José Pacheco é candidato à liderança do Chega Açores

© JEDGARDO VIEIRA

O deputado do Chega no parlamento açoriano José Pacheco confirmou hoje que vai ser candidato à liderança da estrutura regional do partido, assumindo “divergências” com o atual presidente, Carlos Furtado, que também vai ser candidato.

“Eu sou candidato, não há outra hipótese, tenho muitos militantes que se revêm em mim e eu não fujo aos problemas”, declarou José Pacheco à agência Lusa.

O também secretário-geral do Chega/Açores falava à Lusa na sequência da demissão de Carlos Furtado do cargo de presidente do Chega/Açores.

José Pacheco assumiu “divergências” com o atual líder regional do partido quanto ao “rumo” do partido na região.

“Temos opiniões diferentes, isso é normal. Estamos a aprender todos, mas as coisas têm de ser clarificadas. Acho muito bem o Carlos [Furtado] assumir a sua posição, nós vamos falar com os militantes e vamos pôr as estratégias em cima da mesa”, declarou.

Segundo José Pacheco, o Chega deve assumir a sua “postura crítica” e não deve ficar “acomodado” nas críticas ao Governo Regional, apesar de o partido suportar o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro no parlamento açoriano.

“Temos de assumir a nossa faceta de fiscalizar e sermos críticos. Ninguém votou no Chega para ficarmos sossegadinhos”, apontou.

E prosseguiu: “a minha forma de estar na vida não é acomodada, eu sou uma pessoa que gosta de olhar para o mundo de forma crítica e de construir soluções, mas falar das coisas quando elas não estão bem”, afirmou.

O deputado José Pacheco também assinalou as divergências face ao líder regional Carlos Furtado no processo para as eleições autárquicas, defendendo que o Chega deve “apresentar candidaturas em todas as autarquias possíveis”.

O secretário-geral do Chega/Açores rejeitou, no entanto, que as divisões internas do partido possam criar instabilidade ao Governo Regional, realçando que “não quer ver o PS a governar” a região.

“A estabilidade tem de estar acima de tudo, mas com condições. O José Pacheco é uma pessoa firme, há quem lhe chame teimoso nas suas convicções. Não sou cata-vento. Eu sou de direita natural, eu nasci assim”, disse.

José Pacheco avançou que o processo eleitoral deve estar “resolvido dentro de um mês”, até porque “existe uma grande urgência para definir as autárquicas”.

O líder do Chega/Açores, Carlos Furtado, demitiu-se do cargo no domingo após desentendimentos com o também deputado regional José Pacheco.

“Confirmo que o líder do Chega/Açores pediu a sua demissão e que concordou comigo na necessidade de uma clarificação eleitoral. Enquanto presidente eleito do partido, reunirei imediatamente a Direção Nacional, na chegada a Lisboa, para que, imediatamente, se desencadeie o processo eleitoral na Região Autónoma dos Açores”, confirmou à Lusa o líder nacional, André Ventura.

A crise regional no partido ficou visível com uma mensagem publicada numa página de uma rede social oficial por parte de José Pacheco contra o aumento de beneficiários de RSI verificado naquelas ilhas.

A publicação foi depois apagada pelo líder regional, Carlos Furtado, que escreveu que a direção regional do Chega e o próprio têm “a melhor atenção” aos problemas de “excesso RSI” e o “objetivo de se arranjar soluções eficazes, sendo que neste momento as responsabilidades”, que lhes “são imputáveis, não permitem a crítica fácil e populista”.

O Chega é um dos partidos que suporta o Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS/PPM, no parlamento regional.

Lusa/ DL

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