Lavoura de São Miguel admite manifestar-se se preço do leite não subir até final do ano

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O líder da lavoura da ilha de São Miguel, Açores, afirmou esta quarta-feira, 10 de novembro, que vai aguardar “até final do ano” para ver se a indústria aumenta o preço do leite à produção, não pondo de parte uma manifestação.

“A questão da manifestação está sempre em cima da mesa quando os produtores assim o bem entenderem mas, atendendo à expetativa que temos de que as indústrias, até final do ano, possam anunciar mais uma subida do preço do leite, vamos aguardar para ver. Mas não pomos de parte qualquer tipo de manifestação se a lavoura assim entender e quiser”, disse Jorge Rita.

O presidente da Associação Agricola de São Miguel e líder da Federação Agricola dos Açores, falava aos jornalistas, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, antes de um encontro com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, que se encontra de visita aos Açores.

Jorge Rita ressalvou que “não é por ser um grupo de lavradores que quer fazer uma manifestação, na [ilha] Terceira”, que se vai avançar”, pretendendo “esgotar as hipóteses” mas admitindo que o rendimento dos produtores “é dramático”.

Os produtores de leite e de carne da ilha Terceira vão fazer uma marcha lenta, com tratores e carrinhas, em Angra do Heroísmo, na sexta-feira, em protesto pelo preço pago pela indústria.

“A manifestação é para mostrar a indignação dos produtores e para perceberem que não é só o presidente da associação que manifesta o descontentamento. Há um descontentamento geral, quer dos produtores de leite, quer dos produtores de carne da ilha Terceira”, adiantou, em declarações à Lusa, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), José António Azevedo.

Num quadro de aumentos do preço do leite na Terceira e São Miguel que “envergonha a todos”, o líder dos lavradores de São Miguel destacou que, “a nível nacional, houve um aumento de um 1,5 cêntimos [por litro] e não houve descidas no ano passado”.

Nos Açores, a quebra foi de 1,5 cêntimos por parte da maior parte das indústrias, disse.

Para além da queda do preço do leite, assiste-se a um “aumento anormal dos custos de produção”, segundo Jorge Rita.

O responsável admite excedentes em algumas áreas de transformação e produção que devem ser anulados, mas destacou que o país é deficitário em queijo, devendo-se aumentar a sua produção.

Questionada sobre a insatisfação da lavoura face ao valor do preço do leite, a ministra da Agricultura referiu que “quem regula o preço do leite é o mercado, que tem que ser regulado”.

Por isso, disse, foi criada a PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, visando promover “entendimento desde a produção até à prateleira, ao retalho, para poder ter no consumidor um preço que seja justo na produção e em toda a cadeia”.

O secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, António Ventura referiu que vai ser revista da filosofia dos apoios ao sector, “passando do apoio numérico ao de conteúdo, principalmente nutricional”.

“Aquilo que era a função do POSEI [programa de opções específicas para fazer face ao afastamento e à insularidade da regiões ultraperiféricas como os Açores e Madeira], e o Prorural, em termos quantitativos de agroalimentos, já cessou, teve a sua função. Vamos para um novo patamar em que a quantidade pode prejudicar os preços desses agroalimentos, que têm que ter maior naturalidade”, declarou António Ventura.

O governante salvaguardou que a nova filosofia de apoios vai ser revista com a Associação Agrícola de São Miguel, uma vez que “continuar a apoiar mais uma vaca ou um quilo de carne não é viável”.

Lusa/ DL

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