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O preço da Liberdade de Imprensa na Lagoa

​A Lagoa, na ilha de São Miguel, conta com um órgão de comunicação social há quase doze anos. Fundado por iniciativa privada, o Diário da Lagoa foi, durante muito tempo, confundido com “o jornal da câmara”. Essa desinformação tem sido gradualmente desconstruída e, atualmente, é raro que se faça essa associação, a não ser com o propósito deliberado de prejudicar o nosso trabalho.

​É inegável que a existência de um jornal no concelho é benéfica para o poder local, ao divulgar o nome “Lagoa” e as notícias do concelho por toda a ilha de São Miguel, Açores e diáspora açoriana. As nossas estatísticas confirmam o nosso alcance global, o que justificou recentemente o registo do título “Diário da Lagoa” como marca nacional. Por outro lado, a existência de um jornal local pode ser inconveniente para certos grupos de interesses, pois o jornalismo, quando cumpre a sua função, incomoda. Contudo, a importância da nossa missão nunca foi publicamente reconhecida, embora sejam já inúmeras as páginas escritas sobre o concelho, São Miguel, os Açores e a sua diáspora.

​A aquisição de espaços publicitários pela autarquia no nosso jornal terá sido a forma encontrada para demonstrar apoio à imprensa local, dada a importância que o jornal ganhou na divulgação de atividades e eventos, mas a verdade é que faltou o devido reconhecimento público quando bastava, simplesmente, compreender e respeitar a nossa dedicação e esforço em prol da Liberdade de Imprensa.

​É, portanto, imperativo que os nossos leitores sejam agora informados de que, por razões de índole ética e para salvaguardar a total independência do Diário da Lagoa, o jornal se vê no dever de suspender a aceitação de qualquer receita gerada pela publicidade institucional proveniente da Câmara Municipal. Esta decisão, que representa um sacrifício financeiro, justifica-se pela existência de vínculos contratuais pré-existentes entre a editora proprietária deste jornal e um cidadão que assumiu funções no órgão deliberativo autárquico. Entendemos que a manutenção da publicidade institucional, nas atuais circunstâncias, geraria uma aparência de conflito de interesses insuperável e inaceitável para a credibilidade do nosso jornal.

​A coexistência de um acordo com uma empresa proprietária de um jornal local e o desempenho de um cargo político num órgão da Câmara Municipal que contratualiza publicidade com esse mesmo jornal, cria um cenário ético complexo que prejudica a perceção de isenção deste título. Isto obriga-nos a agir com total transparência perante o nosso público. É por isso que, com total determinação, sustentamos e mantemos este projeto, prescindindo agora de eventuais apoios provenientes da autarquia que possam, direta ou indiretamente, colocar em causa a nossa liberdade e idoneidade.

​Devido a esta incompatibilidade, tomamos esta opção, convictos de que a situação será devida e prontamente corrigida. Estamos certos de que o poder local não desejará desiludir a Democracia e a Liberdade de Imprensa, e, por isso, apelamos ao diálogo e ao bom senso, esclarecendo a opinião pública de que somos, efetivamente, um jornal de iniciativa privada e independente que respeita os valores expressos na Constituição da República Portuguesa.

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