Uma história, um obrigada… ao Pardal

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Texto de Sara Pimentel

Há poucos dias atrás, sim, porque o tempo passa e passou rápido demais, portanto, há sensivelmente seis anos, quando ainda não conhecia o que hoje é a minha fonte de vida, muitas questões surgiram. A quem vou confiar o meu filho? Quem cuidará dele tão bem como eu? Enfim, decisão difícil… quando não temos outra solução. Foi então que me inspirei na antiguidade da instituição Centro Social de Nossa Senhora do Rosário, na valência da Creche e Jardim de Infância O Pardal. Conhecida creche, conhecidos funcionários e até mesmo conhecidos alguns laços de amizade e de proximidade familiar.

E assim foi, decisão concertada no seio familiar e inscrição prévia para salvaguardar vaga. O tão esperado dia chega e, posteriormente, a disponibilidade de vaga garantida. Quando tudo estava preparado e organizado para a tão esperada (embora com o coração apertado) entrada na creche, foi então que o diagnóstico de uma displasia acentuada da anca iria inviabilizar a entrada na creche. Problema não haveria se a situação fosse de fácil resolução e se os atestados de assistência à família fossem suficientes. No entanto, avizinhavam-se longos meses de tratamentos, de intervenções cirúrgicas e de gessos em abdução total dos membros inferiores, enfim, uma grande preocupação.

Na impossibilidade de não ser possível o total afastamento de ambos os pais das suas responsabilidades profissionais, foi feita a primeira tentativa de perceber se O Pardal aceitaria abraçar tamanha responsabilidade: cuidar de um bebé completamente imobilizado por calção gessado, sem uma normal colocação de fralda nem de posições corporais normais. O “não” estaria garantido e, claro, a nossa total compreensão pela suposta decisão institucional, pois o panorama era assustador. No entanto, tal foi o espanto quando depois de tomarem conhecimento da situação, e perante olhares assustados e afrontados pela incerteza de não conseguirem dar conta do recado, recebemos palavras de conforto e de prontidão para a total colaboração da instituição.

Começamos, então, em parceria, a proceder a diversas adaptações, nomeadamente de materiais, de rotinas diárias, ou seja, todo o funcionamento da dinâmica diária foi cuidadosamente revisto e adaptado às circunstâncias. Medos, receios, aventuras e aprendizagens foram os passos que guiaram até ao presente, a caminhada árdua de uma criança que agora está a terminar o seu percurso no Pardal e que vê a sua situação ortopédica resolvida.

O bebé frágil que inspirava cuidados redobrados agora dá lugar a uma criança traquinas, alegre, divertida e claro está, como não podia deixar de ser, uma criança super energética. Analogamente, o Pardal deu asas a esta criança e ajudou-a a voar mais alto. Não queremos falar em nomes, nem em funcionários, nem especificar este ou aquele, mas sim falar do bom nome do Pardal como instituição que serve a Lagoa há várias décadas. Instituição preocupada não só com seu cariz educacional como também com o seu cariz cuidador e protetor. Souberam e sabem sempre fazer o melhor, o ex-libris de excelência é sem dúvida a alimentação, a higiene, a afetividade e, também, sim, porque é preciso, o estabelecimento de normas e condutas comportamentais adequadas a um bom cidadão.

Agradeço por tudo aquilo que fizeram e fazem. Penso que mais do que prendas, chocolates e flores, o reconhecimento público é de certo a melhor forma de agradecer e enaltecer os serviços desta instituição. Bem haja à Creche e Jardim de Infância O PARDAL.

Publicado na rubrica «Cartas» da edição impressa de agosto de 2022

Categorias: Opinião

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