
Maria João Pereira
Farmacêutica
É bem sabido que, quando estamos doentes, o que mais queremos é recuperar rapidamente. Por vezes, a palavra “antibiótico” soa a um verdadeiro remédio milagroso – mas nem sempre é assim.
Os antibióticos são medicamentos utilizados para tratar infeções causadas por bactérias. Isto significa que infeções provocadas por vírus, como a gripe, a constipação e a COVID-19, não são tratáveis com antibióticos. Existem várias classes de antibióticos que diferente entre si, de uma forma simples, pelo seu mecanismo de ação, ou seja, pela forma como atuam nas bactérias – impedindo o seu crescimento e replicação (antibiótico bacteriostático) ou levando à sua morte (antibiótico bactericida).
Atualmente, o mundo enfrenta uma ameaça crescente à saúde pública: a resistência aos antibióticos. Esta resistência ocorre quando as bactérias continuam a replicar-se e sofrem mutações (alterações) mesmo na presença de um antibiótico. Quando isso acontece, o antibiótico deixa de ter o efeito desejado e a infeção até se pode tornar mais violenta. Entramos, assim, num ciclo preocupante: antibiótico –> bactéria resistente –> infeção difícil ou impossível de tratar.
Os antibióticos não são apenas usados para tratar infeções em humanos. São também utilizados no tratamento de infeções bacterianas em medicina veterinária, como promotores de crescimento em animais que fazem parte da cadeia alimentar e como pesticidas no controlo de infeções na agricultura. Ou seja, estão muito mais presentes no nosso dia-a-dia do que imaginamos, o que torna essencial uma utilização cautelosa e responsável.
Mas por que razão se trata de um problema de saúde pública? Quanto maior o número de bactérias resistentes, maior será a necessidade antibióticos diferentes e mais potentes. No entanto, a velocidade com que as bactérias desenvolvem resistências é muito superior à velocidade de descoberta de novos antibióticos. Em suma, a crescente resistência pode levar a um futuro – talvez mais próximo do que pensamos – em que não existam tratamentos eficazes para infeções comuns.
É importante compreender que nem sempre a ausência de prescrição de um antibiótico significa falta de tratamento. Muitas vezes, significa exatamente o contrário: uma decisão consciente e responsável, baseada na melhor evidência científica, para proteger a saúde do doente no presente e evitar resistências no futuro.
Sendo um problema de saúde pública, todos nós podemos contribuir para a sua prevenção:
Os antibióticos são um recurso precioso capazes de salvar vidas, mas só continuarão a fazê-lo se forem usados de forma responsável. Cada vez que os utilizamos de forma consciente estamos não só a proteger a nossa saúde, mas também a de todos à nossa volta. O combate à resistência de antibióticos começa em pequenos gestos diários – gestos de cuidado, consciência e responsabilidade hoje, para garantir tratamentos eficazes no futuro.
Comentários
Muito boa e oportuna a matéria, temos muitas plantas medicinais que tem a função antibiótica, isso para depois desse primeiro momento que precisa de resultado rápido, fortalecer o sistema imunológico ajuda em muito. Na verdade temos que nos cuidar antes da doença chegar, as terapias complementares ajudam em muito, fazer de nosso alimento o nosso remédio é outro ponto importante