Pedidos de apoio social aumentaram na Lagoa

Presidente da autarquia diz que a maioria das ajudas estão relacionadas com a alimentação sendo o setor do turismo um dos mais afetados. Cristina Calisto fala sobre o futuro do concelho e explica o que pensa da polémica em torno da academia de futebol projetada para o Tecnoparque

Cristina Calisto é presidente da Câmara Municipal de Lagoa há cinco anos FOTO DL

Numa conversa que durou cerca de meia hora, Cristina Calisto não fugiu à polémica que já deu origem a várias notícias na imprensa regional e até nacional: a construção de uma academia de futebol na Lagoa. Considera que qualquer município “vê com bons olhos” o investimento que a empresa Azul Internacional quer fazer no concelho. A autarca, que assume os destinos do município há 5 anos, admite recandidatar-se nas eleições do próximo ano, fala das obras em curso e do rasto deixado pela covid-19 na Lagoa.

DL: A pandemia afetou mais as famílias ou as empresas do concelho?
Acabamos por ser duplamente afetados em ambas as situações. As famílias porque à semelhança do que aconteceu um pouco por todo o país houve situações em que alguns elementos do agregado tiveram de ficar em lay-off. Por outro lado, viemos a assistir nos últimos anos a uma crescente procura da Lagoa para alojamentos sobretudo locais. Tudo o que estiver relacionado com o turismo teve uns meses muito complicados e naturalmente atravessam um período que não é de todo positivo.

DL: Ao seu gabinete chegam que tipo de pedidos de ajuda?
Até ao momento há 100 agregados familiares que têm ajuda e a resposta do município num total de cerca de 350 pessoas. 80 por cento destes apoios foram sobretudo relacionados com a alimentação e 20 por cento em apoios à habitação porque algumas famílias, em virtude de terem ficado no regime de lay-off, foram penalizadas e portanto a câmara deu apoio nessa área.

DL: O número de pedidos de apoio social aumentou?
Aumentou. Os 100 agregados que eu referi são 100 novas famílias que não existiam, não faziam parte da ajuda normal que o município presta. Esta ajuda é prestada através do fundo de emergência social que é de emergência, são ajudas pontuais, mas elas cresceram entre abril e junho.

DL: O número de pedidos continua a aumentar ou já abrandou?
Nesta fase está a abrandar.

DL: Tem conhecimento de empresas que tenham fechado?
Até ao momento a câmara não foi comunicada de nenhum encerramento em virtude da pandemia.

DL: O apoio psicológico por parte das famílias foi muito requisitado?
Não posso dizer que tenha sido a medida a que mais pessoas acorreram porque muitas das vezes nem foi por solicitação da pessoa, foi a percepção do gabinete de ação social que numa chamada, percebeu que a pessoa estava a atravessar um momento difícil, com alguma angústia, ansiedade e nós próprios desencadeamos o resto do processo de acompanhamento.

DL: Enquanto autarca e responsável pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, o que foi mais difícil para si?
Sobretudo explicar a uma população idosa que tinha que ficar em casa. Por incrível que pareça, e sendo a população idosa uma das de maior risco, foi a população que mais resistiu ao confinamento. Foi preciso sair do carro, ir a uma praça explicar, convencer as pessoas a irem para casa.

DL: A Câmara foi gerida à distância, em teletrabalho, isso veio mostrar que é possível fazer quase tudo online?
Quase tudo. Não se limpa caminhos sem ter as pessoas na rua, não se fornece todo o tipo de serviços que uma autarquia fornece à população sem ter as pessoas no local a trabalhar.

DL: O balanço do teletrabalho é positivo?
Sim, testou as nossas capacidades de resposta e preparou a autarquia para um cenário futuro. Fomos capazes de dar continuidade a todos os processos administrativos mesmo estando em casa.

DL: Os eventos deste ano foram cancelados. O valor dos eventos foi canalizado para quê?
Para o fundo social de emergência, cerca de 150 mil euros foram totalmente canalizados para responder às necessidades das famílias.

DL: Relativamente aos investimentos no concelho, a ciclovia está na reta final, quando prevêem inaugurá-la?
Em princípio em setembro está pronta faltando apenas a vegetação. A par disso temos um outro conjunto de obras com frentes de trabalho em todas as freguesias. Do parque de estacionamento na rua José Moniz Barreto, no Rosário, aguardamos o projeto de arquitetura para iniciar a obra. Temos a nova via em Santa Cruz que vai ladear o Convento dos Frades do lado nascente mas estamos a aguardar o projeto para poder fazer a obra. No Cabouco estamos a dar apoio à modernização do edifício da junta de freguesia. Na segunda fase do loteamento da Ribeira Chã, aguardamos uma proposta de como se vão distribuir as habitações naquele local, em Água de Pau, está prevista a reabilitação do Auditório Ferreira da Silva e nos Remédios, a cobertura do pavilhão.

DL: Relativamente aos investimentos privados há um assunto incontornável: a proposta da construção de uma academia de futebol, por parte de um acionista do Santa Clara, na zona do Tecnoparque. Qual é o ponto da situação da candidatura?
Aguardamos, no âmbito da candidatura ao Lagoa Investe, que nos sejam entregues documentos que permitirão ao júri analisar a proposta, enquanto não foram entregues não se inicia a contagem. É um promotor como outro qualquer, tem intenção de investimento, encontra naquele espaço interesse porque pode usufruir de dois equipamentos já existentes, o hotel e o hospital, quer ao nível do centro de estágio quer ao nível do centro de medicina e reabilitação. No entanto não temos ainda matéria para analisar esta candidatura.

DL: Considera que o uso de equipamentos desportivos naquele espaço poderá ser partilhado por outros clubes do concelho?
O Santa Clara e o Operário penso que já têm uma parceria na atualidade. O que o promotor propõe para ali são dois campos de relva natural, isto não é para formação, não é para treinar crianças, são centros de estágio para equipas profissionais. Independentemente de toda a polémica que possa ser gerada à volta do assunto, se tirarmos o nome Santa Clara deste processo – que não foi o clube que apresentou a proposta foi um acionista da SAD -, acho que qualquer cidade vê com bons olhos um investimento desses no seu concelho. Se formos verdadeiramente isentos e se virmos isto do ponto de vista do investimento e da promoção que irá trazer para um concelho, fosse aqui ou fosse no Nordeste, qualquer município teria interesse em ter este equipamento.

DL: Relativamente ao hotel e ao hospital privado qual é o ponto da situação?
Da última vez que estive com os promotores do hospital eles apontaram a data de finalização da obra para dezembro deste ano. O Hilton vai iniciar em breve a segunda fase do hotel ainda este ano também.

DL: Para o ano haverá eleições autárquicas. Pondera recandidatar-se?
Claro que sim se os lagoenses assim o quiserem e se a concelhia do PS assim o entender, estou aqui para continuar a fazer o meu trabalho.

Sara Sousa Oliveira

(Entrevista publicada na edição de setembro de 2020)

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