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Moradores das Socas exigem intervenção perante cenário de degradação e insegurança

Através de uma nota enviada à redação do Diário da Lagoa, moradores denunciam o abandono da zona, apontando falhas graves na salubridade, iluminação pública e fiscalização municipal

Zona das Socas situa-se na freguesia de Nossa Senhora do Rosário e faz fronteira com concelho de Ponta Delgada
© DIREITOS RESERVADOS

Os moradores da zona Socas, no concelho da Lagoa, decidiram quebrar o silêncio e tornar pública uma situação de degradação que, segundo os residentes, se tem agravado perante a ausência de respostas eficazes por parte do executivo municipal. Numa nota enviada ao Diário da Lagoa, os moradores denunciam um cenário marcado pela deposição ilegal de entulhos e resíduos domésticos, o abandono de cadáveres de animais em decomposição e a proliferação de silvas em terrenos que não recebem manutenção. Este quadro de insalubridade tem levado a um aumento preocupante da presença de ratos e outros vetores, colocando em causa a saúde pública de quem ali reside. Além das questões ambientais, a segurança é outro dos pilares da contestação, com a vizinhança a apontar a falta de iluminação pública em zonas habitacionais e de circulação como um fator crítico que urge resolver.

Os signatários do documento sublinham que, embora a recente validação do Plano Diretor Municipal (PDM) em 2025 tenha classificado grande parte da zona como área ecológica, essa proteção ambiental não deve ser utilizada como justificativa para o desinvestimento nas condições básicas de vida. No texto enviado, os residentes defendem que “a proteção ecológica deve caminhar lado a lado com a proteção das pessoas”, reforçando que o que pedem não é excecional, mas sim as “condições mínimas de dignidade e segurança que qualquer cidadão tem direito a esperar do seu município”. Os moradores manifestam ainda um sentimento de frustração perante o que descrevem como uma falta de resposta às sucessivas comunicações feitas anteriormente ao executivo, exigindo agora a implementação de um plano de intervenção urgente que inclua limpeza, desratização e o reforço da fiscalização ambiental para dissuadir comportamentos incivilizados.

Moradores apontam o aumento preocupante da presença de ratos na zona © DIREITOS RESERVADOS

Caso levado à Reunião de Câmara

A gravidade da situação já tinha sido exposta diretamente aos órgãos autárquicos antes da formalização do abaixo-assinado. De acordo com a ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Lagoa realizada a 26 de fevereiro de 2026, uma munícipe, moradora nas Socas, interveio no período aberto ao público para alertar sobre a insegurança na zona. Na ocasião, a moradora lamentou que as preocupações da vizinhança — que incluíam situações associadas ao consumo e tráfico de droga — não tivessem tido o devido seguimento no Conselho Municipal de Segurança. A moradora sublinhou que, por se tratar de uma área mais afastada do centro da cidade, a zona das Socas tem carecido de atenção nos últimos anos, revelando que os próprios moradores têm o hábito de contactar a PSP para registar a localidade como “zona problemática”.

Em resposta, o presidente da Câmara, Frederico Furtado Sousa, reconheceu a “característica particular” das Socas por ser uma zona de fronteira entre os concelhos da Lagoa e Ponta Delgada. O autarca assumiu na altura o compromisso de que a situação seria abordada na reunião do Conselho Municipal de Segurança agendada para março, com o objetivo de dar conhecimento das conclusões aos residentes.

O grupo de moradores solicita também que a Câmara Municipal proceda à notificação dos proprietários de terrenos privados ao abandono e que estabeleça um canal de diálogo estruturado com a comunidade para garantir o acompanhamento contínuo destas problemáticas. Apesar do tom crítico e da exigência de que o município cumpra o seu papel na defesa do interesse público, os moradores das Socas reafirmam a sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades locais na procura de soluções e garantem que o abaixo-assinado, que reúne as assinaturas das famílias afetadas, será entregue nos Paços do Concelho nos próximos dias.

The Diário da Lagoa já contactou a Câmara Municipal, enviando um conjunto de questões sobre as medidas previstas para esta zona, e aguarda uma resposta por parte da autarquia.