Semana Europeia da Democracia Local – Cerimónia inaugural das Sessões de Educação Política e para a Cidadania

A Câmara Municipal de Lagoa e a Escola Secundária de Lagoa assinalaram a Semana Europeia da Democracia Local com uma sessão que decorreu dia 16 do corrente, no auditório daquele estabelecimento de ensino.

O encontro constituiu o momento inaugural das Sessões de Educação Política e para a Cidadania, projeto que as duas entidades já desenvolvem há alguns anos, e que agora se inicia por mais um biénio com a participação de todas as turmas do 10.º ano de escolaridade. O conferencista convidado foi Álvaro Monjardino que apresentou uma comunicação intitulada “Os Açores e a sua Governação: 3 tentativas “.

A sessão foi aberta por Jorge Botelho, presidente do Conselho Executivo da escola, que deu as boas-vindas a todos os presentes, e enalteceu a parceria estabelecida entre as duas instituições que, nomeadamente neste projeto, contribui para os objetivos pedagógicos da área disciplinar da Cidadania e Desenvolvimento.

Por sua vez Cristina Calisto, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, valorizou a opinião dos jovens, desafiando-os a desenvolverem um pensamento crítico, e incentivando-os a participarem como cidadãos empenhados na definição de estratégias para o futuro.

 

Seguidamente Igor Espínola de França, coordenador de Educação e Cultura, apresentou o conferencista estabelecendo um paralelismo entre a origem da palavra política referenciando-a à participação cívica, não necessariamente partidária, na Pólis, cidade-estado grega, e o seu perfil como cidadão. Referiu nesse percurso as diversas atividades cívicas do convidado, de âmbito partidário e não partidário, salientando a sua participação na redação do Estatuto da Região Autónoma dos Açores, que o faz um dos pais do regime autonómico.

O convidado iniciou a conferência com o período da descoberta e povoamento dos Açores, correspondente à primeira fase de governação sob a responsabilidade dos capitães-do-donatário. Nesse quadro referiu que o grande mérito inicial de Portugal foi dar utilidade às ilhas que já eram conhecidas antes da “descoberta”, atribuindo a principal responsabilidade organizativa da nova sociedade aos povoadores que por cá se fixaram. Salientou ainda as suas dispersão geográfica e pouco peso populacional, aspetos que ainda hoje dificultam a tarefa da administração, e referiu as condicionantes do seu posicionamento oceânico que lhes permitiram assumir-se como plataforma para o apoio das viagens intercontinentais até ao período da Restauração.

Segundo o conferencista a segunda tentativa de governação ocorreu no reinado de D. José I, quando o marquês de Pombal extinguiu o anterior modelo impondo a todo o arquipélago um capitão-general com sede em Angra. A escolha dessa cidade radicou, em sua opinião, na existência da maior fortaleza construída pelos espanhóis fora do seu território, o que permitia uma defesa compatível com a importância da sede da governação. Durante este período, que se estendeu até ao advento do Liberalismo, continuou a registar-se desenvolvimento económico até ao esgotamento do modelo no século XIX.

A terceira tentativa referencia-se ao período pós 25 de Abril, com a restauração de um regime democrático e a consequente consagração da Autonomia regional que permitiu uma generalizada melhoria do nível de vida das pessoas.

O palestrante terminou com um apelo aos alunos para refletirem sobre o facto de hoje “faltar a massa critica com qualificação para podermos dar passos em frente” alertando-os para à incerteza e eventual transitoriedade dos apoios que hoje, enquanto país e região, recebemos da Europa, o que impõe à geração mais nova “a responsabilidade de se preparar para tomar conta de si”.

Com mais esta sessão concluída, cumpre-se a intenção da autarquia de, através da educação não-formal, despertar os jovens lagoenses para a necessidade de participarem civicamente assumindo-se como cidadãos ativos.

DL/CML

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