Porque nos devemos proteger do sol?


Maria João Pereira
Farmacêutica estagiária (Farmácia Mântua)

Desde os primórdios da história da humanidade que a proteção da pele era um cuidado necessário de modo a prevenir queimaduras solares, não através da aplicação de substâncias mas sim do uso de roupa escura a cobrir o corpo e uso de chapéus ou até mesmo pela não exposição ao sol. Hoje em dia, com o avanço da ciência e da tecnologia, temos acesso não só a informação sobre as consequências de uma exposição solar prolongada como a produtos capazes de atenuar a radiação solar que chega até nós – os protetores solares. Os protetores solares são substâncias de aplicação cutânea que possuem a capacidade de nos proteger da radiação solar, reduzindo a quantidade de radiação que é absorvida pela pele. Atualmente, encontram-se disponíveis em diferentes apresentações, tais como creme, loção, leite, gel, spray, óleo e sitck. O modo de atuação de cada protetor solar depende do tipo de filtro solar que possuiu na sua constituição. Assim, existem dois tipos de filtros solares: os químicos e os físicos (ou minerais). Os filtros químicos, como os salicilatos e cinamatos, atuam por absorção, isto é, absorvem a radiação que incide na pele. Já os filtros físicos, como o dióxido de titânio e o óxido de zinco, são capazes de refletir ou dispersar a radiação incidente. A grande vantagem destes últimos está no facto de apresentarem baixa penetração cutânea e grande estabilidade, sendo por isso muito usados em crianças. A eficácia de um protetor solar é definido pelo Fator de Proteção Solar (FPS). O FPS consiste na razão entre a quantidade de radiação necessária para que ocorra uma queimadura solar, com proteção solar e sem ela. Por exemplo, um protetor solar com FPS 50+ indica que estamos 50 vezes mais tempo protegidos das radiações solares com protetor do que sem ele. Contrariamente ao que se pensa, um FPS 50+ difere de um FPS 30+ pelo tempo de proteção e não pela capacidade de gerar um tom mais ou menos bronzeado. Mas então, o que tem a radiação solar de prejudicial para termos de nos proteger?


A radiação solar é constituída pela radiação ultravioleta (UV), radiação visível e radiação infravermelha. Dentro destes três tipos, a radiação com mais efeitos prejudiciais para o nosso organismo é a radiação UV. A radiação UV é repartida em três tipos, A, B e C, em que esta última não tem capacidade de atravessar a atmosfera. A radiação UVA ultrapassa a atmosfera sem perder intensidade e atinge a derme, sendo responsável por causar danos a longo prazo, tal como hiperpigmentação, envelhecimento cutâneo e danos ao nível do nosso ADN. Este tipo de radiação é responsável pelo tom bronzeado rápido que adquirimos após a exposição solar. Por outro lado, radiação UVB perde intensidade ao atravessar a atmosfera e ao atingir a epiderme (camada mais superficial da pele). É esta radiação a responsável pela queimadura solar e pelo tom bronzeado adquirido umas horas após a exposição, dado que estimula a síntese de melanina (que dá cor à pele). Qualquer umas destas radiações, UVA e UVB, após exposição crónica podem levar ao aparecimento de cancro na pele, alergia ao sol e enfraquecimento do sistema imunitário. Assim, um protetor ideal será aquele que na sua composição contenha filtros UVA e UVB, seja resistente à água e adequado a cada tipo de pele – quanto mais clara a pele, maior deverá ser o valor do FPS –, embora o ideal seja nunca usar protetores com FPS inferior a 30+.


O protetor solar deve ser aplicado durante todo o ano, sempre que saímos de casa, não só no verão. Isto porque as radiações solares estão presentes todo o ano, apesar de não as vermos. Não basta aplicar o protetor solar. É importante saber como e quando aplicá-lo, bem como ter em conta outros cuidados com a exposição solar. Aqui ficam algumas dicas sobre o uso do protetor solar e medidas a ter em conta relativamente à exposição ao sol:

  • evitar a exposição entre as 11 e as 17 horas;
  • aplicar o protetor solar 20 a 30 minutos antes de sair de casa e de 2 em 2 horas;
  • a aplicação deverá ser feita em todas as zonas expostas ao sol;
  • dar preferência a sombras sempre que possível;
  • aumentar a exposição solar de forma lenta a gradual;
  • usar chapéu, óculos de sol e roupa larga, escura de preferência;
  • consumir frutas, legumes e água de modo a manter a pele saudável e hidratada;
  • em crianças até aos 6 meses evitar a exposição direta ao sol;
  • não esquecer a radiação refletida pelas superfícies;
  • hidratar a pele com produtos adequados.

Todo o cuidado é pouco com a nossa pele e “mais vale prevenir do que remediar”, já dizia o ditado. Aconselhe-se junto da sua farmácia de modo a garantir a fotoproteção mais adequada à sua pele.

A sua saúde, sempre.


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Categorias: Opinião

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