Vesti cueca branca no 1º de janeiro

Os últimos minutos do ano velho e os primeiros do ano novo são sempre momentos de alguma frustração para mim. Confesso que faz-me confusão, ver perto e longe de mim, cristãos, submeter os seus sonhos e desejos, para o ano novo, a práticas de superstição vazias de Cristo. Elas são as doze passas, a cueca azul, ou sei lá mais o quê…
Desculpem a sinceridade, mas estas crendices revelam uma infantilidade na fé de muitos que se dizem cristãos. Se nós temos a alegria e a graça de ter um Deus que se fez próximo de nós, em Jesus Cristo, e que nos oferece continuamente força, ânimo, esperança pela Palavra e pelos Sacramentos e pela prática da Caridade, como podemos acreditar que existe alguém (ou algo) mais forte do que Jesus?
Nem sempre o fiz, mas aprendi que não há ninguém que possa ocupar a primazia do seu lugar e importância para mim. Por isso, findas as doze badaladas o meu supremo pensamento é para Deus, consagro o ano que se inicia Àquele que verdadeiramente me pode guiar e proteger todos os dias. Faço-o, em silêncio, ainda antes de saudar todos os que estão à minha volta, porque por mais importantes que sejam – e de facto são a minha maior riqueza – nenhum deles existe antes e acima de Deus.
No dia 1 de janeiro de 1976, fui revestido de Cristo pelo Batismo e como sinal da dignidade cristã que recebi neste sacramento, vestiram de branco da cabeça aos pés. Por isso, vesti cueca branca no primeiro de janeiro, e desde então não quero saber destas superstições, basta-me hoje e sempre: Jesus Cristo!

Pe. Nuno Maiato

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de janeiro de 2020)

Categorias: Opinião

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