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Bispo de Angra inicia visita pastoral a Vila Franca do Campo com encontro com jovens e idosos

D. Armando Esteves Domingues privilegia o contacto direto e o diálogo intergeracional no arranque da visita pastoral a São Miguel

© SARA SOUSA OLIVEIRA

O bispo de Angra iniciou este sábado, 18 de abril, a primeira de três visitas pastorais previstas este ano para a maior ilha do arquipélago, escolhendo a ouvidoria de Vila Franca do Campo como ponto de partida. O primeiro dia ficou marcado por um forte caráter intergeracional, com encontros que passaram pelas crianças da catequese, idosos e jovens crismandos, num roteiro centrado na proximidade às pessoas.

A visita teve início na igreja Matriz de Vila Franca do Campo, onde o prelado foi recebido pela comunidade e pelos membros do Conselho Pastoral. Em declarações ao sítio Igreja Açores, explicou o sentido desta presença: “A minha primeira expetativa é conhecer melhor… conhecer as alegrias e dificuldades. Depois poder contribuir para a confirmação na fé de tantas pessoas, não só daqueles que vão receber o sacramento, mas também aqueles que trabalham”. Sublinhou ainda que não chega como “fiscal”, mas como alguém que quer “acrescentar e ajudar”.

Ao longo do dia, reforçou a ideia de uma Igreja próxima.

“A Igreja não está fora do mundo, aliás, ninguém vive isolado. A Igreja sai, vai à rua conhecer as dificuldades, seja numa creche, numa escola ou num lar. A visita pastoral não é à sacristia, mas às pessoas”.

© SARA SOUSA OLIVEIRA

O primeiro momento, vivido com as crianças do sexto ano da catequese, trouxe um tom particularmente intimista ao arranque da visita. Na simplicidade do encontro, entre olhares curiosos e alguma timidez própria da idade, D. Armando Esteves Domingues procurou criar um ambiente de proximidade, falando de forma direta e acessível, quase como quem conversa em família. Mais do que um discurso formal, foi um diálogo feito de gestos, perguntas e pequenas histórias, onde a atenção das crianças se manteve presa a cada palavra.

“Encontrar-me com todos é pensar no futuro”, disse-lhes, convidando-os a olhar para a fé como um caminho vivo, que um dia poderá também passar pelas suas mãos.

Recordou a sua própria vocação, nascida num retiro onde se deixou “seduzir por Jesus”, e procurou traduzir essa experiência numa linguagem que os mais novos pudessem compreender: um Deus próximo, que conhece cada pessoa pelo nome, que sabe “o que cada um faz, onde mora, o que pensa” e que nunca abandona, mesmo quando se erra.

Num dos momentos mais marcantes, deixou um apelo simples, mas exigente: “Ama sempre, mas se te cansares de amar, continua a amar”. As palavras foram acolhidas num silêncio atento, quebrado aqui e ali por sorrisos e gestos de cumplicidade. Falou ainda de um Deus que “é um esbanjador de amor” e de um Jesus que “é o caminho, a verdade e a vida”, reforçando a ideia de que a fé se vive no quotidiano, nas pequenas escolhas de cada dia.

© SARA SOUSA OLIVEIRA

Seguiu-se a visita à Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, uma das mais antigas dos Açores, onde contactou com os idosos. Ali, o ritmo abrandou e o ambiente ganhou um tom mais contemplativo. Entre palavras serenas e gestos de carinho, pediu aos utentes que rezassem pela visita pastoral, acabando por partilhar com eles um momento de oração. A instituição, responsável por diversas valências sociais – do lar à creche, passando pela farmácia e pelo ATL – e pela organização das festas do Senhor da Pedra, continua a ser um pilar da vida social e religiosa da Vila.

Alguns dos responsáveis pastorais mostraram satisfação com o arranque da visita.

Carlos Vieira, coordenador do Conselho Pastoral da ouvidoria, sublinhou “a alegria e empenho” da comunidade na preparação e no acolhimento do prelado, reconhecendo também que é preciso falar dos desafios que a ouvidoria enfrenta como a diminuição da prática religiosa e da participação na catequese. Ainda assim, destacou a vontade de mostrar ao bispo “a realidade, os desafios e também as fragilidades”.

© SARA SOUSA OLIVEIRA

Já Graça Amaral evidenciou a forma como o bispo se relacionou com os mais novos: “Mostrou que sabe estar com todas as idades. Os miúdos beberam tudo o que ele disse”. Para a representante do conselho pastoral de ouvidoria ao Conselho pastoral Diocesano, esta será “uma semana especial e de graça”, preparada com dedicação por toda a comunidade, incluindo a escola e os diferentes movimentos.

O dia terminou com um encontro com jovens crismandos, fechando um percurso que, logo no primeiro dia, ligou diferentes gerações em torno da mesma vivência de fé. A visita pastoral prolonga-se ao longo da semana, com um programa intenso que pretende dar a conhecer a realidade local e fortalecer a presença da Igreja no quotidiano das pessoas.

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