Mortes no lar do Nordeste investigadas pelo Ministério Público

© DR

O Ministério Público está a investigar o surto de covid-19 ocorrido em 2020 num lar de idosos no Nordeste, em São Miguel, onde ocorreram 12 mortes, confirmou hoje à Lusa o gabinete da coordenadora da Comarca dos Açores.

Segundo a informação fornecida pelo gabinete de Maria da Conceição Lopes, “confirma-se a instauração, já no decurso de 2021, de um inquérito relacionado com a matéria”, sendo que “o mesmo se encontra em investigação e sujeito a segredo de justiça”.

A informação foi avançada na segunda-feira pelo jornal Diário dos Açores e confirmada no mesmo dia também pela Antena 1/Açores.

A Autoridade de Saúde dos Açores determinou em 05 de maio de 2020 o encerramento do lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, no âmbito da pandemia de covid-19.

No total, naquela estrutura foram registados 50 casos de infeção pelo novo coronavírus, entre utentes e funcionários, e 12 mortes.

O responsável pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros foi ouvido na semana passada na investigação do Ministério Público às 12 mortes de idosos num lar em Nordeste, na ilha de São Miguel, devido à covid-19.

“A Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros tem conhecimento da abertura de um inquérito, aliás foi arrolada como testemunha do processo. Fui ouvido na passada semana no âmbito deste processo que, segundo fomos informados, encontra-se em segredo de justiça”, declarou hoje à agência Lusa Pedro Soares.

Nas suas declarações à Lusa, Pedro Soares recordou que em 27 de agosto de 2020 expressou a “necessidade de ver este assunto com um encerramento cabal, verdadeiro, para que principalmente as famílias pudessem encerrar este ciclo de acontecimentos trágicos”, daí que tenha sido “com agrado ver esta investigação acontecer”.

“Eu quero acreditar na justiça e principalmente no efeito que possa ter em termos de correção de alguma coisa que possa ter corrido menos bem na altura e que não queremos de maneira nenhuma que se repita”, afirmou.

Em 27 de agosto do ano passado, Pedro Soares declarou à agência Lusa, na sequência de uma visita ao Lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, que havia a “necessidade de fechar este assunto gerado pelo drama com os óbitos” através de uma “investigação, para restabelecer a confiança e paz social” na comunidade local.

Para Pedro Soares, a investigação teria de ser promovida por parte de uma “entidade idónea”.

“Por que não ser o Ministério Público a realizar esta investigação e assim encerrar-se este assunto?”, questionou.

Pedro Soares disse, na altura, que saiu “com o sentimento de que esta é uma coisa que aflige, e muito, ainda, a população” do concelho de Nordeste.

Em 19 de maio de 2020, o presidente da Câmara Municipal do Nordeste, António Miguel Soares, considerou “legítimo” que os familiares das vítimas mortais processem judicialmente a Autoridade de Saúde dos Açores, quando questionado sobre a intenção manifestada por alguns familiares dos idosos falecidos.

Em 06 de junho, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se ao equipamento, tendo elogiado o desempenho dos profissionais de saúde.

Já em 22 de dezembro, o secretário da Saúde do executivo regional que entretanto tomou posse, após as legislativas açorianas (PSD/CDS-PP/PPM), acusou o anterior diretor regional da área e atual deputado do PS Tiago Lopes de ser responsável pela morte dos 12 utentes.

“Lamento que alguém que foi responsável pelas 12 mortes no Nordeste venha agora colocar uma questão isolada nos termos em que colocou”, afirmou Clélio Meneses, ouvido pela Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa, na sequência de um requerimento do PS sobre questões relacionadas com a covid-19.

O governante reagia a uma questão de Tiago Lopes, anterior responsável pela Autoridade de Saúde Regional, sobre o óbito de uma jovem na vila de Rabo de Peixe. Contudo, o antigo diretor regional da Saúde não respondeu à acusação.

Lusa/ DL

Categorias: Regional

Deixe o seu comentário