A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira acolheu uma palestra dedicada às artes, intitulada “À conversa sobre Canto da Maia: o homem e a obra”, tendo sido ministrada pelo Museu Carlos Machado.
Inserida no programa da VIII Feira do Livro “Das artes ao artesanato contemporâneo”, a decorrer no Convento dos Franciscanos até 7 de maio, esta iniciativa reuniu uma turma do 9º ano de escolaridade da Escola Básica Integrada de Água de Pau e os grupos de idosos dos Centros de Dia da Atalhada e do Cabouco.
Maria Emanuel Albergaria, técnica do museu, dividiu a sua apresentação em três momentos da vida de Canto da Maia: primeiros anos – de 1890 a 1919, de 1920 a 1939 e de 1940 a 1955. Começou por apresentar os aspetos biográficos do escultor açoriano nascido em São Miguel em 1890. Pertencendo a uma família privilegiada, desde muito cedo a mãe incentivou-o a desenvolver a sua criatividade.
Terminou o Liceu em 1907 e estudou Belas Artes em Lisboa, Paris e Genebra. Ao longo da vida, Canto da Maia conviveu com outras figuras açorianas ilustres do panorama das artes, como Emanuel Côrtes-Rodrigues, Domingos Rebêlo, entre outros.
Na explanação, por entre registos fotográficos de esculturas mais conhecidas do que outras, a oradora proferiu acerca das diferentes fases da obra do escultor, designadamente as primeiras estátuas em barro que esculpia sobre os diferentes tipos de pessoas, os baixos-relevos que executou para a moldura do palco do Coliseu Micaelense e para as feiras internacionais sobre as grandes figuras da História de Portugal, os frisos realizados para a Fundação Calouste Gulbenkian e Museu de Paris, os retratos das duas esposas e dos filhos e os bustos de poetas e artistas, como a estátua de Gonçalo Vaz Botelho (em Vila Franca do Campo) e monumento de homenagem a Antero de Quental. Caracterizando-o como um artista sentimental, terno e afetuoso, a palestrante apresentou igualmente produções artísticas sobre os sentimentos do artista como “Bendito seja o fruto do teu ventre”, “Adão e Eva” ou “Hino do amor”, “Filho morto” (escultura realizada para estar na sepultura do seu filho Júlio que faleceu jovem), entre outras.
No final da palestra, houve lugar à troca de opiniões entre os participantes, bem como o convite lançado por Maria Emanuel Albergaria à exposição dedicada a Canto da Maia presente no Museu Carlos Machado.
A edilidade lagoense tem apostado num plano educativo e cultural com diversas iniciativas que visam a formação de públicos ao longo da vida, aumentando assim o leque de conhecimentos dos diferentes públicos. Nesta ação promoveu-se o contacto entre seniores e jovens estreitando as relações entre gerações e a partilha de saberes e ideias.
De realçar que esta feira do livro, desde a sua inauguração, já foi visitada por cerca de 930 pessoas, o que é sem dúvida um registo da boa aceitação que tem tido junto da população.
DL/CML
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