Log in

Diabetes: conhecer é o primeiro passo para cuidar

Maria João Pereira
Farmacêutica

A insulina é uma hormona naturalmente produzida pelo pâncreas e desempenha diversas funções essenciais no organismo: regula os níveis de glucose no sangue, promove o armazenamento de glicogénio nos músculos, estimula a produção de proteínas e lípidos e inibe a produção de glucose pelo fígado.

Na ausência de insulina ou quando esta não atua de forma eficaz, o indivíduo pode desenvolver Diabetes Mellitus (DM), uma doença metabólica crónica, caracterizada por níveis persistententemente elevados de glucose (açúcar) no sangue.

Existem, essencialmente, três tipos de DM:

  • DM Tipo 1: considerada uma doença autoimune, dado que o próprio sistema imunitário é responsável pela destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, ou seja, o organismo não produz insulina. Normalmente, é diagnosticada na infância ou adolescência, embora possa surgir em qualquer idade. Ter um familiar com este tipo de diabetes constitui um fator de risco.
  • DM Tipo 2: desenvolve-se aos longo dos anos devido ao aparecimento da resistência à insulina, isto é, as células passam a responder de forma inadequada à sua ação. Habitualmente é diagnosticada na fase adulta. Entre os principais fatores de risco encontram-se o excesso de peso e a obesidade, o sedentarismo, a idade, a pré-diabetes, antecedentes de diabetes gestacional, consumo excessivo de álcool, alimentação rica em gorduras e açúcares e história familiar de DM tipo 2.
  • Diabetes Gestacional: corresponde à hiperglicemia diagnosticada durante a gravidez, numa mulher que apresentava valores normais de glucose antes da gestação. É fundamental o controlo rigoroso dos níveis de glicemia durante a gravidez para proteger o bebé. Por norma, após o parto, os valores de tendem a regularizar, contudo, é recomendada a vigilância contínua dado que existe maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. 

A DM é frequentemente conhecida como a “doença dos 4 P’s”: poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome aumentada) e perda de peso involuntário. Para além destes sintomas, podem surgir visão turva e cansaço.

A longo prazo, podem desenvolver-se várias complicações, nomeadamente: retinopatia diabética, pé diabético, nefropatia diabética, doenças cardiovasculares (como AVC, problemas de circulação e enfarte), maior dificuldade em cicatrizar feridas, infeções recorrentes, disfunção sexual e problemas de saúde oral.

A DM tipo 2 pode, em muitos casos, ser prevenida através da adoção de um estilo de vida saudável, que inclua uma alimentação equilibrada, prática de exercício físico regular, manutenção de um peso adequado, evicção de substâncias nocivas (como o tabaco e o álcool) e vigilância dos níveis de pressão arterial e colesterol.

A DM tipo 1 não é prevenível, por se tratar de uma doença autoimune. Contudo, a adoção de medidas acima mencionadas contribui para um melhor controlo da doença. Neste caso, é necessária a administração de insulina, uma vez que o pâncreas deixou de a produzir.

Por sua vez, a DM tipo 2 pode, inicialmente, ser controlada com alterações de estilo de vida e, posteriormente, com medicação, muitas vezes oral. Em alguns casos, pode também ser necessária a utilização de insulina, dependendo da evolução da doença.

Viver com diabetes pode ser um desafio, mas não significa perder qualidade de vida. Com informação adequada, acompanhamento regular e adoção de hábitos saudáveis é possível manter a doença controlada e prevenir complicações, promovendo uma vida plena e equilibrada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CAPTCHA ImageAlterar Imagem