PS/São Miguel diz que inquérito a oncologia do hospital de Ponta Delgada “não resolve problema”

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O Secretariado de Ilha do PS/São Miguel, nos Açores, considerou esta sexta-feira, 29 de outubro, que o inquérito anunciado pelo Governo regional à Unidade de Oncologia do Hospital de Ponta Delgada “não resolve o problema”, nomeadamente de “centenas de doentes sem consulta”.

“O que está em causa são centenas de doentes e respetivas famílias que necessitam de resposta, de acompanhamento e de tratamento. É, pois, necessária, uma solução concreta que devolva estabilidade ao serviço de oncologia e gere condições para que aquele serviço volte a prestar os cuidados de excelência que no passado o fizeram ser uma referência no HDES [Hospital do Divino Espírito Santo]”, aponta o secretariado socialista em comunicado.

Para o PS da ilha de São Miguel, o processo de averiguações indicado na quinta-feira pelo secretário Regional da Saúde do Governo de coligação PSD/CDS-PP/PPM “chega tarde e não resolve o problema que, aliás, é, há muitos meses, do conhecimento da tutela”.

No comunicado, o Secretariado de Ilha reitera a sua profunda preocupação com “a situação inaceitável a que chegou o serviço de oncologia do HDES.

“De acordo com as informações que temos, são mais de 300 os doentes oncológicos que, atualmente, não estão a ser acompanhados, uma circunstância penalizadora e para a qual a tutela e o Conselho de Administração já haviam sido alertados há vários meses”, afirmou Luís Furtado, membro do Secretariado de Ilha dos socialistas micaelenses, citado na nota de imprensa.

O Secretariado de Ilha de São Miguel denunciou ainda “a existência de um clima persecutório no HDES e, em particular, no serviço de oncologia”.

“O ambiente laboral hostil a que os profissionais de saúde e restantes trabalhadores estão sujeitos é por todos comentado e, inclusivamente, já mereceu uma petição pública motivada pela transferência injustificada e com uma natureza persecutória de uma trabalhadora da oncologia para o arquivo. Isto é intolerável e inaceitável”, afirmou Luís Furtado.

O secretário regional da Saúde e Desporto dos Açores determinou na quinta-feira a abertura de um processo de averiguações à Unidade de Oncologia do HDES.

A informação foi divulgada num comunicado do Governo regional açoriano, no dia em que a presidente da Ordem dos Médicos nos Açores manifestou preocupação com aquela unidade do hospital de Hospital de Ponta Delgada, por existirem “300 doentes há meses sem consultas”.

“É importante que isto se esclareça”, disse Clélio Meneses, à margem da visita estatutária que o Governo regional dos Açores está a efetuar à ilha de São Jorge.

A decisão “vai no sentido de se apurar o que se está a passar e de se apurar alguma eventual responsabilidade, e havendo indícios de responsabilidade, os consequentes procedimentos disciplinares”, frisou.

A presidente da Ordem dos Médicos disse que existem seis médicos de oncologia nos quadros do HDES, estando dois de atestado e outros dois estão com o “horário reduzido devido a licenças de maternidade e paternidade”, pelo que “sobram dois médicos a tempo inteiro”.

De acordo com Clélio Meneses, o processo de averiguações “vai decorrer através de uma equipa exterior ao Conselho de Administração do HDES”.

Isto porque “a Inspeção Regional da Saúde está assoberbada de trabalho, com muitos processos em curso, e isto é importante que se clarifique o mais depressa possível, através desta equipa exterior”, justificou.

Para o secretário regional da Saúde, há um “excesso de ruído relativamente àquilo que é a saúde das pessoas”, algo que “não pode ser posto em causa”.

“As consultas no Hospital do Divino Espírito Santo têm acontecido”, disse.

O governante indicou com números da ordem das 1.940 consultas no corrente ano, algo que identificou como “o segundo melhor indicador desde 2017”.

“O que quer dizer que está a decorrer com alguma normalidade”, sublinhou.

Clélio Meneses revelou ainda que “há quatro pessoas em lista de espera para a primeira consulta de oncologia”.

Lusa/ DL

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