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Democracia e Política

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Democracia e política são duas noções que sempre caminharam juntas e por vezes até se confundem. Na verdade só em democracia a política pode verdadeiramente exprimir-se.

Infelizmente hoje em dia a palavra «política» reveste-se de uma carga essencialmente negativa, levando muita gente a confundir «política» com «políticos» e estes com um sector da sociedade supostamente caracterizado por personificar interesses egoístas, demagogia barata ou puro oportunismo. Esta ideia é particularmente perigosa porque corrói os pilares da democracia e, a pouco e pouco, vão pondo em causa os seus valores mais nobres. A conclusão lógica de um tal raciocínio é que, se a política é o que fazem os políticos, se os políticos apenas defendem os seus interesses pessoais, se estes se tornaram parasitas da sociedade, então, se assim é, será necessário controlá-los e, se possível, acabar com eles.

Contudo, interessa salvaguardar a ideia de que nem todos são iguais, e que existe quem usa a política para atingir fins pessoais, mudando mesmo de ideias durante a sua vida, mas também existe quem coloca os seus serviços e demais valias ao serviço das populações. Porque se alguns são corruptos, falsos, mentirosos, arrogantes, incompetentes, incoerentes e irresponsáveis, há outros que colocam em primeiro lugar a “causa pública”, dando mostras do seu trabalho noutros ramos da nossa sociedade, mesmo sem estar directamente ligados com a política partidária.

Não simpatizo nem de longe nem de perto com Cavaco Silva, antigo primeiro-ministro e agora Presidente da República, mas há bem pouco tempo, disse qualquer coisa como: “os políticos competentes devem marginalizar/expulsar os políticos incompetentes”, porque se assim não for, no meu entender, esta ideia de que a classe política é toda má, torna-se extremamente nociva para a democracia, que com muito sacrifício o povo português conseguiu implantar.

Caro leitor, penso que esta “falta de qualidade na classe política”, bem retratada na forma de fazer campanha de alguns, começa a germinar na população em geral um desinteresse pela “questão pública”, isto é, pela política no seu sentido mais nobre.

Em suma, a política não pode nem deve confundir-se com os maus exemplos de pseudo-políticos que por aí vemos em todo o país e em toda a Região.

Por Rómulo Ávila

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