Quer proteger-se da gripe? Vacine-se!

Mariana Sousa
Farmacêutica, Farmácia São Bento
Angra do Heroísmo

Já se questionou se deve ou não levar a vacina contra a gripe? Se a mesma é eficaz? Porque deve vacinar-se todos os anos? Terá a vacina da gripe alguma importância acrescida sobre a atual pandemia de COVID-19? Vou-lhe responder a todas estas questões e muito mais!
Primeiro vamos falar um pouco sobre o vírus da gripe. A gripe é provocada pelo vírus Influenza e existem quatro tipos principais: A, B, C e D. Os vírus do tipo A e B são os responsáveis por causarem a doença sazonal nos humanos, sendo os do tipo A aqueles que causam pandemias, ou seja, podem propagar-se na população mundial. Relativamente aos do tipo C e D, os primeiros provocam uma doença leve e não se acredita serem capazes de causar epidemias de gripe humana, sendo que os segundos afetam principalmente o gado, não atingindo humanos. Os vírus Influenza do tipo A são ainda classificados em diferentes subtipos, com base nas alterações genéticas que decorrem muito mais rapidamente que as do vírus do tipo B.
Mas o que é realmente a gripe? Consiste numa doença respiratória viral, altamente contagiosa, que afeta o nariz, garganta e, por vezes os pulmões. Consoante o estado do sistema imunitário e resposta do mesmo à doença, esta pode classificar-se em leve, moderada ou severa, podendo causar morte. As pessoas com gripe podem manifestar diferentes sintomas, entre eles: febre, calafrios, tosse seca, garganta irritada, rinorreia, dores musculares, dor de cabeça, cansaço e, comumente, nas crianças, vómitos e diarreia. É pela tosse, espirros e comunicação verbal entre pessoas que o vírus se transmite de forma direta. No entanto, indiretamente e menos frequente, o mesmo também se transmite ao tocar-se em superfícies contaminadas e, de seguida, levando a mão à boca, nariz e olhos.
E existe forma de prevenir a gripe? A resposta é sim, através da vacinação! Todos os anos surgem novas vacinas contra a gripe, devido às alterações que ocorrem na estrutura dos vírus circulantes, e é por isso que todas as pessoas, sem exceção, devem vacinar-se contra a gripe anualmente. Claro que é possível tratar a gripe sem que seja administrada a vacina, através de tratamento antiviral e sintomático, mas ao prevenir a doença, reduzimos o risco de infeção, o número de hospitalizações e ainda o número de mortes em crianças e outras pessoas suscetíveis. A vacinação é particularmente importante para idosos, grávidas, pessoas com problemas cardíacos e respiratórios e crianças com idade inferior a 5 anos, pois todas estas correm o risco de adquirir complicações graves.
Esta vacina, como muitas outras, atua por levar ao desenvolvimento de anticorpos específicos contra o vírus utilizado na sua produção, duas semanas após a vacinação. Isto significa que, os especialistas avaliam quais os vírus mais comuns no período da gripe e, com partículas virais inativas desses, criam a vacina. É pelo fato de serem partículas virais inativas que a vacina não provoca a doença. No entanto, pode levar ao aparecimento de efeitos secundários semelhantes aos sintomas da gripe.
Qual a eficácia desta vacina? Estudos indicam que a vacinação contra a gripe é a melhor ferramenta para prevenir esta doença e reduzir as complicações a ela associada, inclusive, a morte. A eficácia da mesma pode variar de ano para ano tendo em conta a concordância entre os vírus circulantes e aqueles utilizados no fabrico da vacina, mas também do estado de saúde da população, idade e momento da vacinação.
Na atual crise pandémica, este ano será imprescindível a vacinação contra a gripe, devendo ser feita o quanto antes de modo a garantir uma maior cobertura da população. Por termos em circulação vários vírus que desenvolvem sintomas gripais, será uma forma de conseguirmos fazer uma gestão de risco adequada, sobretudo nos grupos vulneráveis, facilitando assim a gestão do Serviço Nacional de Saúde. Este ano, a vacinação contra a gripe será fundamental por permitir um diagnóstico diferencial entre a gripe e a infeção pelo SARS-Cov-2. Um paciente que se apresente nas urgências e que refira febre, tosse seca, entre outros, manifesta sintomas que são observáveis tanto na gripe como em COVID-19. O que irá permitir diferenciar? Se o paciente levou a vacina contra a gripe, será improvável que os sintomas derivem de infeção por vírus da gripe, mas sim, por exclusão de partes, de COVID-19.
Além disso, o fato de ser feita a vacinação contra a gripe, permitir-se-á reduzir o número de idas às urgências e com isso agilizar os serviços hospitalares. Cuide-se, vacine-se e proteja-se! Não hesite em procurar o seu farmacêutico em caso de dúvida.
Nunca se esqueça, a sua saúde, sempre.

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Categorias: Opinião

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