Medidas a adotar na Páscoa vão depender da evolução do número de casos

© JEDGARDO VIEIRA

As medidas de contenção da pandemia de covid-19 no período da Páscoa nos Açores vão depender da evolução do número de casos positivos de infeção pelo novo coronavírus registados nos próximos dias, adiantou o Governo Regional.

“A evolução dos casos nos próximos dias levará a que haja uma decisão relativamente ao modelo de medida que será implementado. Neste momento, ainda é um pouco prematuro apresentarmos as medidas que têm vindo a ser discutidas”, adiantou o diretor regional da Saúde, Berto Cabral.

O diretor regional falava, em Angra do Heroísmo, numa conferência de imprensa de apresentação das medidas de combate à pandemia de covid-19 a adotar a partir das 00:00 de sábado, por um período de uma semana.

Habitualmente, às quintas-feiras o executivo açoriano atualiza os níveis de risco de cada concelho e anuncia as medidas a aplicar.

Questionado sobre as medidas a adotar na Páscoa, que se celebra na próxima semana, Berto Cabral disse que era prematuro revelar o que estava a ser ponderado, alegando que os níveis de risco têm oscilado nos diferentes concelhos de semana para semana.

“Como temos verificado, a Ribeira Grande passou de alto risco para muito baixo risco e a Lagoa passou de alto risco para baixo risco”, exemplificou.

Atualmente, o concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, está em médio alto risco, mas duas das suas freguesias (São Pedro e São Sebastião) estão em alto risco.

A ilha de São Miguel, tem ainda dois concelhos em baixo risco (Ribeira Grande e Vila Franca do Campo) e três em muito baixo risco (Lagoa, Povoação e Nordeste), enquanto os restantes concelhos dos Açores estão igualmente em muito baixo risco.

O diretor regional da Saúde admitiu que o facto de a maioria de novos casos diagnosticados na ilha de São Miguel estar ligada à estirpe britânica tem motivado uma “maior preocupação” das autoridades de saúde, mas lembrou que os números já foram mais elevados.

Berto Cabral recordou que a região já chegou a atingir os 918 casos ativos em simultâneo, dos quais 882 em São Miguel e, destes, 167 em Ponta Delgada, concelho que tem agora 91 dos 124 casos daquela ilha.

Quanto ao estabelecimento prisional de Ponta Delgada, onde foram detetados dois casos positivos, em guardas prisionais, tem atualmente 26 guardas prisionais, quatro reclusos e um funcionário em “isolamento profilático”, medida que já foi levantada a outros 51 reclusos que foram considerados “de baixo risco”, revelou o diretor regional da Saúde.

O presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia nos Açores, Gustavo Tato Borges, disse que tem havido uma “estabilização dos novos casos por dia” nos Açores, acrescentando que se têm situado “entre os zero e os 20 casos”, com “uma média de 10 casos por dia”.

“Enquanto nos mantivermos nestes valores entre zero e 20 casos diários a situação mantém-se controlada”, frisou.

Gustavo Tato Borges reiterou que na ilha de São Miguel, a única que apresenta um risco médio de transmissão no seu global, “ainda não está presente” a transmissão comunitária da estirpe inglesa do novo coronavírus.

“Todos os casos da nova variante têm uma ligação específica, com exceção de alguns em Ponta Delgada. Como não temos a noção de que há aparecimento generalizado de casos da nova variante sem ligação epidemiológica em toda a ilha, acaba por não se poder afirmar que existe transmissão comunitária da nova variante”, salientou.

Na ilha Terceira, foi diagnosticado um novo caso positivo esta semana, mas o presidente da comissão assegurou que “não se trata da nova variante”.

Lusa/ DL

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