Verão é sinónimo de lazer

Joana Simas
Museóloga

A pandemia que atravessamos está a trazer consequências nefastas na economia mundial. Em Portugal, os números são assustadores nas várias áreas. No setor cultural os efeitos são sem precedentes e há uma urgente necessidade de investir neste setor a vários níveis.

No que toca aos museus, o número de visitantes diminuiu, não só por questões sanitárias, mas sobretudo porque houve quebras nos fluxos turísticos, ou não fosse a maior percentagem dos visitantes ser do exterior e Portugal estar na lista negra de alguns países. Esta diminuição de público leva a uma menor receita o que fará com que alguns museus fechem portas por não conseguirem suportar os custos de toda a manutenção.

Face a esta situação os museus estão a adaptar-se aos novos desafios. Adiaram ou cancelaram inaugurações de exposições temporárias, espetáculos e outros eventos, reduziram a lotação máxima no espaço, limitaram o acesso a certas salas e condicionaram o manuseio de certos equipamentos interativos.

Numa altura em que se apela à compra de produtos portugueses, ao fazer férias dentro do próprio país para reativar a economia nacional, há que aproveitar essa chamada e incentivar a população a visitar os museus locais que estão devidamente preparados para receber visitantes, cooperando assim para a sua dinamização e concretização dos objetivos propostos por cada instituição museológica.

O Governo Regional dos Açores lançou um programa de apoio ao turismo interno, algo desejado há muito pelos açorianos. Apesar de existirem alguns requisitos para obtenção deste apoio que pode ir até aos 150 euros para cada açoriano maior de 12 anos, não deixa de ser um bom incentivo para conhecer outras ilhas que não a de residência. E em cada ilha, novas descobertas esperam por quem as quer descobrir. Novos museus que contam a história de cada ilha, que é nada mais nada menos que a história do povo açoriano.

No meio de tanta turbulência existem pontos positivos para as visitas em plena pandemia, começando por um melhor usufruto dos espaços, por não haver multidões, nem filas de espera e com medidas de segurança rígidas.

Assim, e cumprindo com as orientações que forem dadas à entrada de cada espaço museológico, podemos aproveitar o tempo de lazer que o verão nos permite, para explorar novos espaços, quem sabe até viajar no tempo, sem perigo para a saúde pública, adquirindo novos conhecimentos para uma maior compreensão do mundo atual.

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de agosto de 2020)

Categorias: Opinião

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