Ribeira Grande retoma festividades e vê com bons olhos ciclovia que ligue o concelho à Lagoa e Ponta Delgada

O presidente da Câmara da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, revela que o município acolhe este ano a Festa da Flor, a Feira Quinhentista e ainda uma etapa do campeonato nacional de surf

Alexandre Gaudêncio foi reeleito nas últimas autárquicas para mais quatro anos à frente da autarquia ribeiragrandense © CORTESIA CMRG

Em entrevista ao Diário da Lagoa (DL), Alexandre Gaudêncio, 39 anos, fala da cidade onde nasceu e que dirige desde 2013, quando foi eleito presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande. É licenciado em gestão pela Universidade dos Açores (UA), mestre em Ciências Empresariais e autor de três livros. Aprendeu a tocar violino, em criança, foi jogador do Sporting Ideal, escuteiro, catequista e maestro na tuna académica da UA. É militante do PSD desde os 18 anos e, antes de ingressar na autarquia ribeiragrandense, trabalhava na área dos seguros. O DL quis saber o que a Ribeira Grande pode esperar do executivo que lidera.

DL: Vamos recuar um pouco no tempo. Como nasceu o interesse pela política?
Nasceu quase espontaneamente, porque se calhar comecei a ganhar o bichinho porque o meu pai foi presidente de junta durante alguns anos na Ribeira Seca, de onde sou oriundo, aqui da Ribeira Grande. E eu fui vendo e acompanhava já desde tenra idade a sua atividade. Depois, por outro lado, através da minha mãe, os meus pais são professores e fui-lhes acompanhando nessas lides mais sociais.
A entrada na política propriamente dita, surgiu quando tinha 18 anos, em 2001, por convite do então presidente da junta da Ribeira Seca e, agora, vice-presidente da câmara, o Carlos Anselmo, para fazer parte da Juventude Social Democrata. Foi aí que nasceu essa ligação à política como militante ativo, desde os 18 anos.

DL: As últimas eleições autárquicas foram mais desafiantes do que as anteriores?
Sim, sem dúvida. Mais que não seja pela questão da pandemia. Nós estávamos aqui, literalmente a fazer um teste à nossa atividade como câmara municipal, propondo uma reeleição, era quase avaliar aquilo que tínhamos feito. Se tinha corrido bem ou mal. Como sabe, a questão da pandemia, particularmente na Ribeira Grande e mais especificamente em Rabo de Peixe, foi bastante agressiva e com medidas restritivas muito agressivas. 

DL: Existe algum plano específico para a vila de Rabo de Peixe?

Especificamente para Rabo de Peixe, não. Mas nós estamos muito atentos à questão, principalmente, do abandono e absentismo escolar que, no concelho, embora não tenhamos ainda números oficiais, sabe-se que na região assume valores muito superiores ao todo nacional. Nós vamos avançar, e o município já disse isso, com um plano de combate ao abandono e absentismo escolar. Claro que será feito um retrato de todo o concelho, onde devido à sua dimensão, Rabo de Peixe, assume uma relevância que não é comparável sequer com outro território aqui do nosso concelho. Por isso mesmo há que ter uma atenção especial a este fenómeno em particular, quer na vila de Rabo de Peixe, quer no concelho. 

DL: A Ribeira Grande é conhecida como a Capital do Surf nos Açores. Neste âmbito e no que diz respeito ao turismo o que se prevê para este ano no concelho?
Vamos ter uma etapa do nacional de surf este ano que será no mês de junho, vamos ter uma prova do nacional de surf e isso, paralelamente com outras provas que já vínhamos a realizar, nomeadamente o Mundial de Surf. Este ano está também previsto o ProJunior de surf que dá uma dimensão internacional à Ribeira Grande. E é interessante ver que cada vez mais temos sido procurados por isso. Já se vê inclusivamente muitos alojamentos locais a dizer que têm condições para alugar pranchas ou colocar as suas pranchas de surf à entrada da porta. 

DL: Quais são os principais desafios nesta fase de pós-pandemia?
Nós acreditamos piamente que este ano será o ano da retoma. A partir da Primavera, a Ribeira Grande está a preparar um plano bastante intensivo de atividades no âmbito de eventos culturais para promover a cidade. A começar desde logo com a Festa da Flor que queremos retomar o figurino que tínhamos antes da pandemia, com o cortejo alegórico, com a participação de todas as freguesias, envolvendo a comunidade local. Isto está previsto para o fim de semana de 11, 12 e 13 de maio. Logo de seguida, queremos promover as festas da cidade com as tradicionais Marchas de São Pedro e Cavalhadas de São Pedro. E retomando também a Feira Quinhentista que é um dos pontos altos de promoção do concelho que será no segundo fim de semana de julho. 

 

Nós acreditamos piamente
que este ano será o ano da retoma”


DL: Recentemente anunciaram que iam apoiar cerca de 100 famílias do concelho no âmbito da habitação. De que forma isso será feito?
Só no ano de 2021 apoiamos diretamente 100 famílias, no âmbito dos regulamentos em vigor do apoio à habitação degradada. 
Prevemos seriamente neste mandato, ao longo destes quatro anos, colocar no mercado de arrendamento ou habitacional a custos controlados todas essas soluções que possam abranger estas 500 famílias que estão sinalizadas. Posso adiantar inclusive que neste momento, também em parceria com o Governo regional, serão colocados no mercado de arrendamento rapidamente 52 apartamentos.

DL: A Câmara da Ribeira Grande pediu mais policiamento face ao “aumento” de delitos. A criminalidade no concelho preocupa-o?
Sim, sem dúvida. Também sentimos a pressão social, quer dos empresários, quer das pessoas que se sentem lesadas devido a esses fenómenos. O que é que temos feito também em parceria com a PSP? Temos apostado muito na questão da vídeo vigilância. Nós já temos em alguns locais públicos do concelho, parques de estacionamento, sistemas de videovigilância que vai permitindo em caso de algum delito rapidamente se poder identificar o indivíduo e ele ser presente à justiça. Isto tem permitido aliviar um pouco essa criminalidade que aconteceu mais recentemente. Posso também adiantar que vamos alargar a nossa rede de videovigilância a mais zonas públicas do concelho que já estão devidamente credenciadas e que prevemos até final do primeiro semestre deste ano, termos todos os parques públicos da cidade com videovigilância.

DL: Considera possível ligar Lagoa, Ribeira Grande e Ponta Delgada através de uma ciclovia?
Não há dúvida que esses três concelhos, ao nível da economia local, da ilha, são os mais representativos. Efetivamente essa questão da ciclovia ou ligarmos de outra forma os três concelhos, é uma ideia que é sempre bem-vinda. Não depende única e exclusivamente dos municípios, estamos a falar de muitas estradas que são regionais e até concessionadas como, por exemplo, a SCUT que liga a Lagoa e a Ribeira Grande, de forma mais simples. Estamos sempre disponíveis e acho que era uma excelente ideia podermos, neste caso, sensibilizar outras entidades, nomeadamente o Governo regional, para soluções mais amigas do ambiente. Sem sombra de dúvidas que a Ribeira Grande quer abraçar esse projeto desde também que as outras entidades possam fazê-lo.

Clife Botelho

Entrevista publicada na edição impressa de março de 2022

Categorias: Entrevista

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