
Padre André Furtado
Meus queridos irmãos e irmãs,
Esta é a noite mais santa, mais luminosa, mais cheia de esperança de todo o ano! Esta é a noite em que o impossível aconteceu: Cristo venceu a morte! Esta é a noite em que a luz rompeu a escuridão, a vida triunfou sobre o túmulo, e a alegria brotou do silêncio da cruz.
Cristo ressuscitou! Aleluia!
Depois do silêncio pesado da Sexta-feira, depois da dor do Sábado da espera, chega o Domingo antecipado na esperança desta Vigília. A pedra foi removida. O túmulo está vazio. Onde está, ó morte, a tua vitória? O nosso Deus não ficou preso na morte.
ELE VIVE! E COM ELE, NASCE UMA NOVA HUMANIDADE.
O que celebramos hoje não é apenas um momento bonito da nossa fé, é o seu coração palpitante. A ressurreição não é só um final feliz – é um novo começo, uma página em branco repleta de promessas. Deus surpreende-nos, mais uma vez, com a sua criatividade divina: transforma a cruz em trono, a morte em passagem, o túmulo em berço de vida nova!
Nesta noite, começámos no escuro. A Igreja mergulhada em silêncio, como o mundo sem Deus. Mas eis que se acende o fogo novo! A chama da esperança! A luz entra na igreja com o círio pascal – Cristo, luz do mundo – e nós, pouco a pouco, vamo-nos acendendo uns aos outros. Que imagem tão bela da fé! A luz de Cristo não se guarda – partilha-se, multiplica-se, espalha-se!
Hoje ouvimos a grande história da salvação: Deus nunca desistiu de nós. Nunca! Desde o início da criação, passando pelos patriarcas, pelos profetas, pelos vales e desertos da história… o amor de Deus foi sempre mais forte do que o nosso pecado.
E culmina nesta noite: Jesus Cristo entrega-se totalmente e, com Ele, recebemos o dom da vida eterna!
Mas atenção, irmãos: a ressurreição não é uma recordação do passado, é um convite para o presente. Há quem viva como se Cristo ainda estivesse no túmulo. Há quem ande preso ao medo, ao ressentimento, à tristeza, à culpa. Mas esta noite diz-nos que não estamos sozinhos! A luz venceu. A esperança tem a última palavra.
Hoje somos chamados a levar esta luz ao mundo! A mostrar que vale a pena viver com fé, com amor, com coragem. A testemunhar que a morte não manda em nós. Que a rotina não nos adormece. Que a última palavra é sempre de Deus – e a Sua palavra é Vida!
Queridos irmãos e irmãs, nesta noite renovamos o nosso batismo, recordamos que morremos com Cristo para ressuscitar com Ele. Deixemos para trás a vida velha, o egoísmo, a indiferença, a tristeza. Hoje começa uma nova vida! Uma vida com Cristo, em Cristo, por Cristo. Que esta noite nos transforme! Que a alegria da ressurreição penetre no mais fundo do nosso ser. Que as nossas feridas se deixem tocar pela luz do Ressuscitado. Que saiamos daqui com o coração a arder e os lábios a proclamar:
Cristo vive! Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!
Uma Santa e Feliz Páscoa.
Rezai por mim.

Passados os dias da quaresma, onde durante 40 dias nos fomos preparando, deixando atitudes, gestos e palavras que não nos dignificam mas que apenas nos diminuem enquanto seres humanos e cristãos, eis que ressoa bem alto o anuncio da Páscoa do Senhor: O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia, aleluia.
A Páscoa, centro de todo o ano e da vida cristã, é a festa da vida que faz brotar, em cada um, a alegria de quem é salvo por um Amor Maior. Este amor é demonstrado na maior prova que pode existir: Jesus deu a vida por nós.
Compadecemo-nos muito com a Sua Paixão e Morte. De facto, são episódios do caminho de Jesus ao encontro de cada um, são passos que Ele dá por amor de nós, que nos faz querer estar presentes. Tal como acontece quando morre um familiar e amigo. Marcamos presença na última despedida.
A vida não fica na Sexta-feira Santa, com a morte de Jesus. A Páscoa é vida. Nela celebramos a vitória da vida sobre a morte. Nela Jesus dá a sua vida humana, para que nós tenhamos a vida divina. Por Jesus, com Jesus e em Jesus, a vida não termina com o desaparecimento dos nossos corpos mortais. Para quem crê “a vida não acaba, apenas se transforma”. Passamos a estar com Deus e em Deus.
Jesus está vivo! É o que ressoa na Páscoa. Esta vida também simbolizada pelo comércio dos ovos e dos coelhos, tem o seu centro numa Cruz vazia, sinal da vida doada que brota do Amor generoso de Deus.
Desta vida nova, brota no coração de cada crente a esperança, em particular dos mais desprotegidos e dos que sofrem, que existe algo mais para além do sofrimento, da doença, das guerras e do abandono. Como nos diz o Papa Francisco “No meio das múltiplas dificuldades que estamos a atravessar, nunca esqueçamos que fomos curados pelas chagas de Cristo (cf. 1 Ped 2, 24). À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. E, agora, rezemos para que os efeitos benéficos daquela cura se espalhem por todo o mundo.”
Sem a ressurreição a Igreja nada mais é que uma multinacional e a fé um regulamento interno, que orienta as ações de cada cristão. Sem a ressurreição cada cristão é um repetidor oco de coisas passadas e de Jesus histórico que já não transforma a nossa vida nem nos convence a viver o Seu mandato: “Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu vos fiz, vós façais também” (Jo 13,15).
A todos desejo uma feliz e santa Páscoa, do Senhor vivo e ressuscitado.