Trabalhadores do Teatro Micaelense exigem salários justos

© CM PONTA DELGADA

Os trabalhadores do Teatro Micaelense manifestaram, em comunicado, o seu descontentamento com a proposta do governo regional dos Açores para a Cultura, que consideram ser uma “afirmação clara da desvalorização do setor, consubstanciada na verba destinada ao financiamento desta instituição pública.”

A dotação de 650 mil euros, pelo segundo ano consecutivo, apresentada na anteproposta do plano regional anual 2023, é “manifestamente insuficiente para garantir o normal funcionamento da instituição e para o cumprimento da sua missão de serviço público”, acrescentam.

Para além disso, entendem que “o exíguo valor a atribuir demonstra ainda uma total desconsideração pelas dificuldades e aspirações dos trabalhadores do Teatro Micaelense que, nos últimos três anos, têm exposto junto do governo regional, por contatos diretos com as sucessivas tutelas, o grave e crónico problema de baixos salários nesta instituição, que se mantêm praticamente inalterados desde 2008.”

Mais acrescentam que “numa importante casa de espetáculos e centro de congressos, que colhe o reconhecimento público pelo bom desempenho dos seus profissionais, este reconhecimento nunca se traduziu, para estes trabalhadores, em qualquer progressão numa carreira criada em 2008, nem na consequente melhoria da sua condição salarial.”

“A situação, que afeta os vinte trabalhadores da instituição, é particularmente gravosa nos casos de maior antiguidade: quinze destes trabalhadores têm um vínculo laboral superior a dez anos. Para nove, os anos ao serviço do Teatro Micaelense são dezoito ou mais. Dos vinte trabalhadores da estrutura tutelada pelo governo regional dos Açores, 90% têm um salário base de menos 1040 euros mensais. Metade dos trabalhadores do Teatro Micaelense recebe o ordenado mínimo, incluindo-se nesta situação técnicos especializados”, pode ler-se no comunicado.

Neste quadro, concluem, “o financiamento para o Teatro Micaelense inscrito pelo governo regional na sua proposta de orçamento para 2023 surge como mais uma espessa camada de preocupação e de desesperança, a somar ao desânimo acumulado pelo longo tempo passado sem soluções e à vulnerabilidade gerada pela difícil conjuntura atual.”

A confirmar-se, este desinvestimento não deixa lugar para o presente, pela justa remuneração do trabalho feito, nem abre espaço para o futuro, pela criação de um plano de progressão de carreiras, que fixe condições laborais que respeitem os direitos e satisfaçam as legítimas aspirações dos profissionais do Teatro Micaelense.

Categorias: Cultura

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