Setor Agrícola tem um peso importante na Lagoa

Apesar de não ser falado, o setor agrícola tem um peso muito importante no concelho de Lagoa. Santa Cruz, Cabouco e Água de Pau são zonas importantes do ponto de vista agrícola, sedo que a maior exploração leiteira da ilha está localizada exatamente neste concelho.

Segundo César Pacheco, presidente da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), esta é uma situação que por vezes é esquecida.

Falando ao Jornal Diário da Lagoa, o dirigente associativo, recorda que geralmente a Lagoa é falada apenas do ponto de vista turístico, da restauração o da sua atividade piscatória, mas neste concelho existem muitos bons agricultores.

César Pacheco diz ser importante acompanhar e perceb4er o trabalho que tem sido feito, numa visão interessante do que tem sido feito pelo produtor agrícola lagoense.

O presidente da AJAM diz mesmo que “vejo a Lagoa como um conselho desenvolvido na agricultura”.

Por outro lado, recorda ainda o facto de, na Lagoa, estar a fábrica da PROLACTO, que acaba de ser vendida a um grupo internacional. Considera ser uma oportunidade agora surge, deixando o desafio para que esta indústria possa abrir portas aos produtores.

Embora a Quantum Capital Partners, companhia internacional de investimento baseada em Munique, na Alemanha, que adquire o negócio, expressou as suas intenções de alavancar a total capacidade de produção da fábrica para produzir leite em pó e desenvolver o respetivo portefólio, bem como continuar a desenvolver parcerias de negócio com os produtores de leite locais e as respetivas cooperativas.

César Pacheco diz que há que estar atento ao desenvolvimento deste negócio, sendo uma grande oportunidade para o produtor lagoense.

Falando ao Jornal Diário da Lagoa, em balanço aos dois anos à frente da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), César Pacheco faz um balanço positivo desta sua nova etapa como dirigente associativo.

“Olhando para trás, claro que faço um balanço positivo, com um percurso que acaba por ser interessante, porque tem a ver com a minha atividade profissional, e depois toda a grande envolvência do setor e o meu próprio crescimento do setor”.

Segundo César Pacheco, denota-se um crescimento na atividade assim como na própria associação.

Preço do leite continua baixo

Falando sobre o setor leiteiro, o presidente da AJAM reconhece os níveis de qualidade da produção micaelense, mas admite que o preço que é pago por litro aos produtores continua abaixo do desejado e do valor justo, e este tem sido uma das grandes lutas da associação, no sentido de reivindicar um aumento justo.

César Pacheco acredita que se não fosse o poder reivindicativo das associações, o preço poderia ser ainda pior, mas a luta, essa, continua, pela justiça no setor.

Atualmente o pagamento está cerca de dois cêntimos abaixo do que devia. “Considero que o preço médio abaixo dos trinta cêntimos é complicado para os produtores. Nos últimos dois anos, se fizermos contas aos dois cêntimos em média por litro, serão muitos milões perdidos a favor dos produtores”.

Segundo o presidente da AJAM, em Portugal, existe uma grande desunião em termos da indústria, e isso tem sido um grande entrave, e lamento a facto de haver indústrias que colocam tetos à própria produção.

César Pacheco admite que a própria distribuição também poderá ter uma quota parte de culpa sendo que, a solução, só será possível com uma união entre todos, com uma estratégia que beneficiasse a produção, a industria e a distribuição.

O presidente da AJAM considera que deveria haver um preço mínimo de venda ao consumidor e aos produtores, adiantando que o preço que é pago pelo consumidor e baixo face à qualidade do leite produzido na região.

“Pagar cerca de 60 cêntimos por um litro de leite penso que já é um preço justo, mas pagar 44 ou 46 cêntimos por litro, já não é um preço justo. O consumidor está a comprar barato para a qualidade produzida, e tudo isto acaba por prejudicar unicamente o próprio produtor”.
Por outro lado, César Pacheco fala igualmente da relação que tem havido ente a Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM) e a Associação Agrícola de São Miguel (AASM) que considera de cordial, com um poder reivindicativo a uma só voz, o que, segundo diz, faz todo o sentido que assim seja. “É o que faz falta aos restantes, haver consonância nas revindicações”.

DL

(Artigo publicado na edição impressa de julho de 2018

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