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Casa dos Açores do Espírito Santo celebra 504 anos das Romarias Quaresmais

Iniciativa no Estado brasileiro de Espírito Santo inclui momento de oração, celebração religiosa e exposição fotográfica dedicada aos romeiros

Casa dos Açores do Espírito Santo, no Brasil, foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022 © DIREITOS RESERVADOS

A Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), no Brasil, promove, no próximo dia 10 de março, a quarta Romaria Quaresmal, integrada nas comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais, uma das mais marcantes tradições religiosas açorianas.

O encontro terá início às 18h30 com o Terço dos Homens e Mulheres, momento de oração que reúne fiéis e participantes num ambiente de recolhimento e partilha espiritual.

Pelas 19h15 locais, terá lugar uma celebração presidida pelo padre Beto, na Capela Nossa Senhora Mãe de Deus, reforçando o caráter religioso da iniciativa e evocando a tradição das romarias que marcam o período quaresmal nos Açores.

Além dos momentos de oração e celebração, o programa inclui também a mostra fotográfica “Rostos de Fé”, dedicada aos romeiros e à vivência desta tradição secular, que ao longo de mais de cinco séculos tem marcado a identidade religiosa e cultural açoriana.

A iniciativa integra as comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais (1522–2026) e pretende reunir a comunidade para assinalar e preservar uma das mais emblemáticas manifestações de fé dos Açores.

Neste sentido, a organização convida todos os interessados a participar neste momento de celebração e convívio.

Romarias de São Miguel arrancam a 21 de fevereiro sob o lema “Batizados na Esperança”

Este ano, 51 ranchos de romeiros percorrerão as estradas da ilha. Rui Melo, presidente da Comissão Administrativa, destaca a vitalidade do movimento e o foco nas problemáticas sociais que afetam as famílias açorianas

© CLIFE BOTELHO

As estradas de São Miguel preparam-se para receber, a partir do próximo dia 21 de fevereiro, os passos e as preces de cerca de 2.500 homens. Distribuídos por 51 ranchos, os romeiros iniciam a sua caminhada quaresmal sob o lema “Batizados na Esperança”, uma proposta que resultou do retiro espiritual realizado no Nordeste. Segundo Rui Melo, presidente da Comissão Administrativa que coordena a organização este ano, “a força do movimento continua em alta”, sublinhando que este momento formativo ofereceu as bases necessárias para que os mestres decidam a orientação espiritual dos seus grupos. Atualmente, decorrem as preparações próprias de cada rancho, tanto a nível espiritual como prático e físico.

Este ano, a mensagem do Bispo diocesano assume um tom marcadamente social, algo que o responsável considera de grande relevância para a atualidade. “Ao contrário de tempos passados, em que as intenções eram mais formais e centradas em categorias tradicionais, o prelado sublinha hoje problemas muito concretos que afetam as famílias açorianas”, afirma Rui Melo. Entre os temas que os romeiros levarão na oração estão a solidão, a doença, as dependências que atingem os jovens, a violência doméstica e o alcoolismo. “São realidades que nos tocam profundamente. Muitas vezes os problemas começam em casa, e a mensagem do senhor bispo fala exatamente para esse quotidiano que fere tantas famílias”, reforça o dirigente.

Para além da vertente doutrinal, assente na oração e na devoção mariana, a organização coloca uma tónica especial na “componente cívica”, considerada indispensável, uma vez que os romeiros pernoitam em casas de famílias e em salões paroquiais, inclusive na passagem pelo concelho da Lagoa. “Queremos continuar o que sempre foi bem feito. As recomendações de bom comportamento são um princípio fundamental”, explica Rui Melo, acrescentando que o acolhimento generoso da população, que prepara alojamento e alimentação, exige dos irmãos um saber estar marcado pela gratidão.

A preparação dos ranchos, que já decorre há várias semanas, foca-se também na partilha entre gerações e no apoio mútuo perante o esforço físico. Contudo, para a organização, o impacto da caminhada deve ir além da estrada. “A verdadeira romaria é a que fazemos no dia a dia, na família, na comunidade, nos ambientes onde nos movemos”, defende o presidente da Comissão, concluindo que o objetivo não é encontrar homens perfeitos, mas sim “pessoas atentas e disponíveis para tentar viver os valores do Evangelho”. No final do percurso, apesar do cansaço, a expectativa é que prevaleça o alento espiritual, com muitos romeiros a pensarem já no regresso no ano seguinte.

Romeiros de São Miguel unem fé e solidariedade em dádiva de sangue que superou expetativas

Romeiros de 14 ranchos aderiram à iniciativa do Grupo Coordenador do movimento dos Romeiros e muitos fizeram-no pela primeira vez

© IGREJA AÇORES

Mais de 80 pessoas, na sua maioria romeiros de 14 ranchos da ilha de São Miguel, responderam este domingo ao apelo lançado pelo Grupo Coordenador do movimento, numa iniciativa que transformou a freguesia da Relva num cenário de partilha e compromisso comunitário. A dádiva de sangue, organizada localmente pelo rancho da Relva, mobilizou não só os caminhantes da fé, mas também jovens e escuteiros, que elevaram o momento com um convívio marcado pelas tradicionais sopas do Espírito Santo.

A ação permitiu a recolha de cerca de 450 mililitros de sangue por dador, num processo que, apesar de simples e rápido, carrega um simbolismo profundo para quem se prepara para a caminhada. Paulo Lopes, mestre dos romeiros da Relva, não escondeu o entusiasmo perante a adesão: “Está a correr muito bem. Além dos romeiros, quisemos envolver as forças vivas da freguesia. Há muita gente a dar sangue pela primeira vez e muitos jovens”, destacou o responsável, admitindo que a participação “excedeu as expetativas”.

Entre os estreantes na dádiva esteve Basílio Silva, da Ribeirinha, que viu nesta iniciativa a oportunidade de concretizar o desejo de ser dador no mesmo ano em que se estreia nas romarias. Integrando um dos primeiros ranchos a sair, já a 21 de fevereiro, o romeiro encara esta jornada como “uma caminhada de fé”. Também Filipe Torres, da Relva, viveu a mesma dupla estreia, descrevendo o processo como “muito simples e acolhedor” apesar da natural “picadela inicial”.

© IGREJA AÇORES

Para Paulo Lopes, mestre há cerca de uma década e romeiro há vinte anos, esta ação demonstra que o espírito das romarias se traduz em gestos concretos de ajuda ao próximo. O seu rancho prepara-se para sair no próximo dia 21 de março com menos de três dezenas de elementos, mas com o coração cheio. “É um momento muito emotivo e vivido com grande fé. Não somos muitos, mas vamos todos com muita fé”, afirmou à fonte.

Esta iniciativa solidária não é um caso isolado, uma vez que o Grupo Coordenador do movimento organiza habitualmente dois momentos de partilha de sangue anuais, respondendo aos apelos do Serviço de Sangue e Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo. A tradição, que cruza a fé com a saúde pública, teve o seu início oficial a 8 de fevereiro de 2015 e continua, 11 anos depois, a reforçar os laços entre a tradição quaresmal e o apoio à comunidade açoriana.

Nordeste recebe pela primeira vez Retiro Anual dos Romeiros de São Miguel

O encontro, agendado para o próximo dia 25 de janeiro, marca o arranque espiritual para as Romarias Quaresmais de 2026. O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, presidirá à celebração

© OUVIDORIA NORDESTE

A Ouvidoria do Nordeste está a ultimar os preparativos para acolher, pela primeira vez, o Retiro Anual dos Romeiros da ilha de São Miguel, um acontecimento de grande significado para as comunidades locais que terá lugar no próximo dia 25 de janeiro. O encontro, que servirá de preparação espiritual para as tradicionais romarias quaresmais, foi detalhado numa reunião preparatória na antiga escola da Feteira Pequena, onde David Feijó, mestre do rancho dos Romeiros da Vila do Nordeste e Pedreira, destacou que, embora o retiro decorra na vila, “o acolhimento deve ser assumido por toda a Ouvidoria, envolvendo todos os seus ranchos”, evidenciando a forte comunhão e o entusiasmo das paróquias envolvidas nesta organização inédita.

O assistente espiritual dos Romeiros do Nordeste, padre Jorge Sousa, apelou a uma profunda abertura à ação do Espírito Santo e convidou cada irmão a refletir sobre o sentido do Batismo ao longo de todo o ano. Segundo o sacerdote, “o Romeiro é um batizado vocacionado para a Igreja e para o serviço”, defendendo que a experiência da Romaria deve obrigatoriamente despertar a consciência de uma vida de missão cristã em estreita ligação aos sacramentos, com particular destaque para a Eucaristia. Durante os trabalhos do retiro, será apresentado um subsídio espiritual inédito com oito reflexões centradas na “Esperança Cristã que brota do Batismo”, material que acompanhará os romeiros durante os oito dias de caminhada e que será posteriormente disponibilizado no site oficial do movimento.

O programa do dia 25 de janeiro terá início às 8h30 com a celebração da Eucaristia na Igreja Matriz de São Jorge, presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que acompanhará todo o desenrolar do evento. Após a cerimónia, os participantes seguirão em caminhada em formatura de rancho até ao Centro Cultural Municipal, num momento de oração conduzido pelo mestre David Feijó.

A manhã prosseguirá com diversos painéis de reflexão, contando com a participação do Ouvidor do Nordeste, padre Agostinho Lima, do presidente da Comissão Administrativa, Rui Carvalho e Melo, do autarca António Miguel Soares e da diretora do Serviço Diocesano da Comunicação, Carmo Rodeia, que abordará a amizade e a fraternidade como frutos do compromisso batismal na construção de uma sociedade mais fraterna.

O encontro, que encerra com uma análise sobre o passado e o presente das romarias pelo mestre Norberto Leite, serve de antecâmara para a saída dos primeiros ranchos para a estrada a 21 de fevereiro, cumprindo-se uma tradição que este ano termina na Quinta-feira Santa, a 2 de abril.

Cabouco recebe tradicional Corso de Carnaval

© DIREITOS RESERVADOS

A Junta de Freguesia do Cabouco, na Lagoa, promove o Corso de Carnaval que se vai realizar no próximo dia 2 de março. O evento vai ser abrilhantado com o grupo “Ritmos da Ribeira Grande” e um grupo de músicos da Banda Filarmónica Estrela d’ Alva da freguesia de Santa Cruz da Lagoa.

Cabouco oferece almoço ao Rancho de Romeiros

© DIREITOS RESERVADOS

Já no dia 15 de março é a vez da Junta de Freguesia presentear o Rancho de Romeiros do Cabouco com um almoço de confraternização e troca de lembranças no lugar dos Remédios, em Santa Cruz, aquando da sua chegada à freguesia após a sua romaria.

Rancho de romeiros dos Fenais da Ajuda é o primeiro a percorrer 40 quilómetros na ilha do Pico

Foram os primeiros a ter a iniciativa de levar as romarias de São Miguel à ilha Montanha, onde foram “muito bem” recebidos. Ao DL, o pároco responsável pela iniciativa faz um balanço positivo e conta como sentiram um “respeito enorme pelos romeiros”

© CORTESIA PEDRO SILVA

Foram os primeiros romeiros micaelenses a ter a iniciativa de fazer uma romaria na ilha onde se encontra o ponto mais alto de Portugal. O rancho composto por 21 romeiros dos Fenais da Ajuda partiram da ilha de São Miguel rumo à ilha do Pico no passado dia 29 de fevereiro para depois no dia 1 de março fazerem uma romaria, percorrendo 15 igrejas do Pico, ao longo de 40 quilómetros. 

À conversa com o Diário da Lagoa (DL), o mestre do rancho dos Fenais da Ajuda, António Moniz Catunto, 59 anos, conta que a ideia partiu do padre Francisco Rodrigues, pároco na freguesia dos Fenais da Ajuda, concelho da Ribeira Grande.

“O ano passado o nosso padre Francisco foi connosco na nossa caminhada e gostou. Quando terminamos a romaria ele disse que ia fazer uma surpresa ao rancho e que nos ia levar à ilha do Pico pois ele viveu sete anos lá e conhece muita gente no Pico. Então, sugerimos que fosse na quaresma”, diz o mestre.

Francisco Rodrigues, 36 anos, é natural da ilha do Faial mas é pároco nos Fenais da Ajuda e outras paróquias, há quatro anos.

© CORTESIA PEDRO SILVA

Ao DL, diz que levaram como tema de reflexão “Os Dons de Deus” e que “o balanço é muito positivo”, enquanto acrescenta sem hesitar: “tivemos muitos pedidos de Avé Maria, as pessoas aderiram muito à nossa passagem, as missas — tanto na partida como na chegada — estavam com muita gente sobretudo na chegada com muitas pessoas à nossa espera”.

Questionado sobre o impacto que a romaria teve nos picoenses, revela que “sentia-se um respeito enorme pelos romeiros, principalmente na oração da chegada ao Bom Jesus”. 

A romaria decorreu no primeiro dia de março, saindo da freguesia de Santa Cruz das Ribeiras até terminar em São Mateus, no Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso. 

“Foi um dia só, mas foi espetacular”, assegura António Catunto, enquanto fala de momentos que o marcaram.

“Uma senhora até mandou parar o rancho para nos dar uns biscoitos e bebidas”, conta. “Nas Lajes deram-nos, também, um saco de bananas, depois mais à frente no percurso deram-nos um saco de mandarinas e um bolo de massa sovada. Todos no rancho adoraram e os locais também “, diz o pároco com emoção na voz. 

“Até queriam que fizéssemos na ilha toda, mas não podia ser”, lamenta.

© CORTESIA PEDRO SILVA

Francisco Rodrigues explica que o primeiro dia foi mais turístico, só no seguinte houve a romaria e no último foi cultural. “A ideia foi abranger várias áreas como a tradição, a Fé e a cultura”, revela o padre. 

“O nosso objetivo foi ir fazer a romaria ao Pico com o nosso rancho e não com as pessoas locais. Houve quem pensasse que fôssemos com o intuito de fazer surgir romarias no Pico, mas não. O objetivo foi de ir em passeio e dentro desse passeio incluir um dia de romaria até ao Bom Jesus do Pico, o segundo maior santuário da diocese”, explica o pároco natural do Faial.

“Ao chegar ao Pico começamos por visitar a Casa dos Vulcões, depois tivemos um almoço na Escola Secundária das Lajes do Pico, onde houve uma apresentação sobre as romarias aos alunos do terceiro ciclo e secundário”, prossegue.

Depois, no dia 1 de março foi o dia da romaria, em que saíram de Santa Cruz das Ribeiras, sendo o padroeiro o Cristo crucificado, até ao santuário do Bom Jesus. 

O dia 2 de março foi dedicado à cultura. “Visitamos o Museu dos Vinhos e o Museu dos Baleeiros, sendo que à noite tivemos um convívio com o Folclore de São Caetano”, conta Francisco Rodrigues.

Quanto ao final da romaria, o padre dos Fenais da Ajuda, descreve que: “a oração que habitualmente fazemos ao Santo Cristo, fizemos na capela do Bom Jesus” enquanto conclui que “as pessoas receberam-nos muito bem.”

© CORTESIA PEDRO SILVA

Quando regressaram a São Miguel, a 3 de março, o rancho descansou alguns dias para logo no sábado, 9 de março, sair na romaria na maior ilha do arquipélago. Regressaram à sua freguesia no dia 16 de março. O mestre de romeiros garante que não se sentiram cansados e acrescenta: “saímos desta experiência duplamente satisfeitos, pois em São Miguel também correu tudo bem, não há palavras para descrever”.

Questionado sobre a sua experiência como romeiro, conta que faz romaria há 32 anos, “dos quais oito anos como mestre de romeiros”, enquanto diz que “devagarinho, com calma, a gente vai ao longe”.

© CORTESIA PEDRO SILVA

Sobre a preparação, assegura que “é muito importante numa romaria” e não esconde que “o mais essencial é a missa, todos os dias. Não gosto de um dia em que não vá à missa”.

Quanto ao futuro da romaria, garante que está assegurado na família. “Levei os meus filhos comigo também, um de 19 anos de idade e o outro com 23”, diz António Catunto. “Estou a prepará-los para dar continuidade à tradição, porque não sabemos quando chega a nossa hora de partir deste mundo”. 

Para além dos romeiros naturais de São Miguel, na romaria no Pico participaram também três romeiros picoenses, entre os quais o padre José António Neves e o padre Luís Dutra.