Museu Covid-19

Foto: DR

Desde a Criação, a Humanidade tem sido confrontada com diversas epidemias e pandemias que além de dizimar populações, contribuem de forma significativa para alteração da forma de viver da própria sociedade. Em pleno século XXI, a pandemia Covid-19 ficará marcada na História Mundial. Presentemente estamos mais bem preparados para enfrentar este problema, devido aos progressos desenvolvidos no último século em vários domínios, que permitem que o mundo reaja muito mais rápido a uma pandemia global.
Temos consciência que estamos a vivenciar um momento marcante da História, um momento de rutura entre a sociedade antes Covid-19 e a sociedade pós-Covid-19, pois as marcas que deixarão na comunidade serão fortes. Somos os protagonistas desta História, quer queiramos quer não, e talvez só tenhamos essa noção daqui a alguns anos, quando as gerações vindouras nos pedirem testemunho desta época.
Como iremos passar esse testemunho às futuras gerações é o que importa começar a pensar. Os museus vão preparar-se para documentar esta pandemia, o mais certo é até surgir um museu Covid-19, construído de raiz. Digo um museu Covid-19 físico porque virtualmente já existe um na conta de Instagram “The Covid Art Museum” fundado por três publicitários de Barcelona, cujo objetivo é “mostrar a melhor arte que se faz pelo mundo sobre o surto de Covid-19 – seja através de desenhos, ilustrações, vídeos, animações ou fotografias”, formando uma espécie de arquivo.
Não é cedo para começar a recolher os artefactos que marcam este tempo e que ajudarão a fazer a História desta pandemia, tal como outrora houve pintores que retrataram os surtos do seu tempo. Um museu desta tipologia ficaria bem implementado aqui no arquipélago dos Açores, pois que este ficará na História como a Região que colocou a Vida Humana acima de quaisquer outros interesses.

Joana Simas, Museóloga

(Artigo de opinião publicado na edição de junho de 2020)

Categorias: Opinião

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