Regresso às aulas em “plano B”

Vítor Silva

Professor do Ensino Básico

A Direção Regional de Educação enviou para as escolas um conjunto de orientações para o regresso às aulas presenciais no próximo mês de setembro.

Nessas orientações acautela-se a necessidade de um designado “plano B” que consiste na preleção de aulas a distância.

As orientações são muito parcas na explicação deste plano, indo pouco além do que foi feito em plena emergência sanitária. Chega-se mesmo a mencionar que as orientações emanadas no 3.º período de 2019/2020 serão, quando muito, alvo de atualizações pontuais decididas, caso a caso, por cada unidade orgânica.

Apesar da abnegação de todos, nem tudo correu bem na realização das atividades letivas a distância, já que ninguém previa as súbitas mudanças implícitas nesta modalidade de ensino.

O desnorte que daí resultou, levou inclusive à dispersão de plataformas de gestão das aprendizagens dentro da mesma escola. Este facto que é reconhecidamente prejudicial, poderia por si só, servir como pretexto para pôr de pé um sistema regional de gestão das aprendizagens eficaz, fiável e sustentado cientificamente.

O anunciado reforço de 500 computadores para suprir a carência de equipamentos aferida em abril de 2020 é um começo, mas para estruturar um sistema educativo que comporte de forma verdadeiramente produtiva o ensino a distância pede-se um plano bem mais ambicioso e sistémico.

Todos desejamos que o ensino presencial prevaleça, até porque a modalidade a distância tornou ainda mais evidentes as desigualdades sociais que grassam na região e no país.

Sendo verdade que a componente humana da escola é insubstituível, ninguém pode garantir que por razões sanitárias o “plano B” não tenha mesmo de ser o plano a seguir e todos temos obrigação de fazer mais e melhor.

Categorias: Opinião

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