Roberto Medeiros lançou livro com memórias de Água de Pau

“Todos os presidentes de câmara foram importantes e ajudaram a crescer o concelho, mas houve dois que se destacaram muito, como foram o Dr. Carlos Bicudo e o Engº Luís Martins Mota”.

Roberto Medeiros lançou, a 29 de março de 2019, no Auditório da Escola Básica Integrada de Água de Pau, o livro Antes que a memória se apague – Crónicas de Água de Pau, cuja apresentação da obra esteve a cargo da Dra. Aida Batista.

Em entrevista ao jornal Diário da Lagoa o autor, Roberto Medeiros, confessa que o amor que sente por Água de Pau, sua terra, é herdado de seu pai, Manuel Egídio de Medeiros.

“Ele ensinou-me a amar esta terra e a sorte que tivemos em aqui ter nascido. Tal como ele, eu também gosto de recordar que ser açoriano e do concelho de Lagoa é muito bom, mas ter nascido na vila de Água de Pau foi uma dádiva”, sublinha o autor, acrescentando que “quando era criança,o  meu pai, Manuel Egídio de Medeiros, levava-me para passear de automóvel pelas ruas de Água de Pau, levava-me para todos os lugares. Há memórias que custam a apagar, e elas começam quando começamos a brincar. É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. O meu melhor álbum de fotografias é a minha memória, nela ficaram gravadas fotos”.

Roberto Medeiros construiu, assim, com efeito, este seu livro com uma missão:  deste modo, em particular, qual a missão deste livro ou missões – será, assim, num registo de constituir um subsídio histórico, homenageando-se a História de um povo, apenas, ou terá mais algum propósito? O autor responde.

“Como objetivo do livro “Antes que a memória se apague”pretendo que seja um registo literário acessível a todos, pois pinta um quadro coletivo dos pauenses que tiveram um papel fundamental na vida da sua vila mas também deste povo ilhéu. O leitor mergulhará num mundo cheio de vozes e ecos antigos, tão perto de cada um, pela linguagem que procurei usar, muito genuína da que aprendi com o nosso povo. Por isso, este livro é um testemunho de vivências de pauenses no último século, marcados pela pobreza e nobreza, alegria e tristeza, guerra e paz, ditadura e revolução, emigração massiva, relações de amizade, familiar e de solidariedade própria dos habitantes da linda Vila d’Água de Pau”.

Profundamente apaixonado pela sua Vila de Água de Pau, Roberto Medeiros carateriza o seu povo, o povo pauense, quanto aos seus costumes, caráter e tradições como um povo que “sabe que não é suficiente dizer que é tão bom como outro cidadão de outra localidade. Tem de desbancar, isso sim! E atribui isso a si e à terra. Chamem-lhe bairrismo ou o que quiserem, mas é assim um pauense de ontem, de hoje e de sempre!”, frisa.

Relativamente ao livro em si, o autor considera, em declarações ao nosso jornal Diário da Lagoa que nada o dificultou na sua feitura, “mas a falta de elementos que eram precisos reunir é que foi arrastando e adiando a sua publicação. Não me preocupei com a data de o pôr cá fora, mas sim com o tempo certo de ter mais informação adicional aos temas das minhas crónicas, fruto das minhas pesquisas e trabalho no terreno junto da memória coletiva das minhas fontes – o povo da minha terra! E, claro está, depois também de encontrar o apoio incondicional de um amigo de infância para a publicação do livro”.

Assumindo que os pauenses, e em particular a sua Vila de Água de Pau, “mudaram, e muito”, Roberto Medeiros relembra que “a maioria já não sabe como era há 60 anos, muito menos há 80”.

“Nessa altura, os lagoenses viviam do campo, das pescas e das suas fábricas, mas com dificuldades e pobreza. Eu tenho posto os olhos na história do concelho, através de pesquisa em atas dos municípios da Vila de Água de Pau [extinto em 1853] e no da Vila da Lagoa, hoje cidade. Tenho explorado a memória coletiva do nosso povo e não posso deixar de afirmar que as administrações dos dois concelhos fizeram «obra» e contribuíram para o crescimento, desenvolvimento e registo histórico do concelho de Lagoa. Todos os presidentes de câmara foram importantes e ajudaram a crescer o concelho, mas houve dois que se destacaram muito, como foram o Dr. Carlos Bicudo e o Engº Luís Martins Mota. Do primeiro conheço seus feitos pela voz de meu pai, dos jornais e pela obra. O segundo pela obra, determinação, engenho político e horizonte estratégico. Não fosse ele o mentor e responsável pela ideia e compra dos terrenos para o “Parque Tecnológico” da Lagoa. Ele via à frente e projetou à frente nos Açores, a Lagoa. De repente, os tempos mudaram, os métodos também e a gestão autárquica precisa de gente com respostas firmes e decisivas para que a Lagoa não saia do seu rumo ascendente de progresso e, a atual presidente, Cristina Calisto, está a testar de forma eloquente o seu dinamismo e amor à terra com pulso. Em tão pouco tempo já captou para a Lagoa, de forma coerente, investimentos turísticos, tecnológicos e na saúde através da vinda de hotéis, um hospital, etc”.

A terminar esta entrevista, o autor de  Antes que a memória se apague – Crónicas de Água de Pau deixa uma mensagem: “Por favor, leiam. Conheçam melhor a história da nossa vila de Água de Pau. Por favor, ouçam os mais velhos e as suas histórias de vida. Leiam e questionem sobre a memória coletiva do nosso povo. Nós somos um povo com uma história digna de registo”, sublinhando que, na sua nova obra, as suas narrativas foram escritas de maneira real, mergulhando o leitor, “crónica após crónica, na história do nosso passado, enaltecendo a forma de viver e as tradições do nosso povo. Em todas elas, manifesto sentimentos de puro amor à nossa terra e às suas gentes, pela maneira alegre, divertida e prazenteira com que sempre souberam levar a vida. Procuro, com os meus relatos, bem como as expressões utilizadas, recolher importantes apontamentos da história da vila de Água de Pau. Uma coisa é certa, se este livro colher o interesse dos pauenses e dos leitores em geral, outros o seguirão, porque já estão na calha da publicação”, termina.

DL/JTO
(Artigo publicado na edição impressa de abril de 2019)

Categorias: Cultura, Local

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