Que futuro digital para os museus?

Joana Simas
Museóloga

É inevitável não tocar no assunto que está sempre na ordem do dia, ou melhor dos últimos (longos) meses, a célebre pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 que assombra o mundo atual e ficará marcada na memória das gerações atuais por muito tempo. Não podemos fingir que não está a acontecer nada e que tudo é como antes. Tudo está diferente e a adaptação à nova situação é uma constante e obrigatória.

Se há certeza que podemos ter bem presente é que a História é cíclica, repetindo-se constantemente. Nada disto é novo aos olhos da História. Já dizia Eça de Queiroz que “a História é uma velhota que se repete sem cessar”. Todas as epidemias e infeções do século passado alteraram os padrões comportamentais da sociedade da época. Não sabemos quando este pesadelo terminará e em todas as áreas são exigidas novas formas de adaptação e inovação.

Face a esta incerteza sobre o futuro, os espaços museológicos estão em constante adaptação para desempenharem da melhor forma as suas funções. Durante o confinamento, os museus apostaram na comunicação digital, aposta essa que deve permanecer mesmo após a pandemia. Muitos museus já recorriam aos serviços online e às redes sociais, outros iniciaram uma espécie de fase experimental que foi bem-sucedida. Várias foram as atividades proporcionadas com grande adesão por parte do público, como por exemplo, desafios, explicações detalhadas sobre as peças, passatempos, tours virtuais, transmissão de concertos, etc.

Perante tal sucesso, os museus entraram na fase de repensar a sua estratégia neste domínio. Não é suficiente para os museus terem o maior número de visitantes ou o maior número de peças em exposição se a mensagem não está clarificada para o visitante, porque o bom museu é aquele que consegue passar a mensagem intrínseca patente nas suas coleções. E isto é um desafio difícil para estes espaços carregados de História e memórias.

O recurso às novas tecnologias torna-se uma ferramenta útil para manter uma comunicação ativa com os diversos públicos-alvo. É hora de os museus apostarem nas ferramentas online como um complemento do espaço físico. O digital não tem de ser sinónimo de distância, pelo contrário, é uma forma viável de atrair público quando perspetivados como complementares e não como alternativos. Há museus que, ainda, nem sequer possuem um website ou então, o mesmo apresenta-se pobre em conteúdo, o que impossibilita o acesso e envolvimento do público, uma lacuna que deverá ser contornada para prosseguirem com toda a comunicação. O desenvolvimento da própria App do museu é uma mais-valia que permite uma interação com a própria exposição e o visitante. In loco outras apostas podem ser exploradas proporcionando uma experiência única ao visitante através da funcionaldade da realidade aumentada, de áudio e vídeo-guias, projeções de vídeomapping, entre outras.

Assim, grande parte dos museus portugueses tem um grande trabalho pela frente neste domínio que requer maior investimento por parte da Cultura.

(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2020)

Categorias: Opinião

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