Memória dos frades Franciscanos eternizada em criação de licor

Garrafa encontra-se já à venda e tem como ingredientes principais o cravo e a canela. Licor é produzido pela Cooperativa Celeiro da Terra

Licor Convento de Santo António está à venda exclusivamente na Loja do Museu de Lagoa-Açores © DL

O Diário da Lagoa foi saber como surgiu a ideia de elaborar um licor para homenagear os frades Franciscanos e numa visita ao Convento de Santo António esteve à conversa com a vereadora da Cultura, Albertina Oliveira, e com o coordenador de Educação e Cultura da Câmara da Lagoa, Igor França.

Questionados sobre como e quando surgiu a ideia, Albertina Oliveira começa por contar que surgiu no Encontro Nacional da Rede das Cidades Educadoras, em Santo Tirso, onde os participantes foram visitar o Mosteiro de São Bento de Singeverga.

“Achei piada porque o licor é feito pelos monges lá do mosteiro que ainda estão lá. São eles que fazem de forma artesanal, é produzido e é engarrafado pelos monges”, destaca a responsável.

Já Igor França esclarece que “nós não sabemos se eles fizeram aqui algum licor, documentalmente não temos nenhum suporte mas nós sabemos que são tradições franciscanas”. O coordenador explica que “eles não vendiam licor, como ordem mendicante recebiam ofertas. Nós sabemos que aqui nesta zona do jardim municipal tinham a sua cerca conventual, no fundo é um espaço verde, cercado, onde produziam árvores de fruto e hortícolas para consumo próprio”, prossegue. “Os franciscanos são uma ordem global, ainda hoje há franciscanos. Eles regiam-se a nível global como a ordem missionária que eram e, portanto, essas tradições eram levadas de casa para casa. Os conventos eram casas da ordem, as chamadas casas conventuais”, assegura Igor França.

Igor França e Albertina Oliveira na loja e espaço do Museu Lagoa-Açores © DL

Partindo desta ideia, a autarquia lagoense contactou a cooperativa Celeiro da Terra, sediada na Povoação, em São Miguel. A vereadora da Cultura, Albertina Oliveira,  explica que a cooperativa foi abordada para saber se queriam ser parceiros do projeto uma vez que têm vindo “a destacar-se com vários prémios ao nível dos licores”. Depois do aval, começaram “logo a trabalhar com base naquilo que eram as especiarias dos frades Franciscanos”.

Quanto a datas, a vereadora recorda que tudo começou em 2018/2019, sendo que depois “paramos um pouco, porque não estava previsto no plano e orçamento esta atividade para aquele ano”. A responsável pelo pelouro da Cultura esclarece que tiveram de esperar por 2021 para dar andamento ao projeto que “ainda levou algum tempo”, porque “eles fizeram várias experiências e apresentaram-nos várias hipóteses”, explica. “Primeiro apresentaram uma proposta só de cravo que se revelou “um sabor muito intenso”, conta. “Depois apuramos alguns sabores que estavam muito fortes, outros precisavam de atenuar um pouco, o sabor, e pronto, foram limando alguns, depois no final decidimos que era o cravo e a canela”, assegura Albertina Oliveira.

Após várias provas de licores, a vereadora conta que o executivo da autarquia considerou que a bebida alcoólica doce, na sua atual versão, possuía um aroma e sabor característico completamente diferente dos habituais e que surpreendia pela originalidade.

Produzido e engarrafado pela Cooperativa Celeiro da Terra, o Licor Convento de Santo António é um produto natural, sem corantes, nem conservantes, cujos ingredientes são a água, o açúcar, o álcool, a canela e o cravo, sendo que uma garrafa de 200 ml contém um teor alcoólico de 26% de volume. “Fizemos de início um pedido para mais de 2.000 garrafas, sendo que depois pedimos mais 500 para o período de Natal”.

Apurado o licor para a sua produção final, escolhidos os ingredientes, a garrafa e a sua embalagem, o Licor Convento de Santo António foi colocado exclusivamente à venda na Loja do Museu de Lagoa-Açores, em Santa Cruz tendo um custo de oito euros por garrafa.

“As pessoas devem vir ao Museu Lagoa-Açores, não é só pelo licor, é por toda a oferta cultural que o museu dispõe. A loja e todo o espaço em si,” conclui Albertina Oliveira.

Clife Botelho
com Sofia Magalhães

Reportagem publicada na edição impressa de março de 2022

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