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Saída da Ryanair dos Açores ameaça anular até três quartos do crescimento económico em 2026

Estudo da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada estima um impacto negativo anual que pode atingir os 166 milhões de euros, comprometendo a sustentabilidade do turismo regional

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A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) tornou públicos os resultados de um estudo sobre a saída da Ryanair dos Açores, prevista para março de 2026, alertando que a redução da oferta aérea terá “consequências económicas relevantes para a Região Autónoma dos Açores, afetando o turismo, o tecido empresarial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) regional”.

Segundo a análise do seu Gabinete de Estudos, o impacto negativo total na economia (que inclui efeitos diretos, indiretos e induzidos) deverá situar-se entre os 144 e os 166 milhões de euros anuais. Para a associação empresarial, a mobilidade aérea num território arquipelágico não é apenas um instrumento de desenvolvimento, mas uma “condição estrutural para o funcionamento da economia”. O relatório destaca que este recuo da transportadora ocorre num cenário de particular incerteza, marcado pela reestruturação da SATA Azores Airlines e pela “ausência de uma estratégia consistente, e de médio prazo, para as acessibilidades aéreas”. Estas circunstâncias, de acordo com a CCIPD, agravam a insegurança quanto à conectividade futura da região, especialmente num setor onde a Ryanair é responsável por uma quota de dormidas turísticas que chega aos 8,7%.

A metodologia quantitativa utilizada baseou-se nos fluxos de passageiros para Ponta Delgada e Terceira, estimando-se que a saída da companhia resulte numa perda anual entre 339 mil e 391 mil dormidas. Com uma despesa média por turista calculada em 1.036 euros, o impacto no Valor Acrescentado Bruto (VAB) — utilizado como proxy do PIB — situar-se-á entre os 80 e os 92 milhões de euros. Em termos globais, a economia regional poderá sofrer uma contração anual entre 1,5% e 1,7% do seu PIB total.

O estudo realça, assim, que este impacto assume uma gravidade extrema quando comparado com o crescimento económico de 2% previsto para 2026. Feitas as contas, a saída da Ryanair poderá “absorver entre dois terços e três quartos desse crescimento”, anulando na prática a dinâmica económica perspetivada no plano e orçamento regional. Para a CCIPD, a presença da operadora foi crucial para introduzir “concorrência efetiva, estimular a moderação tarifária e reforçar a conectividade internacional direta”, pelo que a sua partida representa a perda de um fator vital de dinamização da estrutura produtiva.

Os resultados demonstram, portanto, que o prejuízo potencial é “de uma ordem de grandeza substancialmente superior ao esforço financeiro público que poderia ser necessário para assegurar a manutenção e a diversificação das acessibilidades aéreas”. A CCIPD defende, por isso, que a política de transportes não pode ser “reativa nem circunstancial”, apelando ao Governo regional para a definição urgente de uma estratégia integrada que proteja a competitividade das empresas e a sustentabilidade do turismo açoriano.

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