Oportunidade (qualitativa)

Alexandre Pascoal
Gestor Cultural

O relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA) posiciona Portugal na décima posição quanto à qualidade das águas balneares da Europa, com 88,5 por cento das suas praias classificadas (com águas) de excelente qualidade.

Os Açores têm 86 zonas balneares identificadas, a maioria muito bem cotada, onde é possível conciliar a beleza natural (das ilhas) com a sua exuberância ambiental.

A um nível mais local, o concelho da Lagoa alberga algumas das mais emblemáticas e mais belas zonas balneares da ilha de São Miguel.

A Caloura e o complexo de piscinas naturais no Rosário são, muito provavelmente, as mais populares, existindo, contudo, um conjunto de outros pontos de interesse, cada vez mais procurados por banhistas, sejam eles residentes ou turistas.

Na pandemia tendemos a procurar zonas menos congestionadas, menos conhecidas ou simplesmente alteramos rotinas para poder usufruir dos espaços sem grandes aglomerações.

O novo passeio marítimo (e ciclovia) que percorre a via litoral, da Atalhada ao Portinho de São Pedro, é um bom exemplo do conjunto de (novos) locais passíveis de usufruto. Alguns já eram do conhecimento da população, outros tornaram-se mais visíveis e existem aqueles que terão um enorme potencial, com recurso mínimo de intervenção, nomeadamente, infraestruturas de apoio com um carácter sazonal para conforto no acesso ao mar, como escadas ou solários, removidos no final da época balnear.

Muitos, destes acessos, já eram conhecidos de pescadores (e mergulhadores) que percorrem a costa, sendo que aqui importa respeitar as vicissitudes associadas a um mar atlântico, sobretudo, nos pontos onde não existem meios de socorro e vigilância, num processo de corresponsabilização dos banhistas perante as condições marítimas.

A multiplicação de zonas de acesso ao mar não implica que as mesmas sejam consideradas zonas balneares, existindo, no entanto, um trabalho continuado do município em realizar, ano após ano, melhorias nos espaços disponíveis e a intenção de alargar (e homologar) o número de zonas balneares.
No que respeita a benfeitorias no espaço público, será relevante prosseguir com o plano para o prolongamento da ciclovia e passeio marítimo até Santa Cruz, ampliando a ligação com a natureza e o mar e dando continuidade ao processo de requalificação que envolve aquela baía, cujo (re)enquadramento representa um enorme potencial prospectivo (no desenvolvimento social e económico da freguesia e da cidade).

Retomando o nosso ponto inicial, no enfoque do carácter qualitativo das zonas balneares do concelho da Lagoa, para além da atribuição do galardão da Bandeira Azul ao Porto da Caloura, Baixa da Areia e no Complexo de Piscinas Naturais no Rosário, a água destes locais foi, igualmente, reconhecida, pela Quercus, com a classificação de “Qualidade de Ouro”.

À semelhança de anos anteriores, o Complexo de Piscinas Naturais no Rosário foi distinguido, com o galardão de “Praia Acessível”, um pormenor de grande importância para quem tem problemas de mobilidade e que aqui tem um espaço (de referência) capaz de o acolher condignamente (e em segurança).

Este é apenas um exemplo da aposta na melhoria continuada da qualidade de vida dos munícipes (e residentes da ilha de São Miguel), na sua relação com o mar, fazendo com que esta se apresente como uma oportunidade de crescimento, para o concelho da Lagoa, na atractividade de uma nova geração de negócios associados à designada economia azul, à tecnologia e aos serviços (associados ao turismo, lazer e cultura).

Um bom Verão (de preferência, com muito Mar)!

» Por opção, o autor escreve segundo a antiga grafia

O Mar Sempre

Água: mar: lonjura…
Sangue e força
Da vida!
Meu caminho às avessas,
Desaguado na terra.

Não reneguei.
Hei-de tornar!


Pedro da Silveira, Fui ao Mar Buscar Laranjas
(Poesia reunida, edição Instituto Açoriano de Cultura)

Categorias: Opinião

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