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Empresários levam preocupações à Câmara da Ribeira Grande

© CCIPD

A direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com empresários do concelho da Ribeira Grande, no Teatro Ribeiragrandense, tendo sido identificados um conjunto de constrangimentos que afetam diretamente a atividade empresarial e o desenvolvimento económico local.

Entre as principais preocupações destacam-se as fragilidades ao nível das infraestruturas e acessibilidades, nomeadamente o estado de degradação de algumas estradas, a falta de iluminação e a inexistência de soluções de mobilidade adequadas às necessidades dos trabalhadores e das empresas. Foi igualmente sublinhada a importância estratégica da criação de um porto de cargas em Rabo de Peixe, essencial para reforçar a competitividade da economia da ilha.

No domínio do urbanismo, os empresários alertaram para a excessiva morosidade dos processos de licenciamento, ainda pouco digitalizados, e para a falta de previsibilidade associada à revisão do PDM, fatores que têm condicionado o investimento privado.

Foram também identificados problemas nas áreas do ambiente e qualidade urbana, designadamente ao nível da limpeza, gestão de resíduos e situações de poluição em zonas balneares, bem como preocupações crescentes com a segurança, defendendo-se o reforço do policiamento e a implementação de sistemas de videovigilância.

Ao nível económico, foi evidenciada a necessidade de maior dinamização do concelho, valorização dos recursos turísticos e qualificação dos recursos humanos, com particular destaque para a criação de oferta formativa ajustada às necessidades da construção civil.

Na área da energia, foi salientado o potencial da geotermia no concelho da Ribeira Grande, defendendo-se uma maior valorização deste recurso, bem como a remoção de entraves ao uso de soluções energéticas alternativas e mais sustentáveis.

Na sequência desta reunião, a direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, tendo apresentado as principais conclusões e preocupações dos empresários, num espírito de diálogo institucional e de procura de soluções conjuntas para os desafios identificados.

António Cavaco defende “amor e afeto” como marca distintiva dos produtos regionais e da gastronomia dos Açores

Confrade-mor da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, destacou a importância da experiência gastronómica como elemento de ligação entre culturas, sublinhando o papel do amor e do afeto na forma como os produtos são apresentados e consumidos

© DL

Em declarações à nossa reportagem, António Cavaco procurou valorizar os produtos açorianos, que levam a “Marca Açores”. As declarações surigram no âmbito de uma prova de produtos açorianos organizada, no dia 21 de abril, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, e integrada na Missão Empresarial Minas Gerais-Açores, promovida entre os dias 20 e 24 de abril pela Casa dos Açores de Minas Gerais.

Durante a prova de produtos açorianos, que reuniu produtores, representantes institucionais e participantes da missão empresarial mineira, num momento de degustação e promoção da valorização da identidade gastronómica do arquipélago, António Cavaco afirmou que “o inhame, por exemplo, que é o coco brasileiro, fala exatamente a mesma língua”, acrescentando que “deve ter sido do Brasil que no século XIV/XV acabou por chegar aos Açores e aqui plantou em condições completamente ajustadas e que tem um sabor incrível”.

Este confrade-mor referiu também a versatilidade deste produto, destacando que “temos, por exemplo, a linguiça, a morcela, o queijo”, que se podem degustar com a pimenta, cozido, frito ou salteado.

O inhame é uma coisa fantástica”, disse.

Sobre a preparação da prova para os empresários brasileiros, o chef sublinhou que o objetivo passa por “valorizar não só o produto, mas também a forma como é apresentado”.

Primeiro, temos que falar no produto alimentar, mas não nos podemos esquecer do mais importante, que é o amor e o afeto que pomos no tratamento do produto”, explicou António Cavaco, que acrescentou que, “quando damos um produto, quando trabalhamos um produto, trabalhamos com afeto, com carinho, com amor, e é isso que damos às pessoas”.

Este responsável sublinhou ainda que a experiência gastronómica cria diferentes tipos de memória.

Nós temos dois tipos de memória que arquivamos. Primeiro, o arquivo do palato, esse é inconfundível e arquivamos sempre. Mas aliado ao arquivo do palato, há o arquivo do afeto”, sustentou.

Se eu comer um determinado produto, sozinho, isolado, num dia sóbrio, num dia meio triste, tenho um arquivo que me vai ficar agravado. Se eu comer isto em conjunto, com pessoas bonitas, com pessoas diferentes, com pessoas que nos chegam de outra cultura, que querem conhecer os nossos produtos, que querem partilhar esse produto, valoriza o palato, grava-se o afeto, eu nunca mais vou esquecer isso”, concluiu António Cavaco.

Ponta Delgada prepara-se para as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres

© IGREJA AÇORES/CR

A cidade de Ponta Delgada já vive o ambiente de preparação para as tradicionais festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que este ano decorrem entre os dias 5 e 14 de maio, no Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

As celebrações deste ano serão presididas pelo cardeal D. António Marto, bispo emérito da diocese de Leiria-Fátima e contam também com a presença do núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, nomeado pelo Papa Leão XIV em 11 de dezembro de 2025, que visita pela primeira vez os Açores, sublinhando a relevância religiosa e institucional das festividades.

Entre os momentos centrais do programa destaca-se, no dia 9 de maio, a tradicional procissão da mudança, precedida pelo Te Deum de Ação de Graças e o sermão solene proferido por D. António Marto. No dia 10 de maio realiza-se a procissão solene, após a concelebração eucarística no adro do santuário, um dos pontos mais altos das festas e que reúne milhares de fiéis.

O programa das festas tem início com o tríduo preparatório, nos dias 5, 6 e 7 de maio, sempre às 18h00, que será orientado pelo padre jesuíta Paulo Duarte. Ainda na noite do primeiro dia, 5 de maio, pelas 21h00, terá lugar uma conferência no Coro Alto do Convento da Esperança, subordinada ao tema “Ser pessoas de paz desarmada e desarmante a partir do olhar do Senhor Santo Cristo”.

O programa conta ainda diversas celebrações como a missa destinada aos doentes, no dia 8 de maio, na igreja de São José, presidida pelo bispo de Angra, bem como a missa das promessas, a missa dos romeiros e a vigília jovem, que marcam a vivência espiritual destes dias.

Na mensagem de boas-vindas, o reitor do santuário, cónego Manuel Carlos Alves, destacou o sentido profundo da celebração eucarística, lembrando que “todos participamos no sacerdócio de Cristo na medida em que oferecemos o que somos e fazemos pela salvação da humanidade”. O responsável convidou os fiéis a um espírito de oração e recolhimento, apelando a que, “com olhos suplicantes”, peçam ao Senhor Santo Cristo por paz e vida abundante.

As festas encerram no dia 14 de maio com a celebração em honra da madre Teresa d’Anunciada, presidida pelo reitor do santuário, marcando o fim de um dos maiores acontecimentos religiosos dos Açores.

Feira multissetorial de 8 a 14 de maio nas festas do Santo Cristo

© DIREITOS RESERVADOS

A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada realiza, de 8 a 14 de maio, a Feira da Indústria, Comércio e Serviços dos Açores (FICSA) que ocupará a alameda e o pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, numa área superior a 4000 m². É a maior feira multissetorial que se realiza nos Açores.

A FICSA decorrerá durante as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres e terá, este ano, como temática principal, as qualificações. Neste contexto, a CCIPD lançou a iniciativa “Espaço Qualificações”, com o propósito de divulgar todas as temáticas relacionadas com as qualificações com o apoio da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego.

A feira conta com cento e vinte e dois stands distribuídos pelo pavilhão e alameda do Mar, abrangendo uma variedade relevante de setores de atividade económica, para além de cinquenta e seis stands de artesanato apoiados pelo Centro de Artesanato e Design dos Açores.

Nesta edição destaca-se o espaço FICSA à Mesa com mais de 200m² dedicados aos sabores e à gastronomia. Neste espaço, o público poderá desfrutar de várias opções gastronómicas variáveis que vão desde os pregos às pizzas, passando pela alcatra, sandes e petiscos diversos.

Este ano, a CCIPD aposta numa maior dinamização do evento junto do público-alvo, além de possibilitar a todos os expositores a promoção dos seus produtos e marcas, através da disponibilização de espaços para publicidade no local.

Como habitual, a Escola Profissional da CCIPD marcará a sua presença onde apresentará a oferta formativa planeada para o ano letivo 2025/26, designadamente o curso de Secretariado Executivo, Técnico de Contabilidade e Técnico de Vendas e Marketing, dando resposta às necessidades do mercado e das empresas.

AJCOD sagra-se campeã regional de basquetebol

© CM LAGOA

A Associação Juvenil do Clube Operário Desportivo (AJCOD) sagrou-se campeã regional de basquetebol feminino, no escalão sub-18, ao vencer a final do campeonato que decorreu entre os dias 1 e 3 de maio no pavilhão da escola secundária da Lagoa, garantindo o apuramento para a Taça Nacional, que se realizará em Vila Real, nos dias 23 e 24 de maio.

Organizado pela Associação de Basquetebol de São Miguel, o campeonato regional reuniu algumas das principais equipas da região — Fayal Sport, União Sportiva, GD Gonçalo Velho e AJCOD — proporcionando três dias marcados por elevada qualidade competitiva, talento e espírito desportivo.

Na final, disputada perante uma boa moldura humana, a AJCOD destacou-se pela consistência exibicional ao longo de toda a competição, bem como pelo forte coletivo, atitude competitiva e eficácia nos momentos decisivos. A equipa lagoense, orientada pelas técnicas Filipa Ponte e Laura Bernardo, apresentou um desempenho de elevado nível que lhe garantiu, com mérito, o título regional.

O plantel campeão é composto pelas atletas: Beatriz Relvas, Zora Caetano, Mariana Carreiro, Maria Caetano, Mariana Melo, Luna Tomás, Elina Correia, Inês Pereira, Sara Cabral e Núria Franco. Destaque, ainda, para a atleta Maria Inês Caetano, distinguida como a melhor jogadora do campeonato, reconhecimento do seu desempenho e influência ao longo da competição.

O campeonato constituiu uma importante oportunidade para a valorização do basquetebol feminino jovem, promovendo a prática desportiva, o desenvolvimento de atletas e o espírito competitivo saudável.

Sucesso na segunda edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne Reforça Competências na Associação Agrícola

Formação de 30 horas no Parque de Leilões de São Miguel capacitou dez jovens para os grandes palcos da pecuária açoriana, com destaque para o domínio dos formandos das Furnas na avaliação final

© AASM

O Parque de Leilões da Associação Agrícola de São Miguel foi o palco da segunda edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne para Concursos, uma iniciativa que, entre os dias 27 e 30 de abril, reuniu dez formandos em torno da excelência no maneio e apresentação pecuária. Segundo nota enviada pela Associação Agrícola de São Miguel ao Diário da Lagoa, a formação, que totalizou 30 horas, surge de uma parceria estratégica com o Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, visando dotar os participantes de competências técnicas cruciais para a valorização de exemplares de carne em mostras e concursos de elite.

Sob a orientação técnica de Luís Paninho — nome reconhecido pela vasta experiência na preparação de animais das raças Holstein Frísia e de carne — os alunos enfrentaram o desafio de trabalhar individualmente com um animal, aplicando na prática conceitos de higiene, tosquia, tratamento de pelo e a complexa arte da condução em pista.

O culminar desta formação ocorreu no último dia com uma simulação de concurso, onde o rigor da avaliação determinou os vencedores por categorias. No domínio da preparação estética, Noel Costa Vieira, das Furnas, conquistou o primeiro lugar, seguido por Paulo César Costa Rego, também das Furnas, e Hugo Miguel Medeiros Botelho, das Calhetas. Já na categoria de manejadores, que avalia a perícia na condução do animal perante o juiz, a freguesia das Furnas voltou a estar em evidência com Adriano Melo Teixeira a garantir o lugar mais alto do pódio, acompanhado novamente por Paulo César Costa Rego na segunda posição e Gonçalo Ernesto Rebelo Tavares, de Santa Bárbara, no terceiro posto.

Este evento não serviu apenas para entrega de prémios e convívio, mas funcionou como o derradeiro ensaio para a grande feira agrícola que se avizinha. Entre os dias 13 e 17 de maio de 2026, estes novos técnicos terão a oportunidade de demonstrar o valor da formação recebida durante os concursos pecuários integrados no certame, reforçando a competitividade e a qualidade que definem o setor agrícola micaelense.

Cultura: um direito, não um privilégio

Rúben Cabral
Deputado pelo PSD na ALRAA

A cultura é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade desenvolvida. Não é um luxo nem um capricho. É um direito. É através dela que fortalecemos a identidade, o espírito crítico, a coesão social e o sentido de comunidade. Uma sociedade que investe na cultura investe na sua própria maturidade democrática.

Num concelho como o nosso, a promoção cultural deve ser instrumento de inclusão. A cultura aproxima gerações, cria oportunidades e combate desigualdades. Não pode ser encarada como um produto comercial acessível apenas a quem pode pagar.

Defendo — e afirmei-o em reunião de Câmara — que a cultura deve ser tendencialmente gratuita, sobretudo quando é organizada pela própria autarquia. A Câmara Municipal não é uma empresa. Não deve ter como missão gerar receita através da cultura, mas sim garantir que todos os lagoenses tenham acesso às iniciativas promovidas com o seu dinheiro.

Importa, contudo, ser claro: nada é verdadeiramente gratuito quando é financiado pelos contribuintes. Quando falamos de gratuitidade, falamos de acesso sem pagamento direto no momento de entrada, porque o financiamento já foi assegurado pelos impostos pagos pelos cidadãos. E se o esforço é coletivo, então deve, antes de mais, servir quem cá vive, trabalha e paga impostos: os lagoenses.

A Câmara não foi criada para concorrer com agentes económicos privados. Há famílias que dependem da viabilidade dos seus negócios para colocar comida na mesa, incluindo na área da exibição de filmes. Sempre que o poder público entra num mercado onde existem operadores privados, deve fazê-lo com extrema ponderação.

Não sou contra a exibição de cinema. A cultura cinematográfica é importante. Mas se a Câmara decide promover sessões de cinema, então essas sessões devem manter-se gratuitas. Não faz sentido que a autarquia entre numa área que não é a sua vocação natural e, simultaneamente, passe a cobrar bilhetes como se fosse um operador comercial.

Foi recentemente introduzida a possibilidade de pré-reserva por email para as sessões no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida. Tal como está, esta solução desprotege os lagoenses. Se qualquer pessoa, independentemente do concelho onde reside, pode garantir lugar antecipadamente, os residentes da Lagoa deixam de ter prioridade numa iniciativa financiada pelos seus impostos.

Defendo que deve existir um mecanismo simples e eficaz que assegure prioridade aos residentes do concelho — seja através de um período inicial exclusivo de levantamento de bilhetes para lagoenses ou outro modelo que garanta essa proteção. Não se trata de excluir ninguém. Trata-se de garantir justiça territorial e respeito por quem financia diretamente o orçamento municipal.

Foi por estes motivos que votei contra o regulamento apresentado. A política exige coerência. E continuarei a defender uma cultura acessível, inclusiva e prioritariamente ao serviço dos lagoenses.

“A cavalo é que vamos bem…”

Patrícia Miranda
Deputada pelo PS na ALRAA

Há momentos na política em que uma imagem diz tudo.

Um secretário regional, de fato e gravata, em cima de um cavalo, num cenário cuidadosamente preparado, perante uma plateia atenta. É uma imagem forte. Evoca tradição, identidade, ligação ao mundo rural.

Mas também expõe um contraste difícil de ignorar.

A coligação garante que a agricultura nunca esteve tão bem. Mostram gráficos. Dizem que “é só seguir a barra”. Uma posição confortável para quem defende o Governo e o seu partido, mas não defende o setor.

Porque enquanto a política se mostra montada, literal e simbolicamente, a agricultura vai ficando para trás, a suportar o peso de decisões que não chegam, de respostas que não aparecem e de custos que não param de subir, a cavalo é que vamos bem.

O gasóleo agrícola sobe de 1,27€ para 1,63€. Mais 36 cêntimos por litro. Um aumento abrupto, brutal, que atinge os agricultores no pior momento possível, quando estão no terreno, em plena época de sementeiras.

A Federação Agrícola dos Açores não teve dúvidas: é uma “subida escandalosa”.

E não está sozinha. Também a Associação de Jovens Agricultores Micaelenses veio a público alertar para o impacto devastador desta subida, sobretudo para quem está a começar.

Para muitos, isto não é apenas mais um aumento. É o ponto de rutura.

E tudo isto acontece num contexto já pressionado: fertilizantes caros, mercados instáveis, preço do leite ao produtor a descer.

E perante esta realidade, o que temos do Governo?

Justificações. Explicações. Transferência de responsabilidades. Bruxelas. A PAC. As regras europeias.

Mas nada disto é novo. É, aliás, o guião a que este Governo já nos habituou: quando os problemas apertam, este Governo não age, justifica-se.

E assim se vai governando à distância da realidade, e a cavalo é que vamos bem.

Durante os últimos anos, sempre que o preço do combustível subia, o PSD apressava-se a defender o Governo com dois argumentos: que, apesar de tudo, o gasóleo agrícola nos Açores continuava mais barato do que no continente (como se isso servisse de consolo quando a fatura chega) e que tinha sido eliminado o plafon, permitindo aos agricultores consumir sem limite.

Mas hoje, nenhuma destas “bandeiras” resiste à realidade.

O gasóleo agrícola é, pela primeira vez, mais caro do que no continente.

E o fim do plafon? De pouco serve quando o problema não é a quantidade que se pode usar, mas o preço que se tem de pagar.

E quando os argumentos desaparecem, mas os problemas ficam, a cavalo é que vamos bem.

Do lado da República, a resposta também não chega.

Devem aos agricultores dos Açores cerca de 23 milhões de euros de apoios que estavam previstos no âmbito da crise provocada pela guerra na Ucrânia, apoios que faziam falta ontem e fazem ainda mais falta hoje.

Diz o Ministro da Agricultura que esse apoio já veio. Que já foi pago.

Mas o que sabemos é que esse dinheiro não chegou aos agricultores como devia.

Ficou pelo caminho. Serviu para o Governo Regional tapar buracos, o mesmo Governo que desviou 14 milhões de euros da agricultura para outros setores da governação.

E, ao mesmo tempo, acumulam-se os problemas dentro de portas.

Atrasos no pagamento dos apoios regionais.

Prazos que não são cumpridos.

Milhões de euros por aprovar e executar no PEPAC.

Dinheiro que existe no papel e nos discursos, mas não chega aos agricultores.

Mas a cavalo é que vamos bem.

Entretanto, a inflação enche os cofres públicos.

Mais 25 a 30 milhões de euros em receita fiscal adicional.

E a pergunta impõe-se: vai o Governo continuar a arrecadar à custa da crise ou vai devolver esse esforço a quem produz?

Há dinheiro da inflação, mas não há decisão. Há discurso, mas não há resposta. Há presença, mas não há ação.

E voltamos ao início.

O cavalo. O fato. O cenário.

Sem dizer uma palavra, a imagem explica tudo: é o retrato de um momento.

Um setor em crise.

E quem governa… a cavalo.

Água de Pau inaugura Centro de Marcha e Corrida para promover hábitos de vida saudáveis

A nova valência, que resulta de uma parceria entre o CDEAP e a autarquia, oferece treinos acompanhados bi-semanais com o objetivo de combater o sedentarismo e reforçar a coesão comunitária na vila

© CM LAGOA

A Vila de Água de Pau deu, este sábado, 2 de maio, um passo significativo na promoção do bem-estar físico com a inauguração oficial do seu Centro de Marcha e Corrida. O projeto, promovido pelo Clube Desportivo Escolar de Água de Pau (CDEAP) em estreita colaboração com a Câmara da Lagoa, surge integrado no Programa Nacional de Marcha e Corrida. A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente da autarquia da Lagoa, Frederico Sousa, que destacou o papel fundamental destas infraestruturas no quotidiano dos lagoenses. Segundo os dados facultados pela autarquia em nota de imprensa, esta iniciativa visa dinamizar a comunidade local em torno de práticas desportivas salutares, contribuindo diretamente para uma melhoria na qualidade de vida dos munícipes através da caminhada e da corrida.

Durante a inauguração, Frederico Sousa reiterou a importância estratégica de descentralizar o acesso ao desporto, afirmando que estas iniciativas são cruciais no “aproximar da prática desportiva das comunidades, como forma de combate ao sedentarismo, através de uma abordagem acessível, orientada e sustentável”. O autarca reforçou que o apoio do município ao CDEAP neste projeto reflete o compromisso da edilidade com a saúde pública e com a criação de respostas de proximidade que incentivem a participação ativa dos cidadãos, independentemente da sua condição física inicial.

Para os interessados em aderir à modalidade, o Centro de Marcha e Corrida de Água de Pau já tem o seu plano de atividades definido. Os treinos decorrerão todas as terças e quintas-feiras, com ponto de encontro marcado para as 18h30 junto à sede da Junta de Freguesia de Água de Pau. As sessões contemplam percursos de dificuldade ajustada e, acima de tudo, garantem o acompanhamento técnico especializado, permitindo que tanto iniciantes como praticantes mais experientes possam usufruir da atividade com segurança.

Ribeira Grande acolhe debate sobre o combate ao abandono escolar e o papel das famílias

O V Encontro da FAPA decorre entre 29 e 31 de maio, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, com o objetivo de traçar medidas concretas para melhorar os indicadores educativos na região

V Encontro regional acontece no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande © DL

A Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Açores (FAPA) promove, entre os dias 29 e 31 de maio de 2026, o seu V Encontro regional no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande. O evento surge num contexto em que os indicadores educativos locais revelam desafios estruturais, como a taxa de abandono escolar precoce que ainda atinge 21,1% dos jovens açorianos, apesar dos progressos registados no ensino básico e secundário em 2025. A iniciativa pretende transformar o movimento associativo parental num catalisador de mudança, fortalecendo a parceria entre escola, família e poder local para fomentar trajetórias de sucesso educativo.

A programação tem início na sexta-feira, dia 29, às 21h00, com a sessão aberta à comunidade “Educar pela Positiva: missão (im)possível?”, dinamizada por Nuno Pinto Martins, formador certificado e fundador da Academia Educar pela Positiva. No sábado, o foco recai sobre a comunidade educativa com uma sessão de abertura que contará com a presença do presidente da FAPA, Pedro Tavares, da vice-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Délia Melo, e da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro. Ao longo do dia 30, serão realizados debates e grupos de trabalho em formato world café sobre temas como literacia digital, mediação parental e o fortalecimento do movimento associativo, contando com a participação do diretor regional da Educação, Rui Espínola.

De acordo com a nota de imprensa da organização, os trabalhos de sábado resultarão na compilação de um “Guia de Ativação Parental”, que reunirá medidas concretas a propor à comunidade educativa. O encerramento do encontro acontece no domingo, dia 31 de maio, com a realização da primeira Assembleia Geral presencial da história da FAPA, agendada para as 09h30, onde será formalmente aprovado o documento resultante dos debates dos dias anteriores. O evento conta com o apoio de diversas entidades, incluindo o Governo dos Açores e a Câmara Municipal da Ribeira Grande.