
A coragem de não agradar, parte do pressuposto da ânsia alheia de juízos subestimados entre o sofá e um encosto, isto é, sarcasticamente subjugando metáforas de quem julga de fora.
A Marta – É a primeira vez que falo de e por alguém. Não que, de intermédios necessite.
Creio que, por muitas cabeças, é conhecida pela mulher de um jogador profissional iraquiano, Osama Jabbar Shafeeq Rashid. Atualmente no Erbil Sport Club em meia posição, de pé destro. Outrora fosse, sem desmerecimento, de quem venho falar.
A Marta – a quem prometi dar tinta para canhões – empresária, mãe de dois, e então mulher do Rashid, sobressaiu-me entre conversas de como é ser, no mais íntimo possível, mãe de um menino com espectro do autismo (não verbal).
O Noah, nasceu em plena pandemia. Não olhar para as outras crianças e abanar com as mãos quando entrava na água, foram os primeiros sinais de alerta.
A Marta desistiu da sua carreira, para acompanhar o Osama que, na altura, estava a morar no Dubai.
Não fazia sentido ficarem separados. Tinham um bebé pequeno e entre ficar nos Açores, a deixa-lo numa creche para ir fazer turnos na companhia aérea, optou pela sua felicidade: ficarem todos juntos. Já moraram na Turquia, nos Emirados Árabes Unidos, em Portugal e, atualmente, no Iraque.
Para além de estarem a viver num país de extrema pobreza, culturalmente muito difícil de contornar, o mais difícil é não existirem estruturas de suporte para o Noah. Não dormir, ter insónias, são uma constante nos seus dias. Dorme cerca de quatro a cinco horas.
Atualmente pondera o seu regresso a Portugal, para garantir toda a dinâmica devida do dia a dia do Noah: creche, terapia ocupacional, da fala e musicoterapia.
Admira-me a sua leveza, aparente, de viver a vida. Afinal, ser mãe atípica é combater todos os estereótipos ainda que, para isso, seja necessário dar a volta ao mundo.
A Marta, transborda um exemplo de empatia, sororidade. É mais do que a mulher de um futebolista, até porque a carreira no futebol não vai a prolongamento e, no final de contas, o que conta e cura: o amor.
Será sempre mais fácil render uma guerra, do que predominar a subtileza de enfrentar estigmas na maternidade. Lamentavelmente fomentados de mulheres para mulheres, onde um mero comentário advindo de um ser mortal – essa parte acho que não tem noção – paira no embale de tantos outros. É quase como levar um tiro, mas a dor é maior – profunda.
Escrever tanto em pouco texto, não é, de todo, tarefa fácil, sobretudo quando se começa com a conclusão moral do início para o fim.