
Ao longo dos últimos meses têm-se verificado alterações ao nível da superfície nas zonas das Caldeiras (cozidos) das Furnas, concelho da Povoação. A situação é, aos olhos dos especialistas, considerada normal, mas para quem não está familiarizado com as dinâmicas do vulcanismo pode gerar alguma apreensão.
De modo a esclarecer o que está a acontecer no vulcão das Furnas, o Diário da Lagoa falou com Fátima Viveiros, diretora do Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores, que esclareceu que “os campos fumarólicos podem sofrer alterações superficiais que resultam das dinâmicas próprias dos mesmos e não representam, obrigatoriamente, alterações no sistema vulcânico e/ou hidrotermal em profundidade”.
Para além disso, acrescentou, “a deposição de minerais de alteração e modificações da permeabilidade nos níveis superficiais do terreno podem condicionar o trajeto do gás até à superfície e, consequentemente, resultar em alterações visíveis nas emissões fumarólicas”.
A isto, junta-se também a pluviosidade e potenciais alterações nos níveis aquíferos que “podem resultar na presença de água em algumas fumarolas que temporariamente se apresentavam secas”. Ou seja, “apesar das dinâmicas poderem, potencialmente, resultar em danos pelo colapso superficial, não representam, por si só, variações no sistema vulcânico”, apontou.
Contudo, Fátima Viveiros deixou claro que “todas as recomendações e limitações nos acessos definidas pelas autoridades de proteção civil devem ser respeitadas e cumpridas”.
É o caso da Lagoa das Furnas que “apresenta também emissão de gases vulcânicos e, na parte norte da lagoa, junto ao campo fumarólico, visualizam-se, junto às margens, bolhas de gás (essencialmente dióxido de carbono) que, em alguns locais, também estão associadas a temperaturas mais elevadas”, esclareceu.

A diretora do Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores explicou, de igual modo, que os movimentos de vertentes “relacionam-se com o facto dos taludes serem constituídos maioritariamente por depósitos de cinzas pomíticas não consolidadas, podendo ser potenciados por condições meteorológicas ou atividade sísmica”.
De qualquer modo – frisou Fátima Viveiros – o Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos “tem efetuado medições nos campos fumarólicos das Furnas desde a década de 90 porque os gases vulcânicos podem constituir indicadores de atividade vulcânica”.
Mas a investigação/monitorização não se fica por aqui. “Para além dos gases vulcânicos medidos nas fumarolas, solos, lagoa e nascentes, as informações sobre atividade sísmica ou sobre a deformação da Terra, por exemplo, constituem outras técnicas preferenciais para entender o estado de atividade dos vulcões e podem ser precursores de atividade anómala”, adiantou.
Fátima Viveiros esclareceu que “atualmente, o IVAR, em colaboração com o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), efetuam monitorização e estudos dos vulcões ativos dos Açores e o vulcão das Furnas apresenta nível de alerta para atividade vulcânica considerado normal. Os dados registados até ao momento não indicam mudanças significativas nos últimos anos em termos de emissão do gás, essencialmente ao nível da sua composição”.
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