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Escola é porto de abrigo para o conhecimento

Sob o lema “Mar de Letras”, a Semana da Leitura da EBI de Lagoa uniu literatura, ciência e artes cénicas para envolver toda a comunidade educativa num projeto de valorização cultural que superou as barreiras da insularidade

Docentes interpretaram peça de teatro © ALDA CARRASQUEIRA

No coração do arquipélago, a Escola Básica Integrada (EBI) de Lagoa provou que a criatividade é a melhor bússola para encontrar novos mundos. Sob a coordenação de Alda Casqueira Fernandes, educadora de infância e responsável pela biblioteca escolar da EBI de Lagoa, a instituição levou a cabo uma nova edição da Semana da Leitura que, este ano, navegou pelo mote “Mar de Letras”. Esta iniciativa, que já se tornou um pilar fundamental no calendário pedagógico da região, não se limitou ao ato de ler, mas expandiu-se como um movimento multidisciplinar. Alda Casqueira Fernandes diz que se trata de uma “mescla de atividades que todas caminham no sentido da leitura”, procurando colmatar o facto de que, “estando numa ilha, num arquipélago, não é muito fácil termos contacto próximo com escritores”.

A docente explica que o conceito deste ano foi desenhado para abraçar a identidade da instituição como “Escola Azul”. Ao assumirem o compromisso com a preservação dos oceanos, a biblioteca decidiu que o livro deveria ser o barco que transporta os sonhos. O cenário central foi o “Bibliobarco”, uma peça pintada pelos alunos que serviu de metáfora para a própria vida. Segundo a coordenadora, o objetivo foi fazer a leitura não apenas dos textos, mas “também de modos de vida, de modos de estar na vida, formas de conhecer o outro”. A responsável recorda que a escolha do tema foi estratégica, pois “o barco poeticamente é capaz de fazer muita coisa. Podemos embarcar com os nossos sonhos, podemos embarcar na leitura”. A professora refere que “as letras por vezes andam à deriva, os livros às vezes andam à deriva também e alguém ainda não encontrou o seu livro favorito”, sendo esta semana a oportunidade ideal para esse encontro.

A programação foi um exemplo de como a educação pode ser multifacetada. A abertura contou com o Exército Português e o projeto “Missões de Paz”, seguida por sessões de ciência pelo Expolab e encontros com autores locais como Ana Isabel Arruda. Alda Casqueira Fernandes destacou ainda o projeto “Canta Comigo, Leia Contigo”, que há dez anos promove o livro na escola, e que incluiu uma sessão noturna para adultos intitulada “Ler e Contar Custa é Começar”, onde se partilharam “visões acerca do livro, experiências, memórias, afetos, tudo em volta do livro”. Para a responsável, o sucesso é visível na adesão dos estudantes, embora confesse uma limitação física: “Nunca conseguimos chegar a todos, porque nós somos uma escola com sete edifícios e numa semana nós não conseguimos neste espaço tão pequeno, que é a nossa biblioteca, tão pequeno mas tão acolhedor, comportar todos os alunos”. O desejo de uma nova escola, é antigo: “seria um sonho termos uma escola nova onde pudessem todos participar e todos caber”.

A celebração atingiu o seu auge no Dia Mundial do Teatro, com a peça “A Capuchinho Vermelho na Floresta de Água”, produzida inteiramente pelos educadores da EBI de Lagoa. “Desde cenografia, sonoplastia, tudo foi feito por nós”, realça com orgulho, evidenciando o espírito de entrega da equipa. Além das artes, a tecnologia marcou presença com lembranças produzidas em impressoras 3D. Com a entrega dos prémios “Top Leitor”, a Semana da Leitura encerrou com a certeza de que, através deste “Mar de Letras”, a escola cumpriu a sua missão de ser uma espécie de “farol do conhecimento”. 

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