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José Manuel Bolieiro recebe vice-presidente da Comissão Europeia para discutir futuro das verbas regionais

O encontro no Palácio de Santana entre o líder do Governo dos Açores e Raffaele Fitto marca um passo estratégico na defesa das Regiões Ultraperiféricas perante o novo quadro financeiro da União Europeia

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta manhã, no Palácio de Santana, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto. A audiência de apresentação de cumprimentos, inserida numa deslocação oficial a Portugal que contempla Lisboa e o arquipélago, foca-se no diálogo sobre o futuro da política de coesão e na estratégia europeia para as Regiões Ultraperiféricas (RUP). Segundo nota enviada à redação pela Presidência do Governo Regional, este encontro assume uma importância crítica por ocorrer num momento determinante para a definição do próximo Quadro Financeiro Plurianual, que ditará os apoios europeus aos Açores nos próximos anos.

A visita é o culminar de um esforço diplomático iniciado no final de 2025, em Bruxelas, durante o High-Level Outermost Regions Forum, onde Bolieiro convidou formalmente o comissário europeu a visitar a Região. Para o líder do executivo açoriano, a presença de Fitto é um sinal de proximidade institucional. “Recebemos esta visita com grande apreço, pela atenção e compromisso que revela para com os Açores”, afirmou o presidente do Governo, que classificou o responsável europeu como “um verdadeiro aliado das Regiões Ultraperiféricas” e conhecedor profundo das especificidades e dos desafios que estes territórios enfrentam na atual fase de transição europeia.

Após a audiência inicial, a agenda prosseguiu com uma reunião de trabalho alargada a vários membros do Governo dos Açores, dedicada à apresentação da visão regional sobre as políticas e instrumentos financeiros da União Europeia. O programa da tarde reserva uma componente prática de visita ao terreno, com passagens pelo conjunto habitacional Trás-os-Mosteiros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e pelo Ecoparque da Ilha de São Miguel (MUSAMI), projeto cofinanciado pelo FEDER.

José Manuel Bolieiro sublinhou que este contacto direto com as obras permite evidenciar “o impacto concreto das políticas europeias na vida dos açorianos”, reforçando a necessidade de uma política de coesão forte e ajustada à realidade insular. O governante expressou ainda o seu reconhecimento pela disponibilidade de Raffaele Fitto em regressar futuramente para uma visita mais alargada a outras ilhas do arquipélago.

Escrever direito por linhas tortas

João Vieira Paim

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Nada parece mais torto que o que vai na cabeça de Trump — ou é o que dizem —, mas nada é mais direito que afundar barcos cheios de cocaína e de assassinos traficantes de droga; nada é mais direito que agarrar num ditador sanguinário e afastá-lo das suas vítimas para sempre; nada é mais direito que os prisioneiros (centenas ou milhares deles) do tal ditador da pseudo-esquerda nazi — alguns deles portugueses, abandonados há anos — serem libertados por medo da assim chamada sucessora do ditador sanguinário.

O resto se verá, e poderá não ser tão positivo como até agora, ou poderá ser só money, oil, etc. Mas as narrativas sobre as razões reais da intervenção na Venezuela talvez devessem ser analisadas pelo comentador a quem chamavam “What if?”, em português: “E se?”.

E se a intervenção tivesse sido sugerida, com força de ter de ser, pelo Pentágono e pela CIA, depois de muita recolha de informação que provava a existência na Venezuela de três ameaças reais a menos de 1.200 km da Flórida, nos EUA?

E se os chineses estivessem a recolher milhares de toneladas por mês de coltan, terras raras e outros minerais fundamentais para a guerra e dominância tecnológica, enviados em bruto para refinação na Colômbia e reenviados para a China com rótulos ligeiramente alterados para fugir às sanções?

E se os russos estivessem implantados de pedra e cal na Venezuela, depois de terem fornecido todo o tipo de armas ofensivas e defensivas e mantendo centenas de instrutores comandados pelo general Oleg Makarevich — assassino que, na Ucrânia, mandou bombardear a barragem cuja destruição inundou cidades e matou muita gente?

E se os iranianos tivessem, por exemplo na Venezuela, uma fábrica de drones capazes de atingir a Flórida?

E se, além de dar um “chuto” nos três principais inimigos dos EUA, ainda pudesse vir bastante petróleo? Esta foi a que convenceu D. Trump, sempre pronto para umas negociatas. Como as outras eram complicadas para ele explicar, focou-se só no oil e nos direitos humanos.

E escrevendo Deus novamente direito por linhas tortas, Trump atacou o Irão — aliás, não, atacou foi o fanatismo religioso que vem fazendo da vida do Irão e dos iranianos um inferno sobre a Terra. Esperemos que não parem até que o último daqueles velhos assassinos em nome de tudo, menos de Deus, esteja enterrado numa vala comum.

A hipocrisia deste mundo sujo logo se expandiu em reclamações de que tal é contra a Lei Internacional. A lei imunda que permitiu o massacre de 30.000 manifestantes desarmados sem a “lei” para os proteger… E a inútil ONU ainda se atreve a “condenar”, como se fosse alguma coisa decente com capacidade para condenar o que quer que seja, e não cúmplice dos mais abjetos regimes terroristas deste mundo ao sentar-se ao lado deles e dar-lhes um reconhecimento e uma participação que estes regimes não devem ter. Não admira que Putin queira moldar uma igual, mas ainda mais à sua imagem.

Que os iranianos se possam livrar de quem os chacinou. Da mesma maneira que o único nazi bom é um nazi morto, estes nazis religiosos devem desaparecer sem deixar rasto. E que o dinheiro do petróleo possa, finalmente, financiar uma vida melhor para os iranianos, em vez do terrorismo internacional e das vidas de luxo daqueles assassinos religiosos.

Quanto à participação de Portugal ou, melhor, dos Açores, esta vem de longe… Salazar foi o primeiro que “expropriou” os terrenos da Base aos terceirenses e colocou a Força Aérea a pagar rendas que eles próprios escolhiam, sem o acordo dos proprietários. E continuaram depois do 25 de Abril (tanta coisa má que devia ter acabado no 25 de Abril, mas que continuou), apenas fazendo umas propostas de compra por valores miseráveis, dando a entender que quem não aceitasse ficava com as rendas ilegais do “Botas”, que até já tinha partido.

Nós pusemos uma ação de despejo da Aerogare construída ilegalmente ao Estado Português, ao Governo Regional e à Força Aérea; finalmente perderam e foram forçados a pagar o triplo do que estavam oferecendo antes. Mas, durante dezenas de anos, serviram para tudo: aeroporto militar e civil (pouco, ao princípio). Vimos todas as intervenções, desde o bloqueio de Berlim à Guerra dos Seis Dias, em que os caças eram munidos e pintados com as cores de Israel na pista, à vista de todos.

Há meses que a atividade era anormal: desde os reabastecedores a treinarem missões aos F-35 a passarem em linha a 700 km/h em frente à Aerogare Civil. Só quem fosse muito crédulo acreditaria que nada de novo se passava.

Esperemos que os iranianos consigam livrar-se desta gentalha e da sua falsa religião medieval, e que saibam, finalmente, que podem, de quatro em quatro anos ou coisa parecida, mandar para o lixo quem não lhes agradar a governar. Mas o que eles dizem e fazem é muito diferente; não estou muito otimista, nem na Venezuela — que passou de moda com a desastrada intervenção no Irão —, onde já não se fala dos 30.000 mortos nem da eliminação da “Gestapo” local.

Hoje os combustíveis sobem de preço no Continente, mas porquê, se se trata de petróleo comprado há três meses ou mais (informação deles, não minha)? Se um merceeiro — para não dizer um hipermercado —, face ao iminente desaparecimento ou encarecimento de algum dos bens que tem à venda, se aproveitar para subir os preços do que tem em stock com base no que os “futuros” vão ser, acho que comete o crime de especulação e pode, no limite, ir parar à cadeia. Mas o Estado pode fazer isso à vontade, ainda lhe chamando “desconto” com bastante hipocrisia?

E nem se fala de fazer o honesto, que seria eliminar a metade do preço dos combustíveis que são impostos (nem lhes quero chamar impostos, que normalmente são algo para os cidadãos terem serviços). Sabem o que pagam esses “impostos”? Milhares de entidades e pessoas privilegiadas que não foram referendadas, mas impostas pela tenebrosa CE e aumentadas pelos nossos políticos, especialistas em transformar a corrupção em direito só para alguns. Vão desde a Quercus e os seus minutos de conselhos aos revestimentos das casas, energias e outras facilidades dos mais ricos (não sou eu que o digo, são as estatísticas), sabendo-se que estas “corrupçõezinhas” ambientais nunca chegarão aos mais pobres — para não falar dos “carritos” elétricos e dos milhares de milhões estourados a subsidiar o turismo de massas (ou “prostituição forçada”, como lhe chamo).

E ainda falam do que é cumprir Abril?

Governo regional trava subida dos combustíveis com descida do imposto em abril

Governo regional reduz ISP em abril para travar escalada nos combustíveis e admite reativar o programa Credithab para apoiar famílias com o crédito à habitação

© HUGO MOREIRA

O executivo açoriano vai avançar com uma redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) para mitigar o impacto da escalada de preços nos combustíveis. Segundo a nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, a medida terá efeitos práticos já na próxima atualização de preços, agendada para o mês de abril, servindo de amortecedor face à instabilidade dos mercados internacionais e ao conflito no Médio Oriente.

Durante o anúncio feito na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o secretário regional Duarte Freitas explicou que o objetivo central desta intervenção é “conter a subida do preço dos combustíveis”, procurando aliviar a pressão financeira que recai atualmente sobre as famílias e as empresas açorianas, incluindo a comunidade da Lagoa, onde os custos de transporte e produção têm impacto direto na economia local.

Paralelamente à questão energética, o governante revelou que o executivo está atento à volatilidade das taxas de juro e ao seu reflexo no orçamento das famílias. Duarte Freitas admitiu estar a “equacionar a possibilidade de reativar” o programa Credithab, caso se verifiquem aumentos anormais nos encargos bancários, garantindo assim um mecanismo de apoio para quem enfrenta maiores dificuldades em suportar os custos com a habitação.

No que concerne ao custo de vida, a nota oficial confirma ainda um reforço na fiscalização dos bens essenciais: a monitorização de preços, que tinha passado a ser trimestral, regressa ao modelo mensal. Esta alteração permitirá, segundo o secretário Rregional, “reagir mais rapidamente a qualquer variação anormal” nos preços, garantindo uma proteção mais eficaz dos consumidores num período marcado pela forte instabilidade económica.

N9V celebra quarto aniversário com crescimento recorde e mais de 10 mil clientes nos Açores

Plataforma de e-commerce do Grupo Bensaude triplicou o número de utilizadores desde 2022 e oferece portes gratuitos até 15 de março

© BENSAUDE DISTRIBUIÇÃO

O N9V, o centro comercial online direcionado em exclusivo para o mercado açoriano, assinala este mês o seu quarto aniversário com indicadores de crescimento expressivos que consolidam a sua presença no quotidiano das nove ilhas. Desde 2022, o projeto viu o seu volume de clientes registados triplicar, superando atualmente a barreira dos 10 mil utilizadores. De acordo com a nota enviada pelo Grupo Bensaude, a plataforma regista agora uma média de mil encomendas mensais provenientes de todo o arquipélago, refletindo uma mudança nos hábitos de consumo regionais.

Para assinalar a data, a marca lançou uma semana especial dedicada aos consumidores, com a oferta de portes de envio em todas as compras efetuadas até ao dia 15 de março. Esta estratégia de proximidade visa reforçar a confiança de um público cada vez mais digitalizado. “Cerca de 2.500 clientes realizam compras recorrentes e, nos inquéritos efetuados, cerca de 70% avaliam positivamente a experiência”, destaca o diretor de e-commerce da Bensaude Distribuição, Marco Santos, sublinhando que o serviço tem conseguido responder à crescente exigência de rapidez e conveniência dos açorianos.

A plataforma disponibiliza atualmente cerca de 20 mil artigos, divididos por 14 categorias que incluem desde alimentação e higiene até eletrónica e vestuário. Um dos pilares do projeto é a promoção da economia regional, dando destaque a produtos e marcas exclusivas do arquipélago, além de conteúdos de inspiração gastronómica através de um blogue dedicado a receitas típicas. Segundo Marco Santos, o N9V assume-se como uma resposta concreta aos desafios da insularidade, garantindo que “qualquer pessoa, de Santa Maria ao Corvo, pode aceder aos mesmos produtos e aos mesmos preços praticados nas lojas físicas”, transformando o ato de comprar através do telemóvel num novo padrão de consumo para as famílias ilhéus.

Suplemento de Economia e Gestão e o Correio Económico

Gualter Furtado
Economista

A Faculdade de Economia e Gestão e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade dos Açores promoveram recentemente, na UAc, uma conferência sobre “Os Desafios do Jornalismo”, que coincidiu com o encerramento da pós-graduação em Economia para os Media, justamente promovida pelas duas Faculdades em conjunto.

Como referiu, na ocasião da conferência, o Presidente da Faculdade de Economia e Gestão, o Prof. Doutor João Teixeira, esta pós-graduação foi destinada a jornalistas, tendo como objetivo fornecer conhecimentos e ferramentas que os ajudassem na sua profissão, quando tratam notícias e trabalhos relacionados com temas económicos. Tratou-se de uma iniciativa louvável, sobretudo numa Região em que os OCS se debatem com muitas carências, desafios e redações pequenas, impossibilitadas de contratar jornalistas especialistas, pelo custo que representam e, por vezes, pela sua inexistência no mercado.

A propósito desta iniciativa, recordo que o Departamento de Economia e Gestão da UAc, nos anos 80 do século passado, celebrou uma parceria com o Açoriano Oriental, que permitiu a realização de um conjunto de conferências sobre temas que, na altura, eram relevantes, como as Arroteias do Pico, Porto Oceânico da Praia da Vitória e a criação de Parques Industriais como instrumento de nascimento de empresas e aumento da produção industrial, eventos enquadrados nos 150 anos do jornal. Paralelamente, possibilitou a publicação de um Suplemento de Economia e Gestão, com a direção do então Presidente do Departamento de Economia e Gestão (DEG), o Professor Doutor José Manuel Monteiro da Silva, e sob a minha coordenação e execução, aliás, fui eu que em outubro de 1984 assinei o primeiro Editorial.

Esta parceria foi celebrada com o então Diretor do Açoriano Oriental, o Senhor Gustavo Moura. Os colaboradores deste suplemento eram docentes do DEG, e os temas tratados abordavam a política económica, o desenvolvimento económico, a gestão orçamental e financeira, a contabilidade, a fiscalidade, os transportes e as acessibilidades. Na gráfica do Açoriano Oriental, o saudoso Professor Andrade sempre nos ajudou na composição deste suplemento, que, na altura, foi pioneiro e representou uma abertura da Universidade à sociedade civil açoriana.

O suplemento terminou quando alguns de nós fomos trabalhar para o setor privado, e os colegas que continuaram na Universidade tiveram de dedicar mais tempo às suas carreiras universitárias, algumas desenvolvidas no estrangeiro, em programas de doutoramento. Este Suplemento de Economia e Gestão pode ser consultado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada (anos de 1984 e 1985), que tem depositados todos os jornais micaelenses.

Uma outra iniciativa na área do jornalismo económico, já neste século, foi o Correio Económico, um suplemento do Correio dos Açores. Este suplemento atingiu centenas de números, era publicado à sexta-feira, tinha como coordenadores o Dr. Luís Guilherme Pacheco e o Dr. Óscar Rocha e, como colaboradores regulares, muitos profissionais ligados à Universidade dos Açores, inclusivamente alguns que já tinham participado no Suplemento de Economia e Finanças. Contou também com muitos economistas e gestores sem ligação à Universidade dos Açores, mas com grande envolvimento na sociedade e economia dos Açores, o que possibilitava ao Correio Económico ter várias secções, que iam da consultoria até à informação sobre os negócios que se faziam nos Açores. Para além disso, promoveu várias iniciativas sobre a importância e o peso que alguns gestores tinham nas empresas e na própria economia açoriana. Foi, de facto, um marco importante no jornalismo económico dos Açores.

Finalmente, uma nota para referir que o jornalismo em geral nos Açores sempre teve uma grande expressão, sendo que alguns dos títulos publicados nos Açores são centenários, como o Açoriano Oriental, que ostenta no seu historial a designação de ser “o mais antigo jornal português”. Paralelamente, existe uma prática de publicação de dezenas de pequenos jornais de paróquias, Casas do Povo, associações cívicas e sociais, sindicatos, etc., verdadeiramente notável.

Não é por acaso que tivemos e temos jornalistas, nos jornais e na televisão, que ocuparam e ocupam cargos de direção a nível nacional, como são os casos de Mário Mesquita, Bettencourt Resendes, Padre António Rego e José Eduardo Moniz.

Futuro da agricultura em debate em colóquio sobre Acordo UE-Mercosul e Apoios Europeus

Iniciativa reúne, no Recinto da Feira em Santana, especialistas e eurodeputados para discutir o impacto dos novos cenários macroeconómicos no setor agrícola açoriano

Sessão de abertura será conduzida pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita © CLIFE BOTELHO

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) promove na próxima sexta-feira, 6 de março, às 10h30, um colóquio dedicado ao tema “O Acordo UE-Mercosul e o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034”. O evento, que terá lugar nas instalações da própria associação, situadas no Recinto da Feira, em Santana, na Ribeira Grande.

A sessão de abertura será conduzida pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, e pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura. O debate contará com as intervenções de Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Diniz, diretor do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), e dos deputados ao Parlamento Europeu, Paulo Nascimento Cabral e André Franqueira Rodrigues.

O encontro visa promover uma reflexão profunda sobre os desafios e impactos que o tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderá representar para a produção regional, analisando simultaneamente o desenho do novo Quadro Financeiro Plurianual para o período de 2028 a 2034.

Em nota enviada pela AASM, a associação destaca a importância estratégica deste evento para a comunidade agrícola local, convidando todos os interessados a participarem nesta sessão de esclarecimento e análise sobre o futuro dos apoios e da competitividade do setor.

Açores reforçam estratégia na BTL 2026 com crescimento de 97% nas receitas

Presidente do Governo regional destaca aposta na qualidade e no rendimento em vez do volume, numa edição que marca a maior presença empresarial da região na feira de Lisboa

© MIGUEL MACHADO

A participação dos Açores na 36.ª edição da Better Tourism Lisbon (BTL), que decorre de 25 de fevereiro a 1 de março na Feira Internacional de Lisboa (FIL), afirma-se como um pilar central na estratégia de valorização e promoção do destino. Segundo o Governo regional dos Açores, esta presença, promovida através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, visa consolidar a notoriedade do arquipélago nos mercados nacional e internacional, priorizando a natureza, a autenticidade e a sustentabilidade. O stand regional, localizado no pavilhão 1, apresenta este ano uma reconfiguração funcional e um reforço significativo na área de negócios, disponibilizando 40 módulos de contacto empresarial. Trata-se de um aumento de 10 postos face a edições anteriores.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à sessão oficial de abertura do espaço, sublinhando que a trajetória recente do turismo regional resulta de uma opção estratégica clara pela qualidade e pelo valor acrescentado. “Tivemos a capacidade de olhar estrategicamente para a economia de desenvolvimento não pelo valor quantitativo, mas sim pelo valor acrescentado e qualitativo. É por isso que estamos a atingir níveis de excelência, mas também de rendimento”, afirmou o governante. Conforme destacou, a região conseguiu elevar os seus níveis de rendimento de forma expressiva: o valor previsto em 2019, que se fixava nos 104 milhões de euros, atingiu agora os 206 milhões de euros, o que representa um crescimento de 97%. Este desempenho, segundo o executivo açoriano, é acompanhado por uma subida de 72% no RevPAR (receita por quarto disponível) e por um aumento de 40% no número de passageiros desembarcados, totalizando 2,3 milhões. Para o líder do executivo, estes indicadores demonstram que o setor é o motor da economia açoriana, tendo gerado 889 milhões de euros de riqueza em 2023. “Isto é obra. É motivador e é um orgulho este resultado”, assinalou.

Para além da vertente económica, o Governo regional aproveita a BTL 2026 para apresentar a versão atualizada do galardão MIOSOTIS AZORES, um selo que distingue boas práticas de sustentabilidade. A partir da tarde de sexta-feira e durante o fim de semana, o foco vira-se para o público em geral com a disponibilização de seis balcões de venda direta e o lançamento de pacotes turísticos exclusivos desenvolvidos pelos associados da Visit Azores.

Ao longo dos cinco dias do certame, os municípios açorianos mantêm uma presença ativa para promover a diversidade cultural e territorial de cada concelho, reforçando a coesão do arquipélago enquanto destino único e plural. José Manuel Bolieiro concluiu a sua intervenção com uma mensagem de resiliência, apelando à rejeição de discursos pessimistas perante variações pontuais. “É preciso abandonar o espírito pessimista dramático quando existem pequenas variações. Não estão a dar um contributo ao crescimento”, defendeu, reiterando que a região deve manter o foco na consolidação dos resultados alcançados.

Lagoa assume liderança nacional na renovação habitacional, mas enfrenta pressão nos preços

Município lidera a construção de casas novas em Portugal, mas o recorde de oferta é acompanhado por uma escalada de preços: no último triénio, a avaliação imobiliária disparou 23,4%

Lagoa já se tornou o segundo município mais caro da sua zona de influência em São Miguel © DL

O município da Lagoa, na ilha de São Miguel, destaca-se atualmente como o concelho português com a maior proporção de construção de casas novas face ao parque habitacional existente. O dado, sustentado por estatísticas da Pordata e do Instituto Nacional de Estatística (INE), revela um crescimento robusto entre 2022 e 2024, consolidando o território como um caso de estudo no dinamismo imobiliário regional e nacional. Entre 2021 e 2023, o concelho registou a conclusão de mais 143 habitações familiares em comparação com o triénio anterior, atingindo uma densidade de 117,2 alojamentos por km2.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, os números são um sinal de vitalidade. “Estes indicadores confirmam a Lagoa como um concelho em crescimento, com uma oferta habitacional em expansão”, afirma o autarca em nota de imprensa enviada às redações, sublinhando que a estratégia local tem resultado num “mercado imobiliário dinâmico”. No entanto, por trás destes indicadores, os números revelam também desafios crescentes de acessibilidade. Embora a autarquia defenda que este cenário reforça a atratividade para famílias e investidores, a realidade dos preços sugere uma pressão inflacionista superior à dos seus vizinhos diretos.

Em 2024, o valor mediano da avaliação bancária na Lagoa atingiu os 1.291 euros por metro quadrado. Este indicador é fundamental para justificar o novo peso regional do concelho: apesar de estar abaixo da média nacional (1.662 euros), a Lagoa já se tornou o segundo município mais caro da sua zona de influência em São Miguel, superando o custo do imobiliário em concelhos vizinhos como a Ribeira Grande ou Vila Franca do Campo. Esta ascensão é explicada por uma subida acentuada de 23,4% nos valores de avaliação desde 2021, um ritmo que coloca o mercado local sob forte pressão.

A análise detalhada dos dados de transação expõe ainda o fosso entre o mercado de construção nova e o de casas usadas. Quem procura habitação nova no concelho enfrenta um preço mediano de 1.835 euros por metro quadrado, um valor substancialmente superior aos 1.248 euros pedidos pelas casas já existentes. Este diferencial de quase 50% indica que a nova oferta imobiliária está a entrar no mercado com preços que refletem um posicionamento de elite, distanciando-se progressivamente da realidade económica de muitas famílias locais.

Em suma, os dados confirmam que a Lagoa deixou de ser uma alternativa periférica para se tornar um motor de construção nova. Contudo, como refere o autarca lagoense, se por um lado a Lagoa é o “município com maior proporção de casas novas em relação às existentes”, o sucesso estatístico traz consigo o risco da gentrificação, uma vez que a valorização imobiliária em dois dígitos poderá, a curto prazo, comprometer a mesma acessibilidade que o município procura promover. Este risco é sustentado pelo fosso entre a valorização imobiliária e o poder de compra local: com os preços das casas novas a subirem num ritmo que ultrapassa largamente a evolução dos rendimentos médios nos Açores, a Lagoa enfrenta o desafio de evitar que a nova oferta residencial se torne exclusiva para segmentos de alto rendimento, alienando a população jovem e a classe média que o município pretende fixar.