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“O termalismo é uma paixão que me move todos os dias”

A profunda ligação à natureza e ao mar conduziram Luysa Pereira ao contacto com o termalismo. Atualmente, gere vários espaços termais e prepara-se para novos investimentos

Luysa Pereira nasceu na Terceira, é licenciada em Medicina Osteopática e tem dinamizado as termas nos Açores © ACÁCIO MATEUS

Luysa Pereira nasceu na ilha Terceira, no seio de uma família açoriana, e desde cedo nutriu uma ligação profunda à natureza e ao mar. Foi essa paixão que fez com que, aos 18 anos, embarcasse para Lisboa onde iniciou o percurso académico e onde concluiu a primeira licenciatura em Medicina Osteopática.
Mais tarde, alargou a formação académica à área da Engenharia do Ambiente e da Saúde, procurando “sempre compreender o ser humano numa perspetiva onde corpo, mente e ambiente se interligam”, explicou, procurando, ao longo do percurso profissional, “aliar a prática à investigação, à formação e à valorização do património termal dos Açores”.

Paralelamente, criou e implementou nos Açores dois projetos pioneiros a nível mundial: o baby spa termal, dedicado ao uso da água termal adaptada para o tratamento da pele e para a promoção do relaxamento; e o spa termal capilar, que utiliza os constituintes minerais da água com indicações específicas para a saúde capilar, ambos nas Termas da Ribeira Grande.

Para além disso, atualmente encontra-se em “fase de conclusão um terceiro projeto inovador, em curso nas Termas do Carapacho, que se distingue pela utilização de três águas termais diferentes no mesmo balneário, explorando a diversidade e complementaridade das suas propriedades”.

O termalismo, como facilmente se conclui, mais do que um negócio, é a paixão de Luysa Pereira. “O termalismo é uma paixão que me move todos os dias. É o reflexo de tudo aquilo em que acredito: a prevenção, o tratamento, a valorização do ambiente, o turismo sustentável, a transversalidade entre áreas científicas e culturais, a história, a identidade e as potencialidades únicas das nossas águas.
Cada fonte termal conta uma história, cada água é única. E é essa narrativa, que junta ciência e cultura, que me apaixona e me inspira a investir nesta área com tanta dedicação”, disse.

É esta paixão que a faz percorrer várias ilhas dos Açores, desde São Miguel ao Faial, passando pela Graciosa, ilhas onde tem vindo a reabilitar termas e a devolver-lhes à sua essência do ponto de vista termal, associando-as também ao turismo. E é aqui que entra outra questão: por que motivos as termas foram caindo em desuso?

“O termalismo, tal como muitos outros setores, viveu ciclos de auge e de esquecimento. No passado, os espaços termais eram pontos de encontro social, locais de tratamento e até símbolos de prestígio. Com o avanço da medicina convencional e a mudança dos hábitos sociais, muitos desses espaços foram caindo em desuso, perdendo a vitalidade que outrora tiveram. E Portugal tem um dos maiores legados históricos termais, muitas vezes pioneiro, como é exemplo o hospital termal, o balneário das Caldas da Rainha. Nos Açores, e a par da nossa vasta história termal, temos assistido a um crescimento assinalável nos últimos anos, sobretudo pelo modelo de balneoterapia simples ao ar livre, que atrai visitantes que procuram experiências autênticas e ligadas à natureza. Acredito que o segredo para a revitalização do termalismo passa por reinventá-lo, integrando-o nas novas tendências mundiais de wellbeing e turismo de saúde, sem nunca esquecer a tradição e a autenticidade das nossas águas. O termalismo clássico, com as suas utilidades terapêuticas comprovadas, consegue ser perfeitamente integrado nestes novos conceitos ligados à prevenção e ao bem-estar. Para isso, torna-se essencial um posicionamento de comunicação adequado, capaz de transmitir às pessoas o verdadeiro valor das nossas águas termais, tanto no plano científico como na experiência cultural e turística”, apontou.

© ACÁCIO MATEUS

Há dez anos ligadas ao ramo do termalismo, Luysa Pereira não tem dúvidas de que existe ainda um longo caminho a percorrer. “O termalismo faz parte da minha vida há mais de dez anos e tenho plena convicção de que continuará a ser uma das minhas maiores missões. O objetivo é revitalizar o nosso património termal regional, respeitando a sua história, mas também inovando com novas valências e produtos que acrescentem valor. Promovendo saúde, prevenindo doenças, e promovendo também bem-estar e lazer”. E fazer isto em ilhas diferentes obriga a um esforço redobrado e planeamento atempado, o que “nunca é tarefa fácil” porque “ser açoriano é carregar uma resiliência quase inata, moldada pela condição de ser ilhéu e pelos desafios que isso acarreta. O maior deles são, sem dúvida, as viagens, sobretudo no inverno, onde o clima instável muitas vezes condiciona os planos. Mas acredito que é precisamente esta adaptação constante que nos torna mais criativos e mais persistentes”, acrescentou.

Furnas com projetos para novas piscinas termais, minigolfe e requalificação do Largo da Estrela

© CM POVOAÇÃO

A Câmara Municipal da Povoação (CMP), através da equipa MOOD Arquitetos, apresentou, no passado dia 22 de janeiro, no Centro Social e Paroquial de Furnas, os projetos das piscinas termais, do minigolfe e do coreto da Avenida Manuel de Arriaga, bem como o projeto da requalificação do Largo da Estrela, segundo nota enviada à redação pela autarquia.

O presidente da CMP, Pedro Melo, citado no mesmo comunicado, garantiu que o projeto do Largo da Estrela, nas Furnas, será lançado a concurso público, em fevereiro do corrente ano, e financiado pela autarquia povoacense. Já os das piscinas, minigolfe e coreto, também nas Furnas, serão concessionados e construídos por um privado, que ficará com a respetiva concessão. Muito em breve serão elaborados os cadernos de encargos e respetivos procedimentos concursais dos referidos espaços. As futuras verbas mensais angariadas pela criação destes novos espaços, na Avenida Manuel de Arriaga, serão entregues à Junta de Freguesia de Furnas, lê-se ainda.

No que aos projetos da Avenida Manuel de Arriaga concerne “o complexo proposto inclui piscinas termais, um espaço de minigolfe e a requalificação do coreto existente. Com um design que valoriza a paisagem natural e a cultura local, o projeto procura proporcionar aos visitantes uma experiência sensorial enriquecedora e diversificada, que convida ao relaxamento, à contemplação e à diversão”, explicou o arquiteto, Manuel Dinis, da Mood Arquitetos, citado na nota.

Piscinas Termais

O projeto das Piscinas “explora o conceito de termalismo numa abordagem minimalista e abstrata, respeitando a morfologia do terreno e no contexto envolvente. A estética orgânica, camuflada em espaços verdes, reflete os montes e vales característicos da região, simbolizando a fusão entre construção e território”, esclareceu, na altura da apresentação.

O espaço vai ntegrar quatro piscinas termais com diferentes tamanhos, profundidades e temperaturas, balneários, receção, bar, áreas de exposição, meditação, bem-estar e spa, explica ainda a nota.

A piscina 1, com 156 metros quadrados (m²) e temperatura de 20°C (graus celsius). A piscina 2, com 119 m², e a piscina 3, com 147 m², mantêm a água a 37°C. A piscina 4, a maior com 510 m², apresenta temperatura variável entre 20°C e 37°C. Esta piscina conectar-se-á a uma cascata integrada à cobertura ajardinada, que formará uma gruta natural, criando um impacto visual e acústico único.

Minigolfe

O projeto do Minigolfe apresenta-se integrado no espaço verde e deste traçado destacam-se um mirante e um espaço de receção, concebidos de acordo com as características do terreno. O campo de minigolfe é o ponto central, desenhado com formas orgânicas e naturais que se adaptam ao relevo e à topografia, inspirando-se numa ribeira e incorporando elementos paisagísticos. O espaço da receção é uma vez mais camuflado pela topografia e vegetação envolvente.

O mirante, em pedra basáltica irregular, mantém a função original do espaço, oferecendo uma vista desobstruída do restante parque, pode ler-se.

Coreto

O espaço do coreto complementa toda a proposta do complexo com um espaço de estar e de apoio a todo o parque. “A proposta revitaliza o coreto histórico, transformando-o em um ponto de apoio multifuncional, com novos espaços para contemplação, introspeção, lazer e convivência”, de acordo com o comunicado.

Inspirado na reinterpretação artística de uma árvore, o design sugere que o edifício cresce organicamente do terreno, reinterpretando o tradicional coreto de forma moderna e minimalista. A estrutura é organizada de forma radial: a base representa as “raízes”; o “tronco” abriga áreas técnicas, como instalações sanitárias e copa; e os “ramos” são simbolizados pela verticalidade em madeira, complementada por fitas de LED. A continuidade com o jardim é reforçada pela cobertura plana ajardinada, que integra o edifício à paisagem.

Largo da Estrela

O projeto de requalificação da Largo da Estrela, localizado na Avenida Pereira Atayde, propõe transformar o espaço num ponto amplo de lazer e bem-estar, integrando arquitetura e natureza de forma harmoniosa.

A intervenção tem por objetivo resolver várias questões identificadas de deterioração do espaço, criando um novo amplo, plano, acessível e seguro.

A pedra basáltica existente dos muros será aproveitada para integrar o desenho de pavimento que terá a forma antiga do largo, preservando, assim, o caráter histórico do espaço.

O conceito passa por enaltecer a forma existente do largo, abraçando os acontecimentos envolventes como moradias, restaurantes e estrutura viária, conferindo vários critérios de utilização, como zonas de estar em jardim, esplanada, acessos e espaços amplos multifunções, lê-se ainda.

O projeto reinterpreta ainda outros elementos como o fontanário, a estrela no pavimento e a palmeira. A completar estes elementos, propõe-se um espelho de água inspirado nas caldeiras das Furnas, dunas de jardim com vegetação e um percurso de betão pigmentado vermelho, simbolizando o Vale das Furnas.

De modo a proporcionar a maior versatilidade, o largo dispõe de um deck de madeira circular amovível para eventos e espetáculos e as faixas laterais estão preparadas para receberem barraquinhas, feiras e diversos eventos, conclui a mesma nota.