
Conseguimos constatar através de uma pesquisa aprofundada aos manuscritos [Atas de Vereação das reuniões camarárias da Câmara Municipal da Lagoa- Açores], do Arquivo Municipal de Lagoa, que o Presidente, Dr. Alberto Carlos Paula de Oliveira, juntamente com o seu executivo camarário municipal, Vice-Presidente João Furtado Moniz, e vereador efectivo Senhor Manuel da Costa Lima, e substituto Senhor Manuel de Melo Costa, foram empossados no dia 29 de Novembro de 1943, tendo a sua primeira reunião de câmara sido a 30 de Novembro de 1943, conforme ata daquela sessão.
Na mesma, o presidente Dr. Alberto Paula de Oliveira evidencia não ser da Lagoa, mas que viveu a infância na Lagoa, ali estudou, ali constituiu família, “aqui principiou a servir” (ata de Vereação de 30/11/1943).
O Presidente de Câmara Dr. Alberto Carlos Paula de Oliveira, podemos constatar, demitiu-se, e vemos evidência disso na ata de 30 de Outubro de 1945, até então era Vice-Presidente, ainda, o Senhor João Furtado Moniz, mantendo-se o mesmo corpo de Vereação, efectivo e substituto [isto, ininterruptamente, e sem alterações, desde 29 de Novembro de 1943], sendo que, efectivamente, o Vice-Presidente João Furtado Moniz assume, aí, a presidência por ordem do Governador do Distrito, Augusto Leite Mendes Moreira, num ofício nº 320 de 27 de Outubro de 1945, alegando-se que Alberto Oliveira havia pedido a sua exoneração face aos “afazeres de funcionário público”, além de outros mais que “ocupavam muito o seu tempo”.
Enquanto “Vice-Presidente em Exercício” (nunca é usado, para João Furtado Moniz, o título de Presidente, mas de Vice-Presidente em Exercício, excepção feita somente a uma ata de finais de 1945, em que é apelidado de Presidente), na sua primeira reunião a coordenar os trabalhos camarários apresentou um “sentido” Voto de Pesar pela saída do executivo do Presidente Dr. Alberto Oliveira “por parte dos seus leais colaboradores, por quando S. Exa. fez a bem deste Município sacrificando por vezes os seus interesses com o fim de oferecer mais e melhores garantias aos seus munícipes”.
No tempo, curto, de apenas dois meses e cinco dias de presidência de João Furtado Moniz, algumas coisas foram feitas: deve-se a ele uma suposta Placa Comemorativa aludível ao Dr. Francisco Athayde Machado de Faria e Maia, colocada, segundo se regista, na “Rua Direita do Cabouco”. Também se regista a aquisição de lâmpadas para uma melhoria da iluminação no Jardim Público de Santa Cruz; a própria construção de um Fontenário Público na Atalhada e de um Reservatório de Água Potável no Cabouco. Estas obras, desconheço, se foram realmente, integralmente, concretizadas, no seu tempo, dado o espaço curto de mandato, mas que foram de execução deliberada, foram.
A 31 de Dezembro de 1945, na presença dos Vereadores Manuel da Costa Lima e Manuel de Melo Costa, anuncia a sua saída. Tal deveu-se, como atestamos na edição do jornal Correio dos Açores de 13 de Dezembro de 1945, a um ato eleitoral que ocorreu no dia 25 de Novembro de 1945 e que, segundo se diz naquele jornal, fez recair para a seguinte escolha de vereadores «para o próximo quadriénio: efectivos, Senhor Manuel Carreiro da Costa e Senhor Humberto de Medeiros Silva; substitutos, Senhores José Augusto Martins Vieira e Manuel Egídio de Medeiros».
O presidente que lhe sucedeu, o Senhor Carlos Bicudo de Medeiros, junto do Vice-Presidente, o Senhor José Silva, tomaram, estes, posse a 2 de Janeiro de 1946, pelas 10h00. João Furtado Moniz foi, ali, homenageado pelo Sr. Governador do Distrito, enquanto Presidente Cessante.
Esteve em funções, enquanto Vice-Presidente de 29 de Novembro de 1943 a 27 de Outubro de 1945. E esteve em funções como Presidente ou Vice-Presidente “Em Exercício” (conforme queiramos) de 27 de Outubro de 1945 a 2 de Janeiro de 1946, quando Carlos Bicudo de Medeiros tomou posse às 10h00 da manhã, naquele dia, na Lagoa, junto do Vice-Presidente José Silva e dos Vereadores Efectivos Manuel Carreiro da Costa e Humberto de Medeiros Silva, sendo substitutos José Augusto Martins Vieira e Manuel Egídio de Medeiros.
Após o período conturbado dos inícios da República, e já em pleno Estado Novo, e por daí em diante, foi, talvez, este, dos líderes, em exercício, que menos tempo estiveram no cargo, o que se demonstra ser, segundo dados, pouco comum – dois meses e cinco dias.
No jornal Correio dos Açores, encontramos sempre referências a João Furtado Moniz, curiosamente, não como “Vice-Presidente Em Exercício”, mas como Presidente, como atesta a seguinte notícia:
«Junta Geral
Deliberações Tomadas pela Comissão Executiva
Sessão de 6 de Novembro de 1945
«Deliberou enviar ao Presidente da Câmara Municipal de Lagoa seis mapas dos terrenos a expropriar, para o fim de serem exarados os autos de fixação amigável…»
Por outro lado também encontramos uma breve notícia, no mesmo jornal Correio dos Açores, de Dezembro de 1945, com o título «Inauguração de um presépio na escola do Rosário da Lagoa» em que se escreve o seguinte:
«Assistiu a esta pequena festa o sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal em exercício tendo também estado presente o sr. Dr. Alberto de Oliveira, Delegado Provincial […]».
Assim concluímos que, no tratamento dado no jornal Correio dos Açores, não é consensual se «Vice-Presidente Em Exercício» ou «Presidente» é a forma mais correta.
Também encontramos, no Jornal Correio dos Açores, datado de 13 de Dezembro de 1945, uma referência importante que diz respeito, precisamente, às comemorações, daquele ano, do 1º de Dezembro, e diz-se o seguinte: «Por esta ocasião foi oferecido para uma criança um ramo de flores ao digno Presidente da Câmara Sr. João Furtado Moniz». Novamente, a referência a «Presidente da Câmara», e não a «Vice-Presidente Em Exercício».