
Decorreu no passado dia 21 de outubro mais uma caminhada “Outubro Rosa” pela prevenção do cancro da mama no Nordeste.
O evento realiza-se no concelho desde 2022 e foi organizado pela autarquia com a colaboração do Centro Desportivo e Recreativo do Nordeste tendo a caminhada tido “muita participação de pessoas solidárias com a causa” pode ler-se no comunicado de imprensa da Câmara Municipal do Nordeste.
O vice-presidente e a vereadora com o pelouro da Ação Social, Marco Mourão e Sara Sousa, associaram-se à caminhada que percorreu várias artérias da sede do concelho entre a Praça da República e o Miradouro da Vista dos Barcos.
Em apoio ao Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, foram vendidas várias t-shirts, fornecidas pela própria Liga para assinalar a iniciativa Outubro Rosa pela prevenção do Cancro da Mama.
Indo ao encontro do propósito da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o município pretende com a sua colaboração “informar a população, sobretudo as mulheres, sobre a importância da prevenção do cancro da mama, através do autocuidado, de consultas regulares com o médico de família ou médico da área da ginecologia, e sempre que ocorra alguma anormalidade na mama, além da participação nos rastreios que são periodicamente realizados pelo Serviço Regional de Saúde”.

Luís Bernardo
Especialista em Cirurgia Geral com competência em Senologia
no Hospital CUF Açores
Tradicionalmente, o cancro da mama era associado a mulheres no pós-menopausa. No entanto, uma tendência global e preocupante aponta para o aumento do número de casos em mulheres cada vez mais jovens, abaixo dos 40 ou 45 anos e ainda em idade pré-menopáusica. Estes diagnósticos representam um desafio único pelos aspetos biológicos, clínicos e psicossociais envolvidos.
Estudos em vários países, incluindo Portugal, revelam um aumento ligeiro mas constante da doença em idades abaixo dos 50 anos. As razões não são totalmente claras, mas ligam-se a fatores de risco modificáveis. Muitas vezes, estas mulheres são diagnosticadas em estádios mais avançados da doença, considerando que a mamografia só é recomendada a partir dos 45-50 anos, e que a densidade mamária pode mascarar lesões que, nesta faixa etária, tendem a ser mais agressivas.
Face a esta realidade, há aspetos fundamentais a reter quando falamos em deteção precoce, a começar pela consciencialização: a auto-palpação regular e a atenção a sinais como nódulos, alterações da pele ou do mamilo devem ser valorizadas, mesmo sem antecedentes familiares. Também a Imagiologia tem um importante papel na deteção precoce do cancro da mama, sobretudo em mulheres com forte história familiar ou mutação genética conhecida, uma vez que a ressonância magnética mamária é mais eficaz do que a mamografia ou a ecografia em mamas densas. É também aconselhada a realização de testes genéticos, cada vez mais comuns em doentes jovens, considerando o impacto que estes testes podem ter nas decisões terapêuticas e na prevenção familiar.
Importa também falar da prevenção desta doença oncológica. Reduzir o consumo de álcool, manter um peso saudável, praticar exercício físico regular e promover a amamentação são medidas protetoras. Para mulheres portadoras de mutações, podem ainda ser consideradas estratégias de redução de risco, como a mastectomia profilática, sempre avaliadas em consulta especializada.
Um fator que merece destaque é o tabagismo. Embora a relação entre fumar e cancro da mama tenha sido durante muito tempo discutida, a evidência atual mostra um aumento de risco entre 10% e 15%, sobretudo quando o hábito começa antes do primeiro parto. O tecido mamário jovem, ainda em diferenciação, é mais vulnerável aos agentes cancerígenos. Quanto maior o número de cigarros e o tempo de consumo, maior o risco. Mesmo o fumo passivo aumenta a probabilidade da doença em mulheres expostas desde cedo.
O papel dos cigarros eletrónicos e do tabaco aquecido ainda não está totalmente esclarecido, mas os líquidos usados contêm nicotina e outros químicos nocivos, levantando sérias preocupações quanto à saúde mamária. A recomendação é clara: evitar também estas formas de consumo, especialmente por mulheres jovens.
Embora o risco associado ao tabaco seja inferior ao que se verifica no cancro do pulmão, ele é real e relevante. Deixar de fumar – ou nunca começar -, é uma das medidas mais importantes para reduzir a probabilidade de desenvolver cancro da mama e para melhorar o prognóstico em caso de diagnóstico da doença. Os benefícios de parar de fumar iniciam-se de imediato e aumentam com o tempo.
Em conclusão, mudar aquilo que podemos mudar e vigiar aquilo que devemos vigiar é uma mensagem simples, mas que pode vir a salvar vidas.

O mês dedicado à prevenção do cancro da mama vai ser assinalado pela Câmara Municipal de Lagoa com um conjunto de atividades de sensibilização e de partilha, que decorrerão entre os dias 16 e 18 de outubro, envolvendo a comunidade, instituições locais e funcionários municipais.
Uma das iniciativas a realizar será a criação do laço humano, para o qual foi lançado um convite aos Centros de Tempos Livres (CTLS); às avós do projeto “A Avó Veio Trabalhar” e aos Centros de Dia de Idosos do concelho, para participarem, utilizando uma peça de roupa ou acessório de cor rosa — símbolo universal da luta contra o cancro da mama.
Neste mesmo dia, as crianças dos Centro de Atividades de Tempos Livres terão a oportunidade de ouvir a história “Os Superpoderes da Júlia”, um audiolivro infantil da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que narra a história de uma menina alegre e corajosa e do seu pai lutador, que enfrentam o cancro com amor e esperança.
Na sexta-feira, dia 17 de outubro, será instalado na receção da Câmara Municipal da Lagoa um Mural de Mensagens Positivas, onde cada munícipe poderá deixar uma palavra de incentivo, reflexão ou testemunho sobre a importância da prevenção. Os funcionários do edifício municipal irão também unir-se nesta causa, formando um laço humano, demonstrando o apoio coletivo à luta contra o cancro da mama.
As iniciativas culminam no sábado, dia 18 de outubro, com um programa conjunto que alia saúde, movimento e partilha de experiências, numa parceria entre a Câmara Municipal de Lagoa e o Hospital CUF Açores.
Nesse contexto, a partir das 10h00, irá decorrer uma Caminhada Solidária, com início na Avenida Vulcanológica e fim no hospital CUF Açores, sendo que, pelas 10h40, no auditório desse estabelecimento hospitalar será dado um lanche saudável, seguido de várias palestras, dedicadas ao tema “Cuidar de si: prevenção, testemunhos e meditação”.
A partir das 11h10, a enfermeira Érica Sousa, do Hospital de Dia de Oncologia da CUF Açores, irá abordar o tema “Prevenção do Cancro da Mama e Autoexame”, seguindo-se dos testemunhos de Filomena Gouveia e de Sandra Borges.
Pelas 12h00, decorrerá a palestra denominada “Energia Positiva: Autocuidado e a Meditação”, proferida pela enf. Ana Mécia, do Centro de Terapias Naturais dos Açores.