Tudo por um pedacinho de Pão

João Ponte

Padre

Na primeira quinzena do mês passado realizaram-se no Concelho da Povoação as Festas do Corpo de Deus. Eu ainda mal sabia o que era o mundo e já nos meus ouvidos ressoava a fama destas Festividades.
Apenas há cerca de seis anos pude ver com os meus olhos o que havia recebido como testemunho. As Festas do Corpo de Deus são realmente magníficas e os seus esplêndidos tapetes de flores atraem uma multidão de crentes e curiosos que se deixam fascinar por tamanha beleza. Este ano, pelas razões conhecidas, não foi possível a Festa nos moldes habituais. Não houve tapetes de flores, foguetes, bandas de música, nem Procissão ou arraial. Nem mesmo a grande multidão de crentes ou curiosos acorreu à Vila Povoacense e, para muitos, não houve festa.
Há dias veio-me à memória a minha professora de Latim que insistia connosco, e bem, para que conhecêssemos a etimologia das palavras e a origem das coisas. Comecei a pensar no que originou a Festa do Corpo de Deus e fiquei fascinado pela redescoberta que fiz, como se de algo de novo se tratasse. Afinal, a Vila da Povoação transforma-se num verdadeiro jardim paradisíaco em Festa por causa de um pedacinho de pão, que talvez seja a matéria mais pobre em comparação com toda a beleza que envolve a Vila naqueles dias. Mas, para muitos, Aquele pedacinho de Pão é o mais importante da Festa, pois trata-se de Jesus Cristo, Deus connosco, professado como tal pela Fé na Eucaristia. Por causa Dele, várias pessoas doam-se constantemente, tornando-se pão partido e repartido para alimentar a fome de muitos.
Há muita fome, não apenas de comida, mas também de presença e de amor. E bastará, um pedacinho de pão para fazer toda a diferença na vida daquele que tem fome. Sim, apenas um pedacinho de amor e a vida acontecerá. Afinal, todos necessitamos de um pedacinho de pão para podermos viver.

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de julho de 2020)

Categorias: Opinião

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