Nonagon. Crescer na Lagoa para ter impacto no mundo da tecnologia

Ao contrário de outras instituições, a covid-19 não acarretou mudanças profundas no Parque de Ciência e Tecnologia, que quer continuar a crescer no concelho e no mundo

Nonagon tem 28 empresas e cerca de 200 pessoas a trabalhar no edifício na freguesia do Rosário FOTO DL

Quer pela crise económica provocada pela estagnação dos serviços, quer pelas mudanças repentinas no quotidiano de cada um, não é novidade que a pandemia da covid-19 paralisou o mundo. Uma das faces mais visíveis no mundo laboral foi a necessidade de recorrer ao teletrabalho, uma adaptação penosa em muitos casos – mas não no caso do Nonagon.
Sendo um parque de ciência e tecnologia, a adaptação às exigências do teletrabalho foi mais pacífica do que na maioria dos outros setores: quer para a administração do parque, quer para as empresas ali sediadas. “Toda a equipa transferiu a sua atividade para a modalidade de teletrabalho e, felizmente, quer para os colaboradores, quer para as empresas instaladas, tornou-se relativamente simples, dada a área de atuação, ao contrário do que provavelmente terá acontecido noutras áreas de negócio”, explica ao DL Arnaldo Machado, presidente do conselho de administração do Nonagon, salientando que a adaptação teve de ocorrer com a “maior celeridade possível e com os recursos disponíveis”.
Outra consequência da pandemia da covid-19 foi a crise económica, que determinou o encerramento de empresas um pouco por todo o mundo. Sobre as dificuldades sentidas pelas empresas no Nonagon, Arnaldo Machado destaca o “reforço do apoio às empresas das áreas tecnológicas”, promovido pelo Governo Regional, que “determinou a isenção do pagamento às empresas e associações pela utilização dos espaços” nos meses de abril, maio e junho. Já para substituir a atividade frequente de formações, palestras e workshops, foram “realizados webinares sobre diversas temáticas com inegável interesse para as empresas regionais”, para conseguir “dar continuidade à atividade”

Arnaldo Machado integra conselho de administração do Nonagon FOTO DR

Criar emprego e novos produtos
Localizada na zona do Tecnoparque, o Nonagon foi inaugurado em 2015, tendo atingindo a lotação máxima em 2018. Foi o primeiro Parque de Ciência e Tecnologia da região. “Com cinco anos de existência atingimos em 2018 100% da sua capacidade de ocupação e contamos neste momento com 28 empresas, entre pequenas e médias empresas (PME’S) e startups, sobretudo na área das tecnologias de informação e comunicação e das indústrias culturais e criativas”, descreve Arnado Machado. No total, o Nonagon tem cerca de “200 habitantes”, que estão inseridos num “ecossistema de inovação”. O objetivo é potenciar o “desenvolvimento da capacidade de investigação” em diversas áreas, sobretudo através do “uso intensivo das novas tecnologias”.

Por sua vez, a administração do parque procura apoiar as empresas ali sediadas. Seja fornecendo “serviços especializados”, seja “acompanhando o desenvolvimento dos negócios”, seja facilitando a “articulação com veículos de financiamento”. O parque também procura, através da consultadoria, ajudar as empresas nas questões de propriedade intelectual dos produtos e no acesso a laboratórios para que os produtos possam ser testados antes de irem para o mercado. No final do processo, existem dois objetivos: criar “emprego qualificado” e lançar “novos produtos e serviços de elevado valor acrescentado”.

“O Nonagon oferece condições bastante vantajosas para quem pretende instalar-se no parque, proporcionando inúmeras oportunidades para o desenvolvimento dos respetivos projetos, através de iniciativas de cooperação a nível regional, nacional e internacional”. Entre as parcerias, Arnaldo Machado faz questão de destacar as seguintes instituições: Universidade dos Açores, a Altice, a Universidade de Massachusetts (nos Estados Unidos), a Agência Nacional de Inovação e a rede europeia de start-ups (SERN).

Da Lagoa para o mundo
Apesar de inserido na rota da tecnologia internacional, o Nonagon também quer ter impacto local. Para isso, procura relacionar-se com várias instituições do concelho – a começar pela câmara municipal: “ao nível do concelho, possuímos uma estreita relação, win-win, com a Câmara Municipal”, assinala, referindo que o município tem prestado todo o “apoio necessário no desenvolvimento das atividades”.

O Nonagon também é “parceiro” do núcleo de empresários da Lagoa (NELAG) que já tem marcado presença na vida do parque, mas que se prevê que venha a ter uma presença ainda mais ativa. “Dado o interesse de ambas a partes em reforçar as iniciativas de cooperação, o âmbito de atuação deste protocolo será muito brevemente revisto com vista à criação de sinergias que permitam um ainda maior envolvimento”, avança.

Também tem parcerias com o vizinho Expolab, o Centro de Ciência Viva, e com o Centro Social e Cultural da Atalhada no âmbito Coderdojo. O Coderjojo, explica Arnaldo Machado, é uma “comunidade internacional de clubes de programação” para jovens entre os 9 e os 17 anos, que assim “aprendem a programar num ambiente seguro”. “Para além de desenvolverem nos jovens as competências para a programação, ajudam a estimular o raciocínio e a melhorar a capacidade de resolução de problemas”.

O impacto no concelho estende-se aos vários eventos que o parque tem vindo a realizar, e que têm trazido à Lagoa “oradores de todo o mundo”. É exemplo o Startup Weekend Azores, que na última edição reuniu 250 participantes provenientes de todo o arquipélago, do continente e dos Estados Unidos. E ainda o Azores Tek, um “evento pioneiro nos Açores”, que contou em 2018, aquando da primeira edição, com 600 participantes e 65 stands ao longo de uma área de exposição de 400 metros quadrados. Eventos que, assegura o presidente do Nonagon, têm impactos diretos “na economia e desenvolvimento do concelho”. Um impacto que deverá aumentar nos próximos anos, uma vez que o Nonagon irá ser ampliado, através da construção de mais um edifício ao lado do atual. Um investimento de 6,4 milhões de euros, que estará pronto daqui a dois anos. “Crescer em qualidade e em consequência, é o objetivo do Nonagon, para diversificar serviços e amplificar a capacidade de intervenção junto do radar de foco. A construção de mais um edifício para o Nonagon fará toda a diferença nesta pretensão”. Crescer na promoção internacional, alicerçado à ligação local.

Rui Pedro Paiva

(Reportagem publicada na edição impressa de setembro de 2020)

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