Velhas e novas “espécies de vegetação rasteira”!

Alexandre Oliveira

Professor

Os caminhos e estradas da ilha estão lentamente a retomar o aspeto que encanta todos quantos por eles passam, seja de carro, de bicicleta ou a pé. A profusão dos verdes compõe o fundo onde nesta altura reinam as hortênsias que emprestam um colorido ondulante que se perde na paisagem. São jardins de encanto que se estendem por quilómetros.

Tal como tinha escrito num artigo anterior, a natureza tem o seu ritmo e esperou por nós! Mas parece que continuamos a persistir em velhos hábitos e continuamos a feri-la gravemente. O movimento de pessoas e carros, antes da pandemia, atingiu uma tal dimensão que se tornou necessário proceder a uns quantos ajustamentos no que respeita às visitas e circulação em diversos espaços para não se hipotecar a sustentabilidade.

Nessa altura assistiu-se ao aparecimento do que apetece chamar “novas espécies de vegetação rasteira”. Na verdade, por muitos caminhos e miradouros viam-se “florescer” cartuchos de papel, copos de bebidas, com e sem palhinha, embalagens de hambúrgueres e batatas fritas, conferindo um colorido muito desagradável que entristecia a vegetação circundante. Muitos diziam que eram os turistas que procediam a estas estranhas e indesejadas “plantações”, que aconteciam sobretudo nas madrugadas dos fins de semana. Neste momento, a economia ressente-se com a falta de turistas, mas nos caminhos e miradouros continua a nascer esta “vegetação” daninha.

Vemos agora também “nascer” mais duas espécies daninhas que muito rapidamente estão a chegar a diversos espaços e não precisam de terrenos muito férteis ou de grande cuidado para nascer. São brancas, são azuis, são verdes e parecem querer rivalizar com as hortênsias que falávamos há pouco. Dificilmente o conseguirão, mas ferem a paisagem e representam mais um elemento de perturbação da natureza que queremos afirmar imaculada. Na verdade, a via pública não é o melhor local para inutilizar as luvas e máscaras descartáveis que temos de usar.

Estas “novas espécies” de ervas daninhas têm um processo de crescimento, ou melhor, de aparecimento curioso. Umas nascem predominantemente durante a noite, outras durante o dia! Mas o efeito perturbador sobre a paisagem é o mesmo.

Sejam quem for os responsáveis por estas “plantações” seria importante que pensassem que não há a possibilidade de aplicar qualquer herbicida e também não podemos aguardar qualquer vacina milagrosa que mude estes hábitos. Está na hora de cada um pensar que todos os contributos são importantes para continuar a fazer dos nossos caminhos e miradouros os mais bonitos e agradáveis. Para os turistas? Sim, mas também para os residentes e, sobretudo, para a própria natureza.

Por isso, apetece dizer que se dispensam mesmo estas velhas e novas “espécies de vegetação” que infelizmente parecem ter chegado para ficar.

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de agosto de 2020)

Categorias: Opinião

Deixe o seu comentário