substâncias que atuam diretamente no sistema nervoso central, alterando a forma como os neurónios comunicam entre si, afetando a perceção, o humor, a consciência e o comportamento do indivíduo. Os psicoestimulantes são um subgrupo de drogas psicoativas que aumentam a atividade cerebral, elevando o estado de vigília, os níveis de energia e o humor. A cocaína, as anfetaminas, o ecstasy e as novas drogas sintéticas são exemplos de substâncias estimulantes.

Estas substâncias afetam, sobretudo, os sistemas de três neurotransmissores fundamentais:

  • Dopamina: associada às sensações de prazer e recompensa;
  • Noradrenalina: relacionada com o estado de alerta e atenção e resposta ao stress;
  • Serotonina: responsável pela regulação do humor, sono e bem-estar geral.

Dependendo da droga em uso, o mecanismo de ação relativamente aos neurotransmissores será diferente e, consequentemente, também o efeito provocado. De entre os principais mecanismos de ação, destacam-se o aumento da libertação dos neurotransmissores e a inibição da recaptação dos mesmos, o que prolonga os seus efeitos no cérebro.

Por causarem sensações de prazer imediato, euforia, aumento da atenção, da energia e hiperfoco, estas substâncias têm um elevado potencial de causar dependência, embora o tipo e a intensidade da mesma variem consoante a substância e o perfil do indivíduo.

A longo prazo, além da dependência, os efeitos começam a aparecer e não são benignos: problemas cardiovasculares e neurológicos, alterações no humor (como depressão e ansiedade), psicoses e episódios de paranoia, que em alguns casos podem ser irreversíveis.

O tratamento deste tipo de dependência, tal como qualquer outro, deverá começar pela tomada de consciência, sem medo de julgamentos ou estigmas. A força de vontade é, muitas vezes, a chave para dar o primeiro passo. A partir daí, o ideal é procurar um tratamento estruturado com uma equipa multidisciplinar preparada para ajudar.

Há vários tipos de tratamentos, que podem incluir:

  • Desintoxicação, com cessação do consumo e apoio médico adequado;
  • Acompanhamento psicológico através de psicoterapia individual ou em grupo;
  • Tratamento farmacológico, quando necessário, para controlar sintomas de abstinência, depressão ou ansiedade;
  • Grupos de apoio psicossocial – fundamentais para que o indivíduo se sinta acolhido, compreendido e motivado a continuar.

Todos nós já conhecemos alguém que passou — ou está a passar — por uma situação destas. A empatia e a compaixão podem ser o primeiro passo para o início de um tratamento. Em vez de apontar o dedo, talvez esteja na hora de dar a mão.

A recuperação é possível. Que nunca falte coragem – para pedir, e para oferecer ajuda.

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