“Nossa Senhora do Rosário: filhos e servos” retrata clero da freguesia

Livro histórico do lagoense Júlio Tavares Oliveira compila registos de 150 responsáveis pelo culto da paróquia ao longo dos últimos séculos

Autor Júlio Tavares Oliveira tem intenção de continuar o estudo e abranger mais freguesias FOTO DL

A obra incide sobre os filhos e os servos da freguesia de Nossa Senhora do Rosário. “Os filhos são os naturais de cada freguesia e os servos são os membros do clero que passaram por ela”, começa por explicar o autor ao Diário da Lagoa. Júlio Tavares Oliveira passou muitas horas a ler, investigar, reunir e entrevistar quem é próximo de quem serviu a paróquia: “falei com muita gente, com muitos familiares dos membros do clero aqui da Lagoa o que implica muita disponibilidade em termos de tempo, em termos de sacrifício pessoal e despende muita energia por parte de quem o faz”. E esta é a segunda vez que o autor se dedica ao tema, depois de em 2017 ter publicado o “Santa Cruz: filhos e servos”.
O autor diz que a intenção foi continuar o trabalho iniciado com o volume anterior, desta vez, sobre a paróquia de Nossa Senhora do Rosário: “ é um projeto de investigação histórica local e religiosa que eu acho bastante pertinente porque com estes dois volumes conseguimos incluir também o lugar da Atalhada e Cabouco até 1980”.

Quatro séculos com 150 responsáveis
O trabalho de recolha e compilação desdobra-se ao longo de 130 páginas, uma edição de autor que se estendeu por vários meses. “Um trabalho deste tipo costuma demorar entre seis e sete meses contudo este livro esteve a marinar durante dois anos tendo sido aperfeiçoado, limado e só passado este tempo decidi avançar com a publicação”, explica o autor.
Na obra “Nossa Senhora do Rosário: filhos e servos”, estão cerca de 150 membros do clero, entre vigários, curas, ecónomos ou padres encomendados, que substituem outros provisoriamente, entre o século XVI e inícios do século XXI.
Para a investigação, o escritor lagoense recorreu “a fontes de vários tipos como os assentos de batismo, casamento, óbito, arquivos das paróquias, também ao fundo Alexandre Alvim constituído por verbetes biográficos de vários membros do clero dos Açores”, tudo isto, somado às informações do registo do Movimento Religioso de Nossa Senhora do Rosário, às entrevistas a várias pessoas do concelho e aos jornais.
Aquilo que o autor considera ter sido o mais interessante ao longo do trabalho “foi descobrir não tanto os servos, porque acabam por ser muito conhecidos, mas os naturais da freguesia, porque não tinha ideia de que eram tantos, são para cima de 50 nos dois volumes”, sublinha.
Para completar o estudo sobre o clero da Lagoa fica a faltar Água de Pau e Ribeira Chã mas o autor garante que já está a “desenvolver esforços” para que essas duas freguesias possam ter em breve os respetivos percursos históricos em livro.
A obra é prefaciada pela Diretora Regional da Cultura, Susana Goulart, tendo também uma nota da Presidente da Câmara de Lagoa, Cristina Calisto.

Sara Sousa Oliveira

(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2020)

Categorias: Cultura

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