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Natal junta pais, alunos e instituições em verdadeira ação de empreendedorismo escolar na Lagoa

Que importância é que tem um mercado de Natal gerido e criado inteiramente por quem o faz? Foi o que fomos perceber junto da comunidade educativa da Escola Básica Integrada de Lagoa

Ema Tavares e a mãe estiveram numa das mais de 60 bancas do Mercado de Natal da EBI de Lagoa © DL

Emita é o diminutivo de Ema. Emita Cookies é o nome da marca. E Ema Tavares é quem faz, embala e vende os biscoitos que colocou à venda no Mercado de Natal da Escola Básica Integrada (EBI) de Lagoa, no pavilhão desportivo do Fisher, na Lagoa, ilha de São Miguel. 

Então como é que nasceram estes biscoitos? – quisemos saber. “Nasceram numa noite de lua cheia em que estava com os vizinhos a comemorar. Estávamos em banhos, um vizinho veio comer os meus biscoitos, os biscoitos de manteiga, os que eu comecei. E um destes vizinhos, quando provou, disse que, se tivesse à venda, podia ser que ele comprasse”.

E é assim que, de uma menina de 11 anos nasce uma ideia empreendedora. “Com essa ideia na cabeça, comecei com a marca e depois comecei a evoluir. Fui para um almoço de família e uma tia deu-me duas receitas da minha tetra avó, que há mais de cem anos existem”, conta a aluna da EBI de Lagoa, que as inclui na sua marca. Agora são várias as variedades que confecciona.

O mercado de Natal da EBI de Lagoa tem 12 anos de existência. Na edição deste ano “neste momento temos 65 bancas. Todos os anos, cresceu, paulatinamente, tem crescido. Nós envolvemos a comunidade, da Lagoa e fora da Lagoa. Temos aqui bancas de Vila Franca e das Capelas” destaca a professora e coordenadora de educação empreendedora na EBI de Lagoa, Helena Costa. 

E que importância é que tem um mercado gerido e criado inteiramente por quem o faz?

“É [os alunos] serem capazes de gerir o seu próprio negócio e ter uma ideia. No futuro, serem capazes de fazer o seu próprio pé de meia em termos de autodeterminação e em termos monetários. Ou seja, serem capazes de não precisar de ninguém e terem algo que é o seu ponto de rendimento “, sublinha Helena Costa.

Ema está na sua banca com a mãe. E são muitos os pais que decidiram participar ativamente na iniciativa, estando presentes e comprando nas várias bancas do mercado, aberto a toda a comunidade.

Projeto “Apadrinhar uma criança” ajuda 27 alunos

Projeto “Apadrinhar uma criança” foi criado na comunidade escolar e quer estender-se ao longo de todo o ano letivo © DL

Inserido nas iniciativas de Natal da EBI de Lagoa, nasceu o projeto “Apadrinhar uma criança”. E na prática, em que consiste? A professora Luzia Borges explica: “é um projeto de empreendedorismo solidário. Alunos com mais dificuldades são apadrinhados. Este projeto alargou-se à comunidade escolar e à comunidade educativa também. Ou seja, mesmo os alunos que, em casa, passassem a palavra, os pais podem vir cá e o resto da comunidade inscrever-se na biblioteca e apadrinhar, dentro das suas possibilidades, alguém mais carenciado”.

O projeto, este ano, vai ajudar 27 alunos, cuja identidade está protegida, com carências sociais identificadas pela escola. A docente responsável pela iniciativa faz questão de sublinhar que a ideia surgiu da auxiliar Olinda Moniz “que por sua vez passou para a professora Manuela que é diretora de turma. Eu sou coordenadora da área da cidadania e ela disse-me «vamos agarrar nesta ideia» e assim nasceu”, conta Luzia Borges. 

A vontade da equipa que organiza este projeto passa por estendê-lo ao longo de todo o ano letivo e extravase o concelho. “Qualquer pessoa que viva num outro concelho da ilha de São Miguel poderá telefonar para a escola e apadrinhar uma criança. Este projeto não é perfeito, tem sempre injustiças e nós gostaríamos de continuar esse apadrinhamento durante o ano letivo”, considera a docente. 

As prendas de cada apadrinhamento dependem sempre da boa vontade e possibilidade de cada padrinho: “Poderá ser sapatos, poderá ser uma blusa, poderá ser um brinquedo, poderá ser um cabaz alimentar, como nós temos, poderá ser também um miminho de um chocolate, é de acordo com a possibilidade de cada um”, ressalva Luzia Borges.

E tudo isto para que alunos, pais e comunidade em geral possam poder fazer a diferença na vida de quem mais precisa: “ensinamos aos nossos alunos a serem solidários, ensinamos que aquilo que nós temos podemos dividir e contribuir para a felicidade dos outros”, conclui a professora.

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Sara Sousa OliveiraEditora executiva

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