
O DL contactou Rui Pedro Paiva e Rui Soares numa tarde de segunda-feira. Ambos a trabalhar, fizeram uma pausa no seu dia agitado e reviveram connosco memórias de um início de carreira.
Rui Pedro Paiva, natural de Ponta Delgada, nasceu em 1996 e após esta breve apresentação pessoal afirma com convicção: “Desde que me lembro sempre quis seguir jornalismo”. Rui Paiva explica que a paixão pela área surgiu de forma natural. Crescer numa casa de assinantes de jornais, onde estar informado sempre foi crucial, teve grande influência na sua decisão, já que, em criança, folheava jornais mesmo antes de os saber ler. Como não podia deixar de ser, ingressou, mais tarde, em Comunicação Social e Cultura na Universidade dos Açores, seguindo para a Universidade do Porto, onde concluiu o mestrado em Ciências da Comunicação. O seu percurso académico termina em 2019, mas em 2018 já inicia um “estágio no Público”. A sua experiência profissional começa aí e passa por diversas colaborações com jornais, incluindo o Diário da Lagoa. Em 2024 foi diretor do Açoriano Oriental, “num breve período” e, hoje, é “jornalista da Agência Lusa nos Açores” e “correspondente no Público”.
Já Rui Soares não encontrou a sua carreira de sonho à primeira. O fotojornalista de 45 anos, natural de Santa Cruz, na Lagoa, relata que começou “por estudar Educação Física e Desporto”, mas rapidamente percebeu que “não era algo das nove às cinco” que o “fascinava”. “Não era isso que me fazia feliz”, acrescenta. Foi aos 27 anos que sentiu ter “renascido” quando conhece a sua paixão: a fotografia. “Um amigo meu emprestou-me uma câmara numa competição de Rally. Achei o primeiro disparo tão mágico que comprei uma máquina fotográfica no mesmo dia”, conta ao DL com satisfação na voz. Seis meses depois, Rui partiu para Lisboa e lá estudou fotografia. “Encontrei o que queria fazer e sabia muito bem que queria ser fotojornalista e que queria trabalhar para o Público”, conclui convicto. O seu primeiro trabalho de fotojornalismo foi no Festival da Canção de 2011 e, após iniciar um estágio no jornal Público, permanece lá como fotojornalista até hoje.
Atualmente, Rui Paiva e Rui Soares trabalham frequentemente juntos, com dedicação naquilo que fazem. O seu trabalho parece “combinar”, o que acontece, diz o fotojornalista, pela “familiaridade” e “amizade” que existe entre os dois, acompanhada de um uma “paixão” em comum: o jornalismo.
Em 2020 nasce “a primeira reportagem sobre o Rendimento Social de Inserção (RSI)” de Rui Pedro Paiva e Rui Soares. A ideia partiu de uma discussão interna “dentro do próprio jornal”, tal como a decisão de, quatro anos mais tarde, dar seguimento a esta peça.
“Pobreza: quatro anos depois, os relatos de quem vivia do RSI”, é o título da continuação dessa história, que teve grande “impacto nacional”. Em 2024, surge o desejo de perceber onde se encontravam as pessoas que tinham dado o seu testemunho como beneficiárias do RSI. Rui Paiva e Rui Soares regressaram a Rabo de Peixe, não mantiveram qualquer contacto com quem, quatro anos antes, haviam conversado, e o regresso à freguesia trouxe consigo uma busca sem pistas.
“Foi muito reconfortante saber que as pessoas se lembravam de nós”, refletem e realçam que, na maior parte das vezes, os visitantes perdem o respeito pelos cidadãos de Rabo de Peixe. “As pessoas olham para Rabo de Peixe como uma espécie de zoo, e para nós nunca foi isso”. Rui Paiva e Rui Soares recordam ainda a confiança que os rabo-peixenses demonstraram no seu trabalho. “Quando contamos a história de uma pessoa, a base é a confiança que elas têm em nós”, diz Rui Soares. Ambos acreditam que, no jornalismo, dar continuidade às histórias é “importante”. Não é algo que se faça com frequência, e a necessidade de relembrar os leitores de certos assuntos é um aspeto a ter em conta numa altura em que “parece que tudo fica desatualizado de um momento para o outro”, explica Rui Paiva. Foi um trabalho de continuidade, algo que raramente se vê na comunicação social”, acrescenta Rui Soares.
Foi em setembro que se conheceram os resultados da oitava edição do prémio “Analisar a Pobreza na Imprensa”, atribuído pela Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN). “Trata-se da maior rede de instituições que combatem a pobreza a nível europeu”, explica Rui Paiva. O jornalista conta que a decisão da atribuição dos prémios é tomada por 19 concelhos locais, um por cada distrito de Portugal Continental e da Madeira. “Os Açores, mais uma vez, ficaram excluídos, como ficam excluídos de uma série de coisas”, aponta, ressaltando que este é um aspeto “relevante” no que cabe à atribuição do prémio, por demonstrar que o arquipélago não teve qualquer influência na análise e escolha dos vencedores. “É um prémio honesto, que procura valorizar aquilo que se faz”.
Rui Paiva e Rui Soares demonstram uma “grande satisfação” por vencerem o primeiro lugar num prémio que não funciona por participação própria, mas sim que parte de uma escolha da EAPN, que reconheceu o esforço e impacto desta reportagem. Apesar disto, Rui Paiva destaca que, com os problemas que enfrenta o jornalismo atualmente, o que move quem trabalha nesta profissão é o interesse público: “não se anda aqui à procura de prémios”.
Rui Paiva apela a um “voltar a resgatar a essência do jornalismo” e realça que quem escolhe esta profissão “não anda à procura de salários avultados”, mas vive de um trabalho “que exige esforço”. Para o jornalista, a existência do jornalismo nos Açores deve ser vista como “crucial”, dada a realidade social da região, que requer uma atenção constante dos meios de comunicação. “Haver um reconhecimento nacional de um jornalista e de um fotojornalista açorianos, é a prova que há jornalismo feito nos Açores que é reconhecido a nível nacional”, conclui referindo-se ao prémio vencido.
Rui Soares fala em “responsabilidade” e admite senti-la, sobretudo para com quem, futuramente, deseja ingressar nesta área. Mas também a sente nas histórias que conta, através das imagens que captura.
Pedem ainda aos leitores que continuem a acreditar nos jornais e na veracidade das notícias que estes divulgam porque, “só assim se reforça o papel importante que o jornalismo tem na democracia”.

A exposição dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa (DL) que esteve patente no mês de outubro no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), na cidade da Lagoa, foi visitada por 425 pessoas, segundo dados recolhidos pelo OVGA.
A seleção de capas e páginas soltas do DL dos últimos 11 anos está agora na Escola Secundária de Lagoa desde o primeiro dia de novembro e podem ser visitadas pelos alunos e comunidade educativa escolar durante o horário de funcionamento da escola.
A exposição vai também rumar aos Estados Unidos da América através do cronista mais antigo com presença regular no DL, Roberto Medeiros, que irá expor a seleção de primeiras páginas dos jornais dos últimos 11 anos no Portugalia MarketPlace, em Fall River, e também na Biblioteca da Casa da Saudade, em New Bedford, Massachussets.
Nessa mesma mostra serão ainda integradas igualmente todas as crónicas que Roberto Medeiros escreveu até à data, perfazendo um total de 83 páginas.

A sessão foi registada em áudio, clique em play para ouvir.

José Vieira
Jornalista e presidente da Mesa da Assembleia Geral da APMEDIO
Tenho falado nos últimos meses das entidades que nos tutelam, do pouco que nos têm ajudado e das necessidades deste setor no seu todo. Também tenho falado, insistentemente, nas medidas que estão em cima da mesa, como o regulamento da imprensa regional, ou mesmo os apoios previstos, que passam a ter uma componente mais camarária, “obrigando” as câmaras a contribuírem para o orçamento da imprensa regional. Embora não concorde com o acordo alcançado na anterior legislatura, e que penso que se irá manter nesta, é sempre um começo. Mas a este ponto, voltarei, com mais pormenores, e escamotearei, com alguma profundidade, o que realmente nos querem dar e como pode ser um presente envenenado. Mais à frente deste artigo abrirei o apetite para um posterior artigo mais aprofundado.
Neste artigo, e o que interessa, é falar das câmaras e enquadrar o seu papel e a sua relação com a comunicação. Lá nos anos longínquos da década de 90, do século passado, as câmaras eram apenas câmaras. Tinham as suas funções bem definidas, e deixavam à imprensa local a devida tarefa da divulgação e comunicação. Era através da imprensa local que os cidadãos sabiam as novidades, fruto de vínculos muito profundos, entre os jornais e as pessoas. Nascíamos e crescíamos com o jornal ou a rádio local, bem enraizado na nossa forma de viver. Era a nós que as entidades oficiais recorriam para oficializar publicamente as suas decisões, mostrar as suas obras e comunicar com o seu eleitorado, havendo uma equidade na forma de divulgação, para dar espaço ao poder, à oposição e aos cidadãos. Havia desvios? Compadrio? Títulos encostados ao poder ou à oposição? Sim, havia, mas creio que a maioria fazia um trabalho digno de registo.
No final da década de 90 e na viragem do século, as novas tecnologias começaram a evoluir e novas formas de comunicação foram aparecendo. Os portais das câmaras começaram a ser mais user-friendly, e alguém se lembrou que poderiam incluir nos portais uma área de notícias. Não sei quem foi, mas tenho vontade de bater nesse desgraçado. Foi o começo do descarrilamento da imprensa regional. Em poucos anos, as 308 câmaras em Portugal começaram a adaptar os seus portais para terem uma área noticiosa. Não se compreende como é que a entidade para a regulação (ERC) não travou isto. De repente, tínhamos mais 308 jornais (um por cada concelho) a fazer concorrência à imprensa regional. A estes 308 novos jornais encapotados e parciais (pois são autênticas ferramentas de propaganda do poder instalado), juntaram-se mais umas centenas de Juntas de Freguesia, as maiores, diga-se, que também queriam desta forma ter portais de comunicação. E a ERC continua calada e deixa a coisa andar. Depois, como que não satisfeitos, muitas das câmaras e juntas começam a imprimir boletins de comunicação, a que dão nomes variados (boletim, agenda, sumário da atividade, etc.). Na verdade, são publicações que distribuem gratuitamente, com a propaganda do poder instalado. E a ERC continua calada como sempre. Nada faz para defender a imprensa regional. Como a ERC nada fez para travar esta monstruosidade, as câmaras foram mais longe. E mais longe. E mais longe.
Agora, já têm TVs Regionais e autênticos gabinetes de comunicação (vulgo redação), onde investem anualmente centenas de milhares de euros. Mas ainda têm mais. Muitas câmaras têm também jornais em formato tabloide, que distribuem pelos seus munícipes, contendo também muitos deles spots publicitários de “empresas amigas do sistema”. Em suma, desvirtuou-se todo o papel da imprensa regional, não se vedando a possibilidade de serem “jornalistas” de propaganda, encapotados. Se estão dentro da lei? NÃO. Não creio que uma câmara municipal possa contratar jornalistas e deter órgãos de comunicação social, a fazerem concorrência direta à imprensa local. O que está mal? A falta de coragem do regulador em enfrentar esta situação. Não há, nem pode haver na lei, nenhuma exceção, para que uma entidade pública se substitua à imprensa devidamente registada e auditada pelo regulador. Isso é impensável. É um autêntico atentado à liberdade de expressão, porque estes órgãos encapotados na prática são meros instrumentos propagandistas.
Então e porque não se atua? Porque não se denuncia? Porque não se instaura um processo coletivo contra as câmaras? Porque não se pressiona a ERC e o governo? Porque o jornalismo e os jornalistas regionais têm andado a dormir, foram amaciados com 30 dinheiros, para fecharem os olhos a esta situação. Há que tomar posições. Há que restaurar o equilíbrio. As duas associações do setor já se deveriam ter mexido há muito, para combater esta monstruosidade. Mas pensam que querem saber disto? Claro que não. E sabemos bem a razão. Com esta estratégia local por parte das câmaras e juntas, inicia-se, no início do século um esvaziamento da imprensa regional. Acelera-se a sua morte, pois não se compensa o jornalismo e os jornalistas regionais com medidas protetoras, para não falar em medidas compensadoras. É exatamente a mesma situação em que eu, sem formação em medicina, quisesse abrir um consultório médico para atender doentes, ou sem formação na área educacional, quisesse dar aulas, e podia continuar aqui mais duas ou três páginas a dar exemplos. Para ajudar ainda mais ao enterro da imprensa, neste momento, uma das propostas em cima da mesa do ministro Leitão Amaro, aprovado na anterior legislatura, com a conivência da ANIR e da API (duas das maiores associações de imprensa em Portugal), é a de criar uma espécie de subsídio para a imprensa regional (apenas alguma, note-se), em que as câmaras, e mediante determinados critérios, subsidiem diretamente alguns órgãos de comunicação regionais, escolhendo-se apenas os que interessam. Aliás, essa listagem essa “cozinhada” por estas duas associações e o governo, em que ficam de fora por exemplo, a imprensa digital, que representa já 63% do setor regional. Ou seja, a mama continua para os mesmos (os regionais que estão juntinhos ao poder), e todos os outros, que são 80% do setor, vão morrer à beira da praia. Mais uma vez as câmaras vão ter um papel fundamental na destruição da imprensa regional.
E quem se está a mexer para tentar inverter esta situação? Praticamente ninguém. Continuamos a dançar o tango, em que nos deixamos conduzir por outros. Somos a parte passiva da dança e vamos dançar em direção ao matadouro. Então, o devemos fazer para lutar? Fazer o que fazemos melhor. Escrever, escrever e escrever ainda mais. Façamos da caneta a nossa espada aguçada. Divulguemos o que está mal, apoiemos causas que visem restaurar a nossa honra, escrevamos sem receios de retaliação. Só assim, as coisas começarão a mudar. Só assim iniciaremos alguma coisa que possa ter consistência e permita que se crie uma consciência coletiva forte o suficiente para mudar mentalidades, e forçar o governo e o regulador a criarem condições dignas de apoio ao jornalismo regional.
Colegas de profissão, proprietários de jornais e comuns leitores, todos juntos devemos encarar este desafio como uma missão de restaurar o equilíbrio há muito perdido, altura em que tínhamos uma imprensa livre, em que tínhamos informação de qualidade e isenta de pressões. Hoje, infelizmente, temos artigos “martelados”, artigos “encomendados” e artigos que nos lavam a mente e nos direcionam para os objetivos eleitorais ou mercantilistas, de quem mexe os cordelinhos por detrás da cortina.
Esta promiscuidade entre o poder e a imprensa regional corrupta tem de ser tornada publica, tem de sair para a rua e erradicada de uma vez por todas, em nome de milhares de profissionais que honram a sua profissão e que sofrem pelas condições de trabalho que têm, para benefício de meia dúzia de corruptos que se impregnaram no sistema.
Ando aqui há quase 30 anos a fazer artigos jornalísticos, já corri meio mundo e nunca dependi de nenhuma câmara para pagar as minhas contas. Não vai ser agora que vou mudar, isso vos garanto. E garanto-vos mais uma coisa. Pode a vaca tossir, ou o porco andar de bicicleta, mas este profissional da imprensa regional vai mover montanhas e só vai descansar quando estivermos no rumo de onde nunca devíamos ter saído há trinta anos. Quem quiser que diga presente. Quem quiser que dê um passo à frente. Garanto-vos que não vão ser bonitos os confrontos, mas no fim haveremos de prevalecer, em nome da verdade, da justiça e do nosso setor amplamente debilitado.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
O Diário da Lagoa celebra onze anos e inicia um novo capítulo da sua história. Primeiro surgiu como órgão de comunicação social no seu sítio na internet, depois, em outubro do mesmo ano, ganhou dimensão com o lançamento da edição impressa. E passaram-se onze anos de páginas com todos aqueles que passaram por esta casa. Por conseguinte, nesta nova fase decidimos finalizar as experiências desenvolvidas ao longo dos últimos anos em que se implementaram novas perspetivas, diferentes estratégias na procura de alcançar a sustentabilidade. Acima de tudo serviu para ganharmos consciência do que pretendemos para o futuro. Para registo, ficam as edições que se publicaram nesse período, que, para quem estuda jornalismo, podem ser objeto de análise entre o antes, o durante e o depois. Porém, a partir daqui, assumimos o desafio na certeza do que realmente vale a pena.
E se a editora que criei há cinco anos é, desde então, detentora do Diário da Lagoa, confesso que, por outro lado, num jornal com mais de uma década de vida, há decisões difíceis que são feitas de coragem, espírito de sacrifício e focadas num dos mais elementares valores: a liberdade de decidir o nosso percurso. O objetivo será sempre levar aos leitores, através de projetos únicos, as notícias que contam. Entendo, portanto, que é tempo de abraçar a convicção de que nos devemos apoiar numa equipa editorial mais experiente no que ao jornalismo diz respeito. Conto por isso, nas próximas edições, com colaboradores que, além de gostarem do que fazem, são sobretudo amigos na essência da palavra, pois qualquer publicação só se constroi com pessoas que se valorizam mutuamente, respeitam a essência do que se cria, cientes do compromisso para com o estatuto editorial.
O trabalho faz-se aqui, a partir da Lagoa, nos Açores, para o mundo enquanto faz sentido, porque no dia que perder força, terá cumprido o seu propósito e será o momento de aceitar que “nada se perde, tudo se transforma”. Porventura, acredito que haverá espaço para nos reinventarmos perante as adversidades que devemos encarar como oportunidades para evoluirmos. E, nesta jornada além da primeira década, avistam-se novos obstáculos — especialmente quando o jornalismo incomoda ou marca a diferença —, porém tudo aquilo que tentar derrubar a nossa paz e consciência, verá, a seu tempo, a força do impacto da verdade e dos factos. Assim, de cabeça erguida, a luta é diária e intensa, mas o que nos alimenta a alma, naquilo que somos, é infinito. Contudo, ainda no presente, estamos de regresso à redação virtual, pois optamos por trabalhar novamente a partir de casa, unidos pelas novas tecnologias que nos permitem continuar a desenvolver o sonho que se torna realidade a cada dia. Do mesmo modo, no que considero um privilégio, continuamos a contar igualmente com a centenária tipografia A Crença, sede do jornal com o mesmo nome, onde paginamos todo o conteúdo que é publicado em papel. Trata-se do espaço onde a Lagoa e a Vila Franca do Campo conjugam esforços em prol de um bem maior. É, assim, que unidos pela convicção de que é possível defender a liberdade e a democracia, que damos voz a valores que nos inspiram, apesar da insularidade que nos separa do mundo, para juntos superarmos os desafios com dedicação, persistência e resiliência, na certeza de que estamos a trilhar um caminho feito de esperança.
Resta-me, por fim, agradecer a todos os que nos acompanham, colaboram, apoiam e leem: obrigado por continuarem a acreditar em nós. E, por ser um momento de transição, desejo a todos os nossos leitores, um bom ano e boas leituras.

O jornal «A Crença», com sede na tipografia com o mesmo nome, em Vila Franca do Campo, foi fundado em 19 de dezembro de 1915 pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e João Melo de Bulhões. Trata-se do único jornal sobrevivente em mais de 100 anos de história no concelho vizinho da Lagoa, sendo um dos dois jornais católicos da diocese de Angra, a par do jornal «O Dever» da ilha do Pico.
Depois de suspender a publicação a 4 de agosto de 2023, com o objetivo de implementar uma reestruturação e planear um novo caminho rumo à sustentabilidade, o periódico centenário, propriedade da Fábrica da Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo, voltou a ser publicado a 19 de novembro desse mesmo ano, após firmar uma parceria com a editora Narrativa Frequente, proprietária do jornal Diário da Lagoa.
Na nova fase, o padre José Borges, em funções em Vila Franca do Campo há 24 anos, sucede ao padre José Paulo Machado, na direção do jornal. Desde então que A Crença é publicada mensalmente, trazendo aos seus assinantes e leitores conteúdo próprio com nova linha editorial que não esquece os assuntos do quotidiano, a par das notícias e reportagens com enfoque religioso, que marcam a atualidade.
Estivemos à conversa com o seu diretor, José Borges, alguns assinantes e com um dos colaboradores mais antigos para saber o que pensam sobre as mudanças que aconteceram ao longo do último ano.
José Franco, 61 anos, natural de Ponta Garça, começa por dizer que “quando se muda para melhor é sempre bom” e revela que é assinante desde os 16 anos de idade porque gosta do jornal. Relativamente à alteração da periodicidade, de semanário para mensário, diz que acha positivo e que concorda “que se tenha de modernizar”.
“Quando o jornal chega começo logo a folheá-lo, mesmo à porta de casa. Depois, o conteúdo que me interessa mais eu fico a ler”, conta, enquanto diz que o jornal “está num bom caminho”, conta.
Já Carlos Braga, 59 anos, da freguesia de São Pedro, diz que “tem tido artigos mais apelativos” e “uma dinâmica diferente” que aprecia.
“Neste último ano, com a direção do Padre José Borges, penso que o jornal está bom, pois gosto de ler um pouco de tudo, como as entrevistas que são feitas a alguns vilafranquenses e não só”, sublinha.
Zurita Medeiros, 46 anos, da freguesia de São Miguel, deixa a nota de que “é importante inovar, levar ao público mais informação atualizada”.
Um dos colaboradores mais antigos, que acompanhou várias direções do jornal vilafranquense foi José Teixeira Dias, de 87 anos, residente em São Pedro.
“O jornal está a ter um dinamismo muito curioso, mas gostava que A Crença fosse pelo menos quinzenal”, enquanto assegura que “o grupo está a trabalhar bastante bem e com um dinamismo muito interessante, por isso veremos se realmente se consegue o êxito que merece”, aponta. No entanto, lamenta: “atualmente, de Vila Franca temos poucos colaboradores. Já os que residem em Vila Franca são vários, mas que sejam mesmo da Vila, não temos, e eu sou um deles. Há muita mais gente que poderia colaborar”, defende.
O diretor, o Padre José Borges começa por dizer que “nós estamos a cuidar de um filho que tem um ano e que renasceu, não das cinzas, mas da boa vontade de alguns voluntários e da capacidade de pessoas como a Dra. Carmo Rodeia, da parte da diocese de angra, ou o Clife Botelho, do Diário da Lagoa, e todos os seus colaboradores, que foi possível fazer renascer este jornal. Tem esta dualidade de, por um lado, ser uma anciã, velhinha com mais de 100 anos, que requer todo o cuidado e todo o carinho e toda a atenção. Então, nós podemos dizer que estamos de parabéns, porque A Crença faz 109 anos no próximo mês de dezembro. E este empenho, este trabalho, esta qualidade deve-se ao esforço de muitos colaboradores vilafranquenses e não só, que dão um pouco do seu melhor para fazer acontecer o jornal”.
Para o diretor do Diário da Lagoa, Clife Botelho, “é preciso não esquecer que nos últimos cinco anos a editora contribuiu “para que se evitasse o desaparecimento não de um, mas de dois jornais”, salienta, acrescentando: “espero que continuem a perdurar, porque o contributo que ambos os jornais dão à sociedade vai além da sua existência. E se a Lagoa é o local que escolhi para viver, a minha casa, já a Vila Franca é aquela família que visito com frequência e que também está sempre presente”, conclui o diretor do jornal lagoense.

O Diário da Lagoa (DL) está nomeado na categoria Comunicação Social da XXIII Gala do Desporto Açoriano, evento promovido pela Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, através da Direção Regional do Desporto.
Integram esta categoria os órgãos de comunicação social sediados na Região Autónoma dos Açores que se tenham distinguido na cobertura e promoção do desporto regional em 2023.
A lagoense Mariana Lucas Furtado, ex-colaboradora do DL, está nomeada para a subcategoria de “Jornalista”, que destaca o indivíduo que se tenha distinguido ao longo de 2023, ao serviço da comunicação social desportiva.
Estão também em votação as categorias “Desportista do Ano” (masculino e feminino), e “Prestígio Desportivo Anual”.
Este ano a Gala do Desporto Açoriano conta com a presença do atleta do Clube Náutico de Lagoa, Gonçalo Rodrigues, nomeado para Desportista do Ano e o lagoense Bruno França, nomeado para Prestígio Desportivo Anual.
A decisão dos vencedores é feita por votação online, aberta ao público. Votação decorre até 3 de julho.