O Mestre da Sensibilidade

João Ponte
Padre

Há poucos dias, escutando as palavras de Jesus Cristo e confrontando a minha vida com os seus ensinamentos, recordei –me de um livro de Agusto Cury, O Mestre da Sensibilidade. Não sei porquê, mas o título apelou-me à revisão de vida. Todos precisamos de um Mestre. Ninguém nasce aprendido, como diz o nosso povo. O que somos, somo-lo, graças à entrega e partilha de tantas vidas, sorrisos e lágrimas. O Mestre da sensibilidade não ensina, apenas. Com a sua vida concretiza o que ensinou. Aliás, os seus ensinamentos só são acolhidos verdadeiramente porque a própria vida os confirma. Embora, muitos sejam chamados de Mestres, nem todos partilham a vida.

As imagens apresentadas por Jesus, nos últimos domingos, são um exemplo da sensibilidade que tem. Atento à sua realidade, fala–nos do tesouro da Vida com as imagens do campo, da terra, do semeador, da semente, do trigo e do joio. Jesus vê na semente lançada à terra a possibilidade da vida acontecer. O verdadeiro Mestre vê nos sinais simples a possibilidade de algo extraordinário acontecer. Só o autêntico Mestre terá a capacidade de ver para além das aparências.

Olhando a atitude de Jesus e recordando-me do título do dito livro, pude compreender que dentro de nós há um universo de possibilidades.

Necessitamos apenas de um Mestre, uma espécie de parteira, que nos ajude a dar à luz o que em nós foi semeado. Ver a realidade e comprometer-me com ela. Ser Mestre e discípulo em simultâneo, eis o segredo, a meu ver, para se saborear o Mistério da Vida.

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de agosto de 2020)

Categorias: Opinião

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