Log in

“O poder do meu tio foi o amor”

Familiares de José Rebeca com a fotografia do tio © ACÁCIO MATEUS
pub

A Câmara Municipal do Nordeste homenageou José Furtado Soares, mais conhecido por José Rebeca, com a colocação de uma placa na casa João de Melo, escritor que também se inspirou “nesta figura típica do concelho”, como realçou o vice-presidente da autarquia, Marco Mourão, para um personagem num dos seus livros.

José Rebeca nasceu a 19 de julho de 1897 e faleceu a 2 de janeiro de 1983. Nasceu pobre e morreu pobre, mas apesar de levar uma vida modesta tornou-se uma “figura pública do concelho porque inspirou muitas gerações de nordestenses”, acrescentou Marco Mourão.

Descalço, de pés gretados, de sacola ao ombro e sacho às costas, José Rebeca trabalhava para comer. Uma tijela de sopa com um pedaço de pão era, muitas vezes, o pagamento pelo seu trabalho nas terras, no apoio que dava nas matanças dos porcos, a rachar lenha ou a limpar caminho e atalhos, entre outros afazeres nas lides das terras.

Por isso, todos os conheciam e João de Melo imortalizou-o no livro “O meu mundo não é deste reino” com o personagem João-Lázaro. Curiosamente, o ano de lançamento do livro coincide com o de falecimento de José Rebeca, entendo a autarquia nordestense ser o pretexto adequado para o imortalizar, também, nas paredes de Casa João de Melo.

“Ele é um de nós. Faz parte do nosso imaginário e do de muita gente, inclusive de João de Melo que nele se inspirou para o personagem João-Lázaro. Por isso, estamos aqui, com muito orgulho, a prestar uma justa e merecida homenagem na presença de tantos familiares”, disse Marco Mourão.

Joana Louro atenta às fotografias antigas, entretanto recuperadas pela autarquia © ACÁCIO MATEUS

Muitos familiares de José Rebeca compareceram à cerimónia, entre os quais a sobrinha Maria Joana Louro, de 76 anos, que guarda “muitas recordações” do tio. “Vivemos em casas geminadas depois que me casei. Convivi com ele cerca de trinta anos e sinto que ele foi uma inspiração para todos os que o conheceram”, realçou.

De lágrimas nos olhos e voz embargada pela emoção, Maria Joana Louro considerou ser esta uma “rica homenagem ao meu tio”. E acrescentou: “Ele era muito pobre, mas foi homenageado como um senhor de grande poder. O poder do meu tio é diferente de uma riqueza, o poder do meu tio foi o amor e o dinheiro não paga amor”.

avatar-custom

Acácio Mateus

Os leitores são a força do nosso jornal

Subscreva, participe e apoie o Diário da Lagoa. Ao valorizar o nosso trabalho está a ajudar-nos a marcar a diferença, através do jornalismo de proximidade. Assim levamos até si as notícias que contam.