É já no próximo dia 13 de fevereiro que estarão na estrada as Romarias Quaresmais que decorrem anualmente na ilha de São Miguel. Este ano sairão 56 ranchos, são 54 da ilha de São Miguel e dois da diáspora, provenientes da Arquidiocese de Toronto.
Nas próximas semanas, até dia 26 de março, serão cerca de 2500 os homens que nos 56 Ranchos irão percorrer as estradas da ilha de São Miguel, ora em silencio, ora orando, nas habituais Romarias Quaresmais, que este ano têm como tema central as “Obras da Misericórdia”.
Segundo o Pe. Nuno Maiato, diretor espiritual do Grupo Coordenador do Movimento de Romeiros de São Miguel, a romaria acaba por ser algo repetitivo, mas que a cada ano tem a novidade da vivência de cada um. Sendo este ano dedicado à Misericórdia, acredita o pároco, que o que terá de novo será de facto esta vivência pessoal e intimidade de cada qual.
“Esta realidade das romarias é local, mas a vivência é universal, havendo quem se identifica com esta vivência. A descoberta e a procura que cada um faz de si mesmo”, recorda.
O Pe. Nuno Maiato reconhece que “quem vê de fora e tem um primeiro contacto com as romarias fica deslumbrado, pois trata-se de uma realidade que não é muito comum”.
“As romarias são um movimento da Igreja que oferece grandes possibilidade de evangelizar e de ser evangelizado”, refere ao nosso jornal.
Nesta primeira semana de romaria, serão onze os ranchos que sairão para a sua peregrinação. Do concelho de Lagoa sairá o Rancho de Romeiros do Cabouco. A 20 de fevereiro, será a vez da saída do Rancho da Atalhada e a 27 de fevereiro será a vez do Rancho de Romeiros dos Remédios.
Recorde-se que o Romeiro ostenta o bordão, xaile, lenço e saco. Leva ainda no mínimo dois terços, um ao pescoço e outro na mão para a oração durante o decurso de toda a romaria.
O bordão serve para apoiar e facilitar o caminhar do peregrino pelas veredas e atalhos acidentados da ilha, o xaile e lenço por sua vez, para protegê-lo do frio e da intempérie.
O bordão relembra o ceptro entregue a Cristo pelos romanos no seu julgamento ante Pilatos, o xaile a Sua Túnica, o lenço a coroa de espinhos do Seu suplício e o saco a Cruz a caminho do Calvário.
As romarias na Ilha de São Miguel têm cerca de cinco séculos de história e juntam todos os anos milhares de peregrinos.
Na sua origem estiveram as catástrofes que tocaram o território em 1522 e 1563, quando terramotos e erupções vulcânicas fustigaram as regiões de Vila Franca do Campo e Ribeira Grande, provocando inúmeras perdas humanas e materiais.
Dom João Lavrador, bispo coadjutor da Diocese de Angra, considera as romarias um espaço, não só para andar e rezar, mas também para contemplar a beleza daquilo que Deus deu e os dons que o Senhor vai dando no objetivo da partilha com todos, nos laços de unidade, de amor e de compaixão.
“Dentro de todo o projeto penitencial dos Romeiros, a misericórdia está sempre presente e o que importa é que cada um tome a consciência de que aquilo que está a realizar e os vários actos pelos quais vai desenvolvendo a romaria, têm um impacto na sua vida, um valor extraordinária entre todos os que vão contactando e trocando a oração, mas depois sentirem que há um sinal da sociedade que a misericordiosa é algo que vem de Deus mas que deve ser acolhido por todos”, revela ao jornal Diário da Lagoa.
Segundo Dom João, “todos temos que viver em renovação pessoal e comunitária, levando a uma renovação neste mundo em que vivemos”.“Há um sonho, todos queremos uma humanidade melhor, mais fraterna, uma humanidade nova, mas esmiucemo-nos de colocar em pratica os fundamentos e estes são de penitência”.
O bispo coadjutor refere ainda que “as pessoas têm que mudar, têm que se transformar, têm que abdicar de si mesmo para se colocar mais ao serviço do outro”.
Dom João Lavrador considera que os Romeiros têm uma graça muito grande nesta reflexão. “Os Romeiros têm um sinal importante na Igreja, sendo que, na penitencia quaresmal, e que se tem que prolongar pelo ano, pode ser um sinal daquilo que deve ser a Igreja na sua forma de estar com as pessoas”, recorda.
DL
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